Coleção pessoal de testeteste123
Hoje, as memórias boas se esvaem, e tudo o que resta de você em mim ficou só a carcaça.
Possuo somente as escrituras e poesias como companheiras e confidentes.
Apesar disso, continuam
impertinentes,
sem rima
e tampouco clima.
Não me dão mais
o menor dos sentimentos.
Mas chorar não inverte a situação,
e muito menos apaga os teus erros,
só aumenta a dor
e a angústia.
Entre rimas perfeitas,
deixei pedaços de mim nas letras,
e fiz da dor
uma solidão de mesmice,
na esperança
de que você me compreendesse
Deixei meus poemas falarem,
Aquilo que o meu ser nunca teve coragem .
Ode a um sete
No silêncio deste velho pedestal, corroído pelas infindas águas da realidade, sinto-me como caneta sem tinta. Passei a me solidarizar com Fernando Pessoa, pois, agora que um sete está em tudo: nos lugares que passo, onde penso, existo e até mesmo ouso descansar. É estranho, mas acho que compreendo, ao menos de forma minimamente correta.
O menor dos problemas não é deixar para trás, e sim a lacuna entre a falsa perseverança, simultânea ao vazio que na mente se abre, restando-me apenas a certeza da dúvida se conseguirei recuperar aquilo que nem sei ao certo se realmente perdi. Ela me domina, esgueirando-se por minhas fibras junto a um sete que, ao longe, me perseguia e hoje, dentro de mim se ergue.
Conforme o maldito se consolida, me questiono por que as tortuosas linhas do destino me apresentaram a esse tal Proust, sem nenhum aviso prévio ou formidável preparo necessário, apenas atirando-o à mim, assim como um sete, de forma tão tardia, agitando as águas salgadas da angústia. Agora, com um mínimo de aprendizado, passo a entender que memórias não doem apenas por serem memórias, mas por serem vagarosas, lentas, tornando-se, em alguns casos, “pequenas” demais para tal estrago, ridiculamente desproporcionais às correntes que me prendem à eternidade que parece habitar neste museu, mantendo-o vivo.
Diante deste ninho moldado por traços desolados, guerreando com um sete, sinto-me culpado, uma alma insignificante, vagando em busca de perdão. Oro ao pequenino Léo, que, aos trancos e barrancos da própria ingenuidade, inteligência e bondade petulante, sem nunca pestanejar, ergueu-se sozinho. Queria dizer-lhe o quão orgulhoso sou por sua bravura altruísta, por seu poder de encontrar felicidade e conhecimento no simples, isso te levou longe, garoto. Jamais se esqueça, nem aceite cair na penumbra das mágoas ao seu pai, muito menos que se volte contra sua mãe. Peço apenas que, com sabedoria, aprenda que a vida não é só perdoar a todos, cuidar, salvar. Olhe para si.
Admiro muito você por conseguir seguir mesmo estando estilhaçado pelas flechas amarguradas da injustiça que costumamos chamar de vida, outrora direcionadas ao pobre Paulo. Pobre garoto, assustado e confuso, tendo menos que Romeu a perder, agarrando-se ao mínimo que pudesse de uma Julieta que sequer lhe jurou seu amor. E, diante da terrível praga, sem contato com o verdadeiro mundo, sem o paradeiro daqueles que davam cor ao seu, guardou sozinho todo medo e dor, retraindo-se para dentro da massa pensante, desconectando-se do próprio eu.
Compadeço-me de ti: a fantasia pode ser tortuosa de tão linda, mas, apesar de tudo, vivo você esteve, e vivo sempre estará, deixando seu legado que, mesmo escondido, soterrado pelas poeiras neurais, ainda carrega essência e sonho.
E a você, Gael, escondido sob a manta da amargura, vestido com uma falácia de máscula armadura, viverá para sempre vagando pelos imundos espectros daquilo que um dia denominou-se como Maria. Mas olhe para si, garoto, não vê o quão vitorioso és? Não te deixes levar pela afiada e gélida linha que deveria atuar apenas em uma ponta. Você é ouro, garoto. Graças a ti, e somente a ti, todos terão o descanso merecido, basta que se encontrem com o verdadeiro eu.
Tua bravura jamais será esquecida. Saúdem o grande dragão guerreiro que, com sua fúria, forjou a katana do ser, unindo os espectros que, outrora meros cadeados do trauma, agora se fundem e, juntos, derretem novamente, dando vida ao sujo, obscuro e fragmentado etanol. Puro produto da decomposição, prestes a evaporar, ir embora a qualquer instante, ocupando espaço sem pertencer, entorpecendo a realidade por onde passa. É o vazio deprimido em sua forma mais pura.
Se amar o próximo define o verdadeiro cristianismo, as igrejas atuais não passam do maior esquema de recrutamento para o inferno já inventado! Mas fiquem tranquilos: padres e pastores terão o privilégio da primeira fila, já que passaram a vida enriquecendo através da miséria alheia e vomitando ódio ao próximo!
Nunca escrevi sobre o mar;
Nunca escrevi sobre o sol e nem a terra
Nunca escrevi sobre oq eu gosto de verdade
Acho que eu nunca fui eu mesma,
Talvez eu acabei deixando o que eu mais gostava para trás e perdido a pessoa que Eu queria ser quando crescesse
Eu nao queria ser um astronauta, atriz, modelo ou veterinária
Eu queria ser tudo o que eu nao sou hoje, ser algo q eu me orgulho
Quando criança pensava que seria alguém doce que todos gostavam e que escrevia sobre os mares e o sol ardente e as terras desconhecidas
No final virem alguém amargurada que poucas pessoas suportam e que nunca teve a coragem para escrever as maiores aventuras de todas e publicar ou participar de um simples concurso de poesia
Talvez eu ainda pudesse tentar
e dessa vez, deixar o sol entrar
sentir a terra sob meus pés machucados, e nela, os sonhos que deixei guardados e somente dessa vez não deixar o mar me levar para dentro da sua profundidade sem fim
Se ela não se importa comigo, tudo bem.
Eu não vou mendigar atenção, nem implorar por migalhas de afeto.
Eu sigo, me doando o meu melhor agora, para mim.
Quem não reconhece meu valor não merece meu desgaste.
Meu tempo minha energia e, meu coração é precioso demais para ser desperdiçado, para em quem não sabe cuidar.
Eu escolho me levantar, me olhar no espelho e enxergar a força, que sempre esteve aqui.
Eu escolho ser fiel a mim mesmo, porque ninguém pode me dar aquilo que eu mesmo posso construir: respeito, amor-próprio e dignidade.
Se ela não está nem aí, eu estou.
Estou aqui, firme, vivendo, crescendo e me tornando cada vez mais forte.
Mulheres maduras e raras, sabem que os elogios e atenção só podem vir do seu parceiro.
E homens sábios e de valor sabem valorizar a sua própria mulher.
A escravidão continua viva quando quem foi oprimido chama de salvação aquilo que só existia para mantê-lo de joelhos.
Show no circo
A uma barreira entre as frustações e os propósitos,
Por várias vezes a nossa última conversa vêm se repetindo na minha mente,
Sentir falta do teu amor foi tão breve quanto a passagem de um relâmpago,
Súbitas lembranças venceram as passagens que antes eram intocáveis no passado,
Quem busca momentos de segundos não merece sentimentos autênticos,
O show no circo vai começar novamente, mais eu ignorei o convite de milhões para um palhaço só.
Três afirmações não batem:
A Bíblia é ultrapassado e arcaica, porém querem destruí-la?
Cristo não existiu Deus não existe, mas perseguem cristãos como ameaças por crerem no que não existe?
Comunismo é algo bom para o povo, mas algo que é bom parar alguém é imposto a força?
Nunca prometa FELIZ,
Não responda IRRITADO
Não decida com TRISTEZA
Faça tudo bem pensado.
FELIZ, IRRITADO e TRISTE,
Modifica o resultado.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
08/01/2026
*08 de Janeiro - Dia do Fotógrafo *
Ode ao Fotógrafo (2)
O Fotógrafo
arranca a poesia
das entranhas da paisagem,
violenta o segundo
antes que ele apodreça no tempo.
Caça o instante
com olhos famintos,
respira luz,
sangra sombra,
dispara o silêncio.
Congela o que nunca mais será,
fere o fluxo da História
com um corte preciso
e chama isso de memória.
Não pede licença ao mundo:
invade, captura,
expõe a nudez do real
sem filtros morais.
Fotografar
é um ato de risco,
um confronto direto com o efêmero,
uma emboscada armada
contra o esquecimento.
O Fotógrafo sabe:
toda imagem é um grito
preso num instante
que se recusa a morrer.
✍©️ @MiriamDaCosta
Eu quero fugir
Das idéias
Eu quero ir pra longe dos pensamentos
Que me cercam de certezas obscuras
Eu não quero mais entender
Alguém me leve de volta, quando eu podia escolher um lado
Meu lado agora é sob os escombros morais
que antecedem a ruína material
Me sinto doente em saber, e em não saber
Estou rouca de tanto gritar no silêncio, e não ser ouvida
Me sinto doente em saber
que existe uma conveniência em tudo isso
e que isso me torna doente e o mundo são
Me assusta o diagnóstico certo, da doença que me assola a alma
Mas sinto que se eu me curar, eu estaria mais doente ainda
A idéia de aceitar ou conviver com essa realidade
transforma a minha loucura na sobriedade mais avassaladora que eu já senti
Escrevo na esperança de não me engasgar com as palavras
um engasgo mental, quase fatal
De tudo que me assola e me atormenta
Escrevo, no fundo, para que eu nunca deixe a loucura perdida
e me torne alguém saudável
nesse mundo doente
Para manter o aluguel das cabeças dos seus asseclas, os especialistas em guerras palavrosas são capazes de qualquer coisa.
Inclusive fingir conversão.
Há quem transforme a política em púlpito e a vitimização em liturgia.
Não para curar feridas reais, mas para mantê-las abertas, sangrando o suficiente para justificar discursos inflamados e as lealdades cegas.
Na seara política, especialmente na brasileira, a martirização já virou estratégia.
Quanto mais alto for o grito de perseguição, mais baixo o compromisso com a verdade.
E assim, os especialistas em guerras palavrosas ensaiam conversões repentinas, não por arrependimento, mas por conveniência — porque nada mobiliza mais que a fantasia do justo injustiçado.
Fingem mudança de fé, de tom e até de valores…
Não para abandonar a trincheira, mas para trocar o figurino.
É a ecdise: a troca de pele das serpentes…
O inimigo continua sendo necessário; afinal, sem ele, como justificar o aluguel permanente das cabeças dos seus asseclas?
O vitimismo, quando profissionalizado, dispensa coerência.
Hoje é cruz, amanhã é espada.
E hoje é silêncio estratégico, amanhã é grito de censura.
Tudo serve, desde que mantenha a plateia refém da emoção e distante do pensamento crítico.
Mas há um detalhe que a encenação não controla: o tempo.
Ele tem a estranha mania de desmascarar conversões oportunistas e mártires de ocasião.
E, quando o espetáculo se esgota, resta apenas o vazio de quem nunca quis justiça — apenas palco.
Porque quem realmente muda, não precisa se vitimizar…
E quem verdadeiramente sofre não transforma a dor em palanque.
*08 de Janeiro - Dia do Fotógrafo *
Ode ao Fotógrafo
O Fotógrafo é aquele
que eterniza a poesia
de uma paisagem,
de um momento
e da História.
É o guardião do instante
que o tempo tentaria apagar,
o artesão da luz
que molda silêncios
em imagens que falam.
Com olhos atentos,
ele escuta o invisível
e revela o que
passaria despercebido
à pressa do mundo.
Congela o efêmero
sem lhe roubar a alma,
transforma segundos
em memória
e memória em legado.
Entre sombras e claridades,
escreve com luz
aquilo que as palavras
nem sempre alcançam.
Fotografar
é um ato de presença,
um gesto de amor pelo real,
um pacto silencioso
com a eternidade.
✍©️@MiriamDaCosta
