Coleção pessoal de testeteste123
O pecado não é apenas uma falha moral; é um sequestro biológico que silencia a sentinela da sua mente.
O aprendizado não é só da criança — é do adulto também, que aprende a persistir, perguntar e continuar mesmo quando o caminho parece difícil.
Um ciclódromo local onde correm bicicletas.
Um velódromo local onde correm as motos.
Um autódromo local onde correm os carros.
Um kartódromo local onde correm os karts.
Um ferródromo local onde correm os trens.
Um metódromo local onde correm os metrôs.
Uma discoteca local onde ficam os discos.
Uma encenoteca local onde ficam as cenas.
Uma pinacoteca local onde ficam as telas.
Uma estuoteca local onde ficam as estátuas.
Uma maquetoteca local onde ficam as maquetes.
Uma biblioteca local onde ficam os livros.
Uma filmoteca local onde ficam os filmes.
Uma fototeca local onde ficam as fotos.
Uma hemeroteca local onde ficam as revistas.
Um enoteca local onde ficam os vinhos.
Ingênuo é aquele que não sabe que tem pecados. Inocente é o que não os tem. Para ser inocente é preciso ser ingênuo.
A minha borboleta
Hoje me lembrei de você. Não porque estava triste, pelo contrário. São nos momentos mais felizes que nos enchemos de saudade. Todas as vezes que eu respiro sinto sua falta que me dilacera a alma. O dissabor da perda de uma mãe é dor que dói a todo instante. Claro que o luto passa, mas o amor, ah o amor não. Quem ama ultrapassa a barreira da eternidade. É no brilho do sol, na luz das estrelas, na flor que colore cada rua que eu passo que me faz sentir saudade de ti, minha Lina.
Ter saudade de ti me faz sentir saudade de mim, de quem eu era com sua presença física.
As vezes bate a solidão de não caber em qualquer lugar, em qualquer conversa, em qualquer simples troca num cafezinho.
Ser diferente era o que me fazia especial pra ti.
O dissabor e o privilégio de ser laranja quando o mundo gosta de outras cores me faz sentir ainda mais a sua falta.
Éramos a dupla perfeita. Agora sou carreira solo.
Saudade dos nossos papos abertos, daquele colo que eu podia ser quem eu quisesse ser, sem ter o julgamento de quem não entende as diferenças.
Ai ainda acho que devia ter a lei que proibisse que a mãe da gente morresse.
Cá estou numa sexta borboletando e respirando saudade.
Ai que saudade de ôce minha borboleta.
Sou feita de travessias.
A menina de dezessete
ainda corre em mim
com folhas da Floresta da Tijuca
presas nos cabelos
e o gosto ácido de sonhos
na boca.
Mas hoje caminho mais devagar.
Carrego filhos nos braços,
culpas no peito,
e um espelho que às vezes
não me reconhece.
Entre o pão da pressa
e a fome que não é de comida,
procuro aquela que eu era —
não para voltar atrás,
mas para me reencontrar inteira.
Sou mãe,
sou mulher,
sou chama baixa que insiste.
Ainda quero o mundo.
Só estou aprendendo
a caber nele
sem deixar de caber em mim.
Capítulo — Entre a Culpa e o Espelho
Pedir demissão foi um grito silencioso que eu dei a mim mesma.
Eu estava cansada. Cansada da pressão constante, do ambiente pesado, das cobranças que atravessavam minha pele como agulhas finas e diárias. Havia dias em que eu voltava para casa sentindo que tinha deixado pedaços de mim espalhados pelos corredores daquele trabalho. Então, um dia, respirei fundo e saí. Achei que, ao fechar aquela porta, abriria outra — mais leve, mais minha.
Mas o que se abriu foi um vazio.
Meus dias passaram a ter a mesma cor, o mesmo ritmo, o mesmo roteiro: lava, limpa, arruma, cuida. Lava, limpa, arruma, cuida. Amo meus filhos com a força inteira do meu peito, mas não quero ser apenas a mãe.
Quero voltar a ser mulher. Quero me reconhecer no espelho sem que a primeira palavra que me venha à mente seja “cansaço”.
Nos três meses depois que saí do emprego, engordei 10 quilos e 800 gramas. Sim, eu estou contando. Cada grama parece um lembrete concreto de que estou perdendo o controle.
Eu não consigo parar de comer.
É pão. É feijão. É macarrão. É qualquer coisa que esteja ao alcance dos olhos. Como em grandes quantidades, como com urgência, como se estivesse apagando um incêndio invisível dentro de mim. Na hora, existe uma pressa quase desesperada — preciso mastigar, preciso engolir, preciso sentir o estômago cheio. Só quando ele dói, quando pesa, quando estica, é que algo se aquieta.
E então vem o arrependimento.
A culpa chega como uma onda fria depois da falsa calmaria. Eu sei que não deveria estar fazendo isso. Sei que não é fome — é outra coisa. Mas faço assim mesmo. A comida virou uma espécie de anestesia: me acalma por alguns minutos e depois me corrói por dentro, como se eu tivesse traído a mim mesma.
Estou matriculada na academia. Pago a mensalidade. Tenho roupas de treino. Já gostei de treinar — e muito. Lembro da sensação de força, do suor como prova de disciplina, da música alta no fone de ouvido enquanto eu me sentia viva. Mas agora não consigo sair de casa para ir até lá. Não é preguiça. É como se houvesse uma barreira invisível entre mim e a mulher que eu costumava ser.
Às vezes me pergunto:
Onde está a minha força de vontade?
Onde foi parar o desejo de me cuidar que sempre fez parte de mim?
Se eu gosto de treinar, por que não consigo ir?
Sinto que preciso urgentemente reencontrar meu antigo eu — mas, no fundo, talvez eu precise encontrar uma nova versão de mim.
Uma que caiba na mulher que estou me tornando, e não apenas na que eu fui.
Às vezes — ou melhor, na maioria das vezes — sinto falta de mim. Falta da leveza que eu tinha. Da segurança. Da autonomia. Me pergunto se, caso tivesse estabilidade financeira, tudo seria diferente. Será que eu conseguiria ser eu mesma? Ou estou usando essa ausência como justificativa para algo mais profundo?
Já passei por tantas coisas na vida. Sobrevivi a situações que pensei que me quebrariam para sempre. Aprendi muito com a dor, mas também vivi momentos maravilhosos — momentos que hoje parecem fotografias desbotadas guardadas numa gaveta da memória.
Sinto saudade daquela mulher que ria fácil, que sonhava alto, que se sentia capaz.
Agora, às vezes, acordo e me pergunto em silêncio:
Será que estou em depressão e não sei?
Talvez essa seja a pergunta mais honesta que fiz a mim mesma nos últimos meses.
Porque o que mais dói não é o peso no corpo.
É o peso de não me reconhecer.
