Coleção pessoal de testeteste123
Sempre penso o quanto queria ter voltado no tempo. Fazer algo diferente, estudar mais matemática, anotar os números da loteria e até fazer um carinho a mais em minha cachorra.
Mas o que sempre me amarga, não foi deixar de dizer algo mas sim saber exatamente o que queria dizer.
Me preocupei tanto em não soar errada, caricata, exagerada, equivocada e todos os outros adjetivos negativos que minha mente consegue produzir assim que minha boca ameaça abrir, que esqueci que o importante não era soar certo ou eloquente e assertivo mas sim verdadeiro... Tudo que me era necessário era apenas dizer e me permitir sentir, fazer minha mente entender que não estou preso no casula dos sentimentos alheios
A vítima de abuso psicológico nem sempre tem marcas visíveis,
mas carrega feridas profundas na mente e no coração.
Vive confusa, duvidando de si, como se estivesse sempre errada.
Sua voz é silenciada aos poucos, até quase desaparecer.
E o mais doloroso… é perceber que estava sendo destruída em silêncio.
Helaine Machado
O afeto seguro nasce no simples: presença, escuta e acolhimento.
Quando alguém se torna abrigo, o sistema emocional desacelera.
É ali que a mente silencia e o corpo entende que pode relaxar.
O colo não é apenas físico — é conexão, é pertencimento.
Amar também é oferecer um lugar onde o outro possa existir sem medo.
E quando isso acontece, a alma finalmente descansa.
Helaine Machado
Talvez Culpar a Vítima seja a maneira mais Covarde que a Indignação Seletiva encontra para
passar pano
para a Injusta Agressão.
Porque é mais fácil distorcer a dor do outro do que encarar a própria omissão.
Mais confortável questionar a roupa, o horário, o comportamento — qualquer detalhe periférico — do que admitir que o problema mora, de fato, na mentalidade que Naturaliza o Desrespeito e Romantiza o Controle.
O Machismo Estrutural, muitas vezes, não grita — ele sussurra.
Ele se esconde em comentários “inofensivos”, em julgamentos disfarçados de conselho, em críticas que nunca recaem sobre quem agride, mas sempre sobre quem sofre.
É uma lógica bastante perversa: transforma a vítima em ré e absolve o agressor com a cumplicidade silenciosa de quem prefere não se indispor.
E assim, a indignação deixa de ser justiça e vira conveniência.
Escolhe lados não pela ética, mas pela identificação, pela ideologia, pelo conforto de não confrontar aquilo que exige mudança interna.
É seletiva porque não é sobre o que aconteceu — é sobre com quem aconteceu.
Mas toda vez que se culpa a vítima, reforça-se impreterivelmente o ciclo.
Toda vez que se relativiza a agressão, legitima-se sua repetição.
E toda vez que se silencia diante disso, constrói-se um ambiente onde o medo fala mais alto que a dignidade.
Romper com isso exige muito mais do que discursos à pronta entrega — exige coragem.
Coragem de reconhecer privilégios, de rever crenças e de se posicionar com firmeza mesmo quando é desconfortável.
Porque justiça de verdade não escolhe conveniência.
E respeito não admite exceções.
No fim, a pergunta que fica não é sobre o que a Vítima poderia ter feito diferente — mas sobre o que nós, enquanto sociedade, ainda insistimos em não mudar.
"Ausencietude"
Torna-se extremamente forçoso asseverar:
Ausência não é sinônimo de vazio.
Quem vai embora
deixa
sempre
um
pedaço.
Ficam vivências,
sentimentos dolorosos,
outros prazerosos,
que marcam de modo indelével
o coração daqueles que ficam
E dos que partem.
Destarte, há plenitude na ausência,
"ausencietude"!
Um mosaico de lembranças,
Amores, dores,
que salpicam nossa tábula rasa
tal qual um quadro de Pollock.
Por isso, saudade não é ausência
Nem mesmo vazio,
Mas sim,
Inexorável presença.
Nunca seremos satisfeitos neste mundo.
Será que, se eu comer todas as delícias deste mundo e tiver todos os prazeres que meu corpo pode proporcionar, poderei dizer que estou satisfeito com a vida e que já posso morrer em paz?
Será que, se eu conquistar todas as coisas que quero, tiver todo o dinheiro, conquistar todos os bens materiais e for o melhor profissional, com meus talentos em nível de alta performance e no ápice, poderei me sentir satisfeito com a vida e morrer em paz?
Será que, se eu for amado e amar as pessoas na minha vida, poderei estar satisfeito com a vida e morrer em paz?
A vontade do ser humano é infinita...
Dostoiévski tem uma frase que diz que existe um vazio dentro do ser humano do tamanho de Deus; nada neste mundo pode satisfazer a alma humana, sempre estaremos aqui insatisfeitos.
Como diz Santo Agostinho: "Fizeste-nos para Ti, e o nosso coração anda inquieto enquanto não repousa em Ti."
Não faz sentido, tudo aqui vai resultar na morte; talvez a morte não seja o fim, mas para que começar a existir neste mundo se, em pouco tempo, não vou mais existir nele?
Talvez não tenhamos sido feitos para sermos plenamente satisfeitos aqui — mas para buscar algo que transcende este mundo.
A Flor Efêmera
A vida é como uma delicada flor.
Desabrocha lindamente
com suas delicadas pétalas.
Contudo, logo murcham e caem,
pois a sina de toda beleza
é desvanecer.
Já que a vida é breve e fortuita
Carpe Diem!
Viva intensamente e deliciosamente,
pois não há tempo a perder.
Antes que suas pétalas caiam
e sirvam de adubo
Para novas flores.
Hábito
O que o músico, o desenhista, o escritor, o artista, precisam aprender é assumir uma atitude. É se colocar numa postura de nada decorar memórias, de não acumular procedimentos. É começar, neste instante, o que os mestres descobrem no final das suas vidas. A segurança, a certeza que vem justamente do que estão fazendo. Fazer graciosamente é o suporte, e não o amontoar de vivências. A Vida pulsa agora, agarremos a sua cauda! A Arte é o que surge neste instante. O que devemos aprender é aprender como livrarmo-nos daquilo que aprendemos.
"Quantos anos eu tenho?
- Às vezes tenho 20, 30, 50.
- Às vezes tenho 2, 3 5.
Que me importa os números,
se eu vivo momentos?
- Viver não é tão somente uma contagem linear!"
Haredita Angel
29.04.25
A surpresa da tua presença inesperada me trouxe uma breve lembrança do gosto de estar perto de mim.
É curioso como eu sempre me perco no que sei, para encontrar o que realmente preciso descobrir.
Eu já tinha te visto, mas nunca tinha te encontrado.
Incapaz de decifrar o teu olhar, torço para que eu possa caminhar até você sem medo.
Mesmo que seja breve, eu quero sentir esse gosto de mim —
e, quem sabe, encontrar um vestígio do caminho de volta.
Entre toques disfarçados, sorrisos escondidos e a mentira da verdade,
eu senti algo.
Não sei o quê, mas algo que me trouxe o medo…
e aquela sensação de volta.
Analiso teus passos na minha mente enquanto minha confusão cresce.
Tua silhueta me chama.
Eu tento não perder meus sentidos,
mas vejo teu disfarce —
e torço para que você decifre o meu.
Para que então eu possa atravessar nossa linha,
mesmo que às vezes pareça que não há nenhuma.
Quem sabe ela só exista na nossa cabeça.
Me ajuda a te entender…
o que queres que eu faça?
( ..legra )
DIVAGAÇÃO DA POESIA
(O Despertar do Poeta)
Contemplo o anoitecer
e a vejo sempre ali…
fulgente, a lua minguante,
naquele vaivém como uma
gangorra; as estrelas
cintilantes fazem algazarra
num torpor pueril e brincam
com ela no céu…
As demais, sorridentes e
arfantes, dançam graciosas
com fadas e querubins, feitos
num esboço colorido e vibrante
em pedacinhos de papel…
Sinto-mecativo e emoldurado,
onde o vazio permeia meu espírito
num rebuliço de ideias…
Ou será apenas a ribalta
de um cenário infante?
Onde estão as palavras? Onde
está a poesia que emoldurava
a minha mente?
E o papel pergaminho, onde eu
fazia manuscritos soltos e os
soprava pelo caminho?
Onde andará a minha inspiração?
Serei eu umlírico solitário, orbitando
dentro de mim mesmo, nessa fugaz
divagação?
Ouço, agora, o tique-taque do relógio,
do tempo que me desperta desse
instante…
Onde, mais uma vez, o meu sonho
élúcido e eloquente.
Lu Lena / 2026
Repentinamente tenho sentido muita saudade, de forma que meu interior arde em meio a murmúrios de lamento, em meio ao sentimento de não pertencimento, em meio a metade de alguém que se foi que ainda resta em mim.
Na metade de ti, que se sobrepôs sob mim como minha segunda pele, que na mesma medida que me orgulha, também me fere.
Sob a metade de uma risada que ecoa na face de alguém que já fora tão presente mas hoje se tornou saudade.
As vezes agradeço por sentir saudades, mesmo sendo sufocada por laços imaginários e afetos não dados, as vezes sorrio de canto ao lembrar de alguém com quem não falo mais. As vezes gargalho ao lembrar da forma singular a qual uma memoria especifica inunda meus sentidos repentinamente.
Por enquanto, sinto saudade.
Mas sei que amanhã também sentirei, sei que depois de amanhã demorarei três minutos a mais para dormir pensando em alguém que falsamente me acostumei com a ausência. Também sei que ainda engano eu mesma, ainda que sem querer, sobre a saudade.
Repentinamente ignorarei que tudo isto que vivo e sinto, um dia também acabe, e mais repentinamente ainda, voltarei a sussurrar pelos cantos lembrando de quem nunca vai embora verdadeiramente. De repente, sentirei aquele amargor descendo pela garganta e saberei que paguei o preço por não saber esquecer.
Ironicamente me sinto sortuda por sentir saudades, ainda que com o peito doendo e os dedos trêmulos, me sinto privilegiada por lembrar, viver e recordar. Seria ainda mais trágico experimentar, sorrir, chorar e nunca mais poder refletir. Nunca mais relembrar onde errei e poder evoluir, agradeço a saudade por me lembrar de lugares que não quero mais ir. Agradeço a saudade por me matar por dentro e reviver minha alma ao mesmo tempo.
Contudo, recordo-me também que a saudade é o azar de quem já teve muita sorte um dia. E a maldição que os mais apaixonantes e entusiastas da vida estão fardados a carregar. Os mais ordinários sentimentos que possuímos ainda possuem a errônea capacidade de nós fazer sentir saudade.
Subitamente, em meio a mais um devaneio ao céu estrelado de saudades, imagino o sentimento como uma bagagem de avião pesada demais- mas que ainda permite o voo, ainda te ajuda a se projetar a outro lugar, mesmo que doa suas costas.
O pior cego é aquele que pode ver, mas escolhe não ver. Nenhuma ilusão é tão perigosa quanto a que se abraça por vontade própria.
O maior problema do Brasil não é a corrupção em si. É o povo que defende líderes corruptos e aceita tudo de forma alienada, o que revela que a coisa é muito mais séria e profunda do que parece.
A família é o primeiro alvo porque é a base de tudo. Dissolva esse conceito e o governo ganha campo livre para educar as crianças a seu favor e fabricar militantes.
