Coleção pessoal de testeteste123
Hábito
O que o músico, o desenhista, o escritor, o artista, precisam aprender é assumir uma atitude. É se colocar numa postura de nada decorar memórias, de não acumular procedimentos. É começar, neste instante, o que os mestres descobrem no final das suas vidas. A segurança, a certeza que vem justamente do que estão fazendo. Fazer graciosamente é o suporte, e não o amontoar de vivências. A Vida pulsa agora, agarremos a sua cauda! A Arte é o que surge neste instante. O que devemos aprender é aprender como livrarmo-nos daquilo que aprendemos.
"Quantos anos eu tenho?
- Às vezes tenho 20, 30, 50.
- Às vezes tenho 2, 3 5.
Que me importa os números,
se eu vivo momentos?
- Viver não é tão somente uma contagem linear!"
Haredita Angel
29.04.25
A surpresa da tua presença inesperada me trouxe uma breve lembrança do gosto de estar perto de mim.
É curioso como eu sempre me perco no que sei, para encontrar o que realmente preciso descobrir.
Eu já tinha te visto, mas nunca tinha te encontrado.
Incapaz de decifrar o teu olhar, torço para que eu possa caminhar até você sem medo.
Mesmo que seja breve, eu quero sentir esse gosto de mim —
e, quem sabe, encontrar um vestígio do caminho de volta.
Entre toques disfarçados, sorrisos escondidos e a mentira da verdade,
eu senti algo.
Não sei o quê, mas algo que me trouxe o medo…
e aquela sensação de volta.
Analiso teus passos na minha mente enquanto minha confusão cresce.
Tua silhueta me chama.
Eu tento não perder meus sentidos,
mas vejo teu disfarce —
e torço para que você decifre o meu.
Para que então eu possa atravessar nossa linha,
mesmo que às vezes pareça que não há nenhuma.
Quem sabe ela só exista na nossa cabeça.
Me ajuda a te entender…
o que queres que eu faça?
( ..legra )
DIVAGAÇÃO DA POESIA
(O Despertar do Poeta)
Contemplo o anoitecer
e a vejo sempre ali…
fulgente, a lua minguante,
naquele vaivém como uma
gangorra; as estrelas
cintilantes fazem algazarra
num torpor pueril e brincam
com ela no céu…
As demais, sorridentes e
arfantes, dançam graciosas
com fadas e querubins, feitos
num esboço colorido e vibrante
em pedacinhos de papel…
Sinto-mecativo e emoldurado,
onde o vazio permeia meu espírito
num rebuliço de ideias…
Ou será apenas a ribalta
de um cenário infante?
Onde estão as palavras? Onde
está a poesia que emoldurava
a minha mente?
E o papel pergaminho, onde eu
fazia manuscritos soltos e os
soprava pelo caminho?
Onde andará a minha inspiração?
Serei eu umlírico solitário, orbitando
dentro de mim mesmo, nessa fugaz
divagação?
Ouço, agora, o tique-taque do relógio,
do tempo que me desperta desse
instante…
Onde, mais uma vez, o meu sonho
élúcido e eloquente.
Lu Lena / 2026
Repentinamente tenho sentido muita saudade, de forma que meu interior arde em meio a murmúrios de lamento, em meio ao sentimento de não pertencimento, em meio a metade de alguém que se foi que ainda resta em mim.
Na metade de ti, que se sobrepôs sob mim como minha segunda pele, que na mesma medida que me orgulha, também me fere.
Sob a metade de uma risada que ecoa na face de alguém que já fora tão presente mas hoje se tornou saudade.
As vezes agradeço por sentir saudades, mesmo sendo sufocada por laços imaginários e afetos não dados, as vezes sorrio de canto ao lembrar de alguém com quem não falo mais. As vezes gargalho ao lembrar da forma singular a qual uma memoria especifica inunda meus sentidos repentinamente.
Por enquanto, sinto saudade.
Mas sei que amanhã também sentirei, sei que depois de amanhã demorarei três minutos a mais para dormir pensando em alguém que falsamente me acostumei com a ausência. Também sei que ainda engano eu mesma, ainda que sem querer, sobre a saudade.
Repentinamente ignorarei que tudo isto que vivo e sinto, um dia também acabe, e mais repentinamente ainda, voltarei a sussurrar pelos cantos lembrando de quem nunca vai embora verdadeiramente. De repente, sentirei aquele amargor descendo pela garganta e saberei que paguei o preço por não saber esquecer.
Ironicamente me sinto sortuda por sentir saudades, ainda que com o peito doendo e os dedos trêmulos, me sinto privilegiada por lembrar, viver e recordar. Seria ainda mais trágico experimentar, sorrir, chorar e nunca mais poder refletir. Nunca mais relembrar onde errei e poder evoluir, agradeço a saudade por me lembrar de lugares que não quero mais ir. Agradeço a saudade por me matar por dentro e reviver minha alma ao mesmo tempo.
Contudo, recordo-me também que a saudade é o azar de quem já teve muita sorte um dia. E a maldição que os mais apaixonantes e entusiastas da vida estão fardados a carregar. Os mais ordinários sentimentos que possuímos ainda possuem a errônea capacidade de nós fazer sentir saudade.
Subitamente, em meio a mais um devaneio ao céu estrelado de saudades, imagino o sentimento como uma bagagem de avião pesada demais- mas que ainda permite o voo, ainda te ajuda a se projetar a outro lugar, mesmo que doa suas costas.
O pior cego é aquele que pode ver, mas escolhe não ver. Nenhuma ilusão é tão perigosa quanto a que se abraça por vontade própria.
O maior problema do Brasil não é a corrupção em si. É o povo que defende líderes corruptos e aceita tudo de forma alienada, o que revela que a coisa é muito mais séria e profunda do que parece.
A família é o primeiro alvo porque é a base de tudo. Dissolva esse conceito e o governo ganha campo livre para educar as crianças a seu favor e fabricar militantes.
Nenhum governo resolve tudo, isso é fato. Mas há os que fazem o mínimo, os que fazem mais e os que fazem história. O nosso tem feito história, só que pelos motivos errados.
Vivemos tempos estranhos: o que antes gerava vergonha, hoje vira bandeira. E o que merecia orgulho virou alvo de chacota e cancelamento.
Os lugares mais sombrios do inferno são reservados para quem escolhe o silêncio quando a situação exige coragem.
"Há momentos na vida da gente que a saudade dói, tal e qual, casca de ferida quando arrancada.
-A tristeza pensa em firmarmoradia;
-O mar quer desaguar inteiro pelos olhos;
-O peito aperta e o ar foge...
Mas, o bom é que Tudo Passa!
Tudo recomeça!
Tudo volta a florescer!"
Haredita Angel
20.04.25
Pois o guarda não empunha a espada apenas para o combate, mas para que o justo repouse em paz sob a sombra de sua vigília; serei a sentinela que não dorme enquanto a cidade descansa.
