Coleção pessoal de testeteste123
A agência emerge no instante em que a existência abandona
o papel de efeito
e ensaia autoria no mundo.
A hegemonia
atinge seu auge quando
o dominado internaliza o desejo de repetir a lógica que o limita.
A desigualdade se apresenta como acaso, mas se perpetua como (e com) uma engenharia refinada de privilégios.
21 de março — O Evangelho Cósmico
A gestação.
Ó nobre peregrina,
com os pés na terra
e a alma no céu,
aprendo em ti meu nome de ponte:
pontífice, EU SOU,
entre corpo e alma,
entre os ciclos
do livro da vida
onde o teu nome se cravou.
21 de março.
O analema não é só percurso:
é encontro,
ponto de interseção,
transmutação,
o X da questão.
No centro do oito,
as camadas finas se tocam.
Ó meu nobre amor,
os opostos se encontram:
subir e descer,
céu e terra,
espírito e matéria,
visível e invisível.
No equinócio de outono,
céu e terra se casam.
O alto beija o chão.
E ali,
no silêncio exato da travessia,
o invisível vira semente.
O que desce não desaparece:
encarna.
O que some na terra
não morre apenas:
germina.
Na raiz da consciência,
há uma gestação secreta
no ventre da estação.
A terra recolhe,
guarda,
amadurece no escuro
aquilo que será luz.
De equinócio a solstício,
a Terra concebe e dá à luz.
O que fecunda em março
nasce em dezembro.
É o evangelho cósmico
escrito no corpo da Terra.
E então a humanidade reluz,
e um novo caminho
à luz a conduz.
Às vezes, estamos tão longe de nós que só conseguimos nos ver com binóculos - o que, ainda assim, tá ótimo. Pior, e muito pior, seria que nem com binóculos.
A estilística
é a pele intelectual do sujeito,
o modo singular como uma consciência aprende a habitar
a linguagem.
A retórica pode erguer uma liberdade verbal ou refiná-la em
instrumento de domesticação;
tudo depende
da ética de quem a maneja.
A sintaxe dispõe as palavras,
mas também disciplina
o fluxo do pensamento
e distribui o lugar de cada sentido.
Não me chame de covarde se me ver desistindo, ninguém sabe quantas vezes eu tentei, só se entra em uma porta se ela estiver aberta ou tivermos a chave...
A semântica é um
território de disputa;
quem nomeia, organiza o mundo
e, em certa medida,
administra a realidade.
Somos observados todo o tempo, sejamos mais exemplos positivos... Que a nossa pior versão nunca seja a nossa maior marca.
Todo mundo pode fazer o que quiser, mas não aceitar é um direito seu, tudo que é contra seus princípios rouba a sua essência e sem ela somos cascas vazias...
Formulações elegantes, pensamentos rarefeitos:
eis o velho luxo da retórica
quando o conceito se ausenta.
Na enunciação, o sujeito sempre entrega mais do que pretende;
a máscara verbal, por vezes,
revela a anatomia íntima
de quem fala.
