Coleção pessoal de testeteste123
A inteligência artificial avança, mas o verdadeiro futuro dependerá da inteligência emocional de quem a cria.
MEU SONETO
As minhas lágrimas são da arte
E a minha solidão é do amor.
No meu poder tem o disfarce;
Dos meus sorrisos saem a dor...
No meu coração tem o enlace,
Na minh'alma esplendor...
E na expressão de minha face
Se faz brilhar todo o fulgor.
No meu silêncio tão profundo
Exalto a vida a todo mundo,
Levo às costas todo o poder...
Do maior amor sou dependente;
De mentiras vivo a toda gente,
Da ilusão, profano o meu viver...
© Dolandmay Walter
Ó meu ex-amor, a sombra que já não me alcança,
Hoje a brisa que sopra é de um novo amanhã.
Houve dor, sim, mas nela encontrei a esperança,
A força que brotou de uma antiga manhã vã.
Fui teu espelho quebrado, tua voz que silenciou,
Mas a poeira baixou, e a vista ficou clara.
Obrigado por ter me transformado, o que restou
Não é mágoa, é a coragem que em mim se declarou.
Nesta pessoa que eu sou agora, não há vestígio
Daquelas amarras que um dia me prenderam.
O medo se foi, e cada antigo vestígio
De um tempo de trevas, meus olhos já não viram.
Fui casulo em choro, hoje borboleta em voo,
Cruzando horizontes que jamais sonhei tocar.
A tua ausência, enfim, foi o vento que me impulsionou,
E o passado distante não mais me pode assombrar.
Que a vida te siga e que o teu caminho seja,
Eu sigo o meu, com um brilho que só se acendeu.
Agradeço a lição que o teu adeus me legou e teja
A paz em meu peito, um amor que me renasceu.
Ó meu ex-amor, o eco doce de um adeus.
Ainda sinto o frio em certas manhãs vazias,
Um véu de fumaça que paira entre os meus
Pensamentos, tecendo as velhas melancolias.
Tu foste a forja cruel que me moldou, é certo.
Em cada cicatriz, levo um pouco do que fui.
Transformaste-me em alguém que hoje me é incerto,
Um novo ser nascido da dor que me construiu.
Agradeço, sim, a pessoa que agora sou,
Mais forte, mais ciente, mas também mais calada.
Em cada passo novo, a ausência que restou,
Uma canção de ninar que a alma tem guardada.
Obrigado por ter me transformado, mas a que custo?
Nesta jornada fria, onde o brilho se apagou.
Sou a estrela que renasceu, porém, com certo susto,
Pois a chama que tu foste jamais me abandonou.
Eu sou o paradoxo do teu partir e do meu vir,
Uma obra de arte triste, pintada em tons pastéis.
Eu sou agora o silêncio que aprendi a seguir,
Um jardim de lembranças sob chuvas e sob céus.
Ó meu ex-amor, meu caos e minha calmaria,
A ti não resta rancor, mas uma estranha gratidão.
Eu era a argila mole, entregue à tua alquimia,
E o teu adeus forjou a minha reconstrução.
Teu nome ainda ecoa, um sussurro na memória,
Mas já não é tormenta, é a marca que me fez.
A vida que findou, de luto e velha história,
Foi o solo onde floresceu a minha nova vez.
Obrigado por ter me transformado, sem querer,
Nesta alma de aço polido que hoje se levanta.
Eu sou a prova viva de que a dor pode vencer
E que a maior ferida é o que mais nos implanta.
Não sou mais quem te amava, a sombra submissa e frágil,
Sou a força que nasceu quando a ponte se quebrou.
O teu abandono, duro, frio e indizivelmente ágil,
Foi o preço que paguei pela pessoa que eu sou agora.
Fica o passado à deriva, a saudade que se esvai.
Eu sou o teu legado, a obra que a dor lapidou.
Vai em paz. Eu brilho sozinho, e isso me basta.
Fui destruído por ti, mas a ti, muito obrigado.
O Homem Magro
A paixão cessou,
mas o homem magro
continua sentado
ao pé da cama —
seco e puro,
como o ar
que respiro.
Cuneiforme
Falar,
falar,
murmurar…
Filosofar!
Justificar!
Nada!
Escrita,
Desde cuneiforme ,
A dor em símbolos !
Pode chorar,
pode esguelhar —
o amor perdido…
está perdido.
E o errante,
com sua ladainha,
( escrita ou falada)
percorre a história da humanidade
como se fosse sua!
Continuar a ser fonte é confiar em Deus. É crer que a bondade, semeada com sinceridade, jamais se perde... mesmo que o reconhecimento falhe.
O tempo, com sua justiça silenciosa, sempre traz a lição.
Um dia, o sedento lembrará da água que ignorou... não por castigo, mas porque o vazio da alma sempre clama pela fonte que lhe faltou.
Quem despreza a água que o saciou revela apenas a seca do próprio interior.
A ausência de gratidão mostra a imaturidade de quem ainda não aprendeu o valor do gesto puro, do amor sem interesse.
Ode a Clarice
Me ensina
a perder-me nas esquinas invisíveis,
atravessar portas que não existem,
explorar mundos
que cabem apenas
no silêncio do meu passo
Ode a CL
Antes que o mapa encurte,
antes que a próxima “viagem”
imponha um itinerário
que não ultrapasse
a rua paralela
à minha antessala…
O destino ambicioso do Poeta
Ele nasce para Ser,
vive para Escrever,
morre para ser lido,
renasce sem nunca ver
e torna-se eterno sem nunca saber...
Ele nasce com o verbo latejando nas veias,
a alma em chamas de dizer o indizível,
vive entre o gozo e o abismo das palavras,
sangra no papel como quem se oferece ao tempo.
Morre quando a tinta seca,
mas o eco de sua febre permanece.
Renasce em cada olhar que o lê,
sem jamais saber que ainda pulsa
na carne do silêncio dos outros...
Ele vem ao mundo com um sopro de eternidade,
vive escrevendo para compreender
o próprio mistério.
Morre deixando rastros de si em cada verso,
renasce no coração de quem o lê,
e permanece, suave e invisível,
no murmúrio das páginas que o guardam...
✍©️@MiriamDaCosta
Good Girl
Se não correr,
se não fizer,
se não se formar,
se não casar,
se não enriquecer,
se não tiver filhos —
pelo menos dois,
se não for bem-sucedida,
se não me aplaudirem…
Good Girl!
A vida passou —
e levou a dúvida junto.
Dizem que não tenho sentimentos,
que não me importo com ninguém,
que vivo num vazio imenso,
que o amor não me faz bem.
Águia ferida sou eu — e mais ninguém.
Alguém me viu voar,
com asas largas a balançar,
carregando um coração ferido,
porque sentir também é sofrer.
Águia ferida sou eu — e mais ninguém.
