Valnia Véras
De porta em porta,
com pires na mão,
soma-se miséria,
sobra opinião.
Cabeça baixa,
voz sumida,
a sombra da existência
rascunha a vida.
Diante do retrovisor do carro,
olhares se distanciam
solitários
de mãos vazias.
No oco,
a fome
e o medo
estendem
as mãos.
Degredo.
Moro no emaranhado dos pensamentos vãos,
que vão e voltam,
numa valsa doce e melodiosa.
Flanando entre o passado
e o futuro,
marco o compasso do sapateado
presente nas horas.
Respostas
Sim
Sim
Sim
Carimbado.
Marca d’água
tingida de vermelho,
ratificando o advérbio de afirmação.
Contudo,
com a mudança de direção,
com ou sem verruga,
a resposta navega por outros mares.
Não,
jamais,
nunca.
Eita!!!!!
Chegam as piruetas.
Quem sabe?
Talvez!
Agora é Lei!
Placas se divertem
em frente ao cruzamento …
Valnia Véras
