Coleção pessoal de testeteste123
"O maior truque do ditador é fazer o rebanho acreditar que o lobo está vestindo a pele de cordeiro por amor à alcateia."
"O discurso da pátria é a anestesia que o ditador aplica na multidão para que ela não sinta o peso do seu ego."
"Na gramática do opressor, o 'nós' é apenas o rascunho. O texto final é sempre um 'eu' soberano e destrutivo.
"Onde há brincadeira, há atenção. Onde há atenção, há aprendizado. Incluir é tornar a aula atrativa para todos."
CARTA ABERTA A BANDA FRESNO!
(Escrita após rever um vídeo do Lucas cantando pedaços de músicas antigas só na guitarra e na voz, sendo mais específica, "Uma Música", "Polo" e uma das minhas "mais preferidas" de todos os tempos, "Absolutamente Nada", na noite de 7 de agosto de 2026).
Que nostalgia...
Que saudade dessas músicas...
Ah, anos 2000...
2011 foi quando comecei a ouvir assiduamente a Fresno. Quando finalmente entendi o que as letras queriam dizer, após o meu primeiro coração partido, misturado com a decepção de uma amizade que só existia da minha parte, e cujo fato foi esfregue na minha cara ao declarar o que sentia sem esperar retorno, apenas acolhimento e a amizade que eu acreditava existir. Queria uma mão amiga, e levei centenas de facadas em forma de palavras que ficaram gravadas na minha mente mesmo sem me lembrar mais delas.
Depois, essas músicas se tornaram trilhas de outras histórias e pessoas que amei... De outras dores e conflitos que vivi.
Obrigada Fresno , por cantar e decifrar tão bem minhas emoções. Obrigada Lucas e Tavas (Tavares), por, cantando sobre suas próprias dores e histórias, me mostrarem que eu não estava sozinha. Que não era a única que sentia com tanta intensidade. Que em algum lugar, alguém sabia como era se sentir daquela forma também.
As suas músicas mais tristes foram as que mais me salvaram, inclusive de mim mesma.
Gratidão guris!
Quem sabe um dia a gente compõe e grava algo juntos...
Ao menos posso sonhar...
Com amor e carinho aos que fizeram parte, aos que seguem sendo parte, e aos que talvez um dia também sejam parte dessa banda tão lendária e única que é a Fresno!
Um grande beijo da emo baiana,
Marcela Lobato
Eu sei que o sangue foi derramado e o preço foi pago. Por isso, quero uma vida de verdade — e consumir o meu próprio assombro.
Moro no emaranhado dos pensamentos vãos,
que vão e voltam,
numa valsa doce e melodiosa.
Flanando entre o passado
e o futuro,
marco o compasso do sapateado
presente nas horas.
Entre a menina e a mulher
Tenho andado sozinha.
Não porque não queira companhia, mas porque há caminhos que ninguém pode percorrer por nós. Há silêncios que precisamos atravessar sozinhas, perguntas que somente o tempo sabe responder e versões de nós mesmas que precisam partir para que outras possam nascer.
Tenho andado assim: aprendiz, menina, mulher.
Às vezes, ainda sou aquela menina que se assusta diante do mundo, que procura abrigo, que acredita, que espera, que guarda sonhos como quem protege uma pequena chama do vento. Em outras, sou a mulher que a vida foi esculpindo à força de perdas, recomeços, esperas e algumas dores que ninguém viu.
E talvez crescer seja justamente isso: não abandonar a menina que fomos, mas aprender a acolhê-la com os braços da mulher que nos tornamos. Quando me perco, já não procuro alguém para me encontrar. Volto para dentro, procuro os pedaços que deixei pelo caminho, recolho meus sonhos, escuto meus silêncios e sigo.
Porque descobri que, muitas vezes, quando penso que estou perdida, estou apenas deixando de ser quem já não cabe em mim. Tenho andado sozinha, sim, mas já não caminho vazia. Levo comigo a menina que ainda sonha, a mulher que aprendeu a resistir e todas as versões de mim que tiveram coragem de continuar.
E talvez seja esse o meu verdadeiro encontro: quando me perco da menina, encontro a mulher. E quando encontro a mulher, finalmente compreendo que a menina nunca esteve perdida. Ela apenas estava me esperando crescer o suficiente para voltar para casa.
AS HORAS QUE SE RECUSAM A MORRER
Não durmo.
Não porque exista alguma coisa
que valha a pena vigiar,
mas porque até o sono
parece ter desistido de mim.
A madrugada é um animal velho
deitado sobre o peito.
Respira devagar.
E eu escuto.
03:12.
O relógio continua funcionando
com a obscena fidelidade
das coisas que não possuem alma.
Nós somos assim:
inventamos máquinas para medir o tempo
e depois descobrimos, tarde demais,
que era o tempo
que estava nos medindo.
03:47.
Penso na infância.
É estranho chamar aquilo de infância.
Havia paredes,
havia nomes,
havia pessoas que deveriam ter ficado.
Mas algumas ausências
nascem antes das pessoas morrerem.
Talvez essa seja
a primeira forma de abandono:
descobrir que alguém pode estar vivo
e ainda assim
já não existir para você.
04:06.
Acendo um cigarro.
A brasa ilumina meu rosto
por alguns segundos.
É quase uma oração.
Depois vira cinza.
Como tudo.
O amor também foi assim.
Primeiro, uma pequena chama
que prometia aquecer a casa.
Depois, fumaça.
Depois, cheiro.
Depois, nada.
Tenho uma coleção inteira
de coisas que acabaram
sem nunca terem começado direito.
Amores.
Amizades.
Promessas.
Versões de mim mesmo
que morreram sem funeral.
04:33.
A cidade permanece silenciosa.
Milhares de pessoas dormem
sem saber que existir
é apenas uma maneira elegante
de adiar a própria decomposição.
Talvez o sono seja misericórdia.
Talvez seja apenas
a morte ensaiando.
Eu nunca soube diferenciar.
04:51.
Há algo profundamente humilhante
em continuar.
Você acorda.
Come.
Trabalha.
Ama.
Perde.
Finge.
Repete.
E chama isso de vida
porque a palavra "prisão"
parece pessimista demais
para caber numa conversa civilizada.
05:17.
O céu começa a clarear.
Que ironia.
Até a luz parece cansada.
Ela atravessa as janelas
como um funcionário público
cumprindo uma obrigação antiga.
Nenhum milagre.
Nenhuma redenção.
Apenas mais uma manhã
chegando para cobrar
o preço de ontem.
Olho para minhas mãos.
Ainda estão aqui.
Essa é a única vitória
que consigo reconhecer.
Não sou feliz.
Não estou curado.
Não encontrei Deus,
nem sentido,
nem uma razão suficientemente bonita
para justificar tudo aquilo
que precisei perder.
Mas ainda estou aqui.
Talvez seja isso
o que mais incomoda o vazio.
Ele passou anos tentando me convencer
de que eu não significava nada.
E eu, miserável,
continuei respirando.
Não por esperança.
Esperança é uma palavra
que os desesperados inventaram
para tornar o sofrimento suportável.
Eu continuo
por uma razão muito mais simples:
ainda não terminei
de transformar minhas ruínas
em alguma coisa que se pareça comigo.
06:02.
O mundo acorda.
Eu permaneço sentado
entre a noite e o dia,
com os olhos vermelhos,
o coração em ferrugem
e a alma cheia
de quartos abandonados.
Não dormi.
Mas sobrevivi à madrugada.
E talvez seja isso
que ninguém nos conta:
às vezes, viver
não é encontrar uma razão para continuar.
É simplesmente olhar para o abismo
até que ele perceba
que você também
aprendeu a encará-lo.
A doença de algumas pessoas, residem na Alma, mas, a sua incredulidade nisso, não permite que a cura aconteça e por isso vivem entre o choro e o riso.
No topo da política, rivalidades são fachada: fantoches dividem o povo em nome de interesses comuns a uma única classe dominante.
