Coleção pessoal de testeteste123
Não
há
Crime Grave
o bastante para relativizar outro.
Em tempos de tantas justificativas vazias e malabarismos morais, parece que a régua da ética se elastificou — estica conforme a conveniência de quem julga, de quem fala, quiçá de quem tenta se eximir.
Como se a existência de um erro maior tivesse o poder mágico e poético de diminuir ou até absolver um erro menor.
Mas definitivamente não tem.
Um crime não anula o outro.
Não o equilibra.
Nem o compensa.
Apenas revela o quanto estamos dispostos a negociar princípios quando eles deixam de nos favorecer.
É o velho impulso de apontar o dedo com uma mão enquanto a outra esconde aquilo que não queremos ver.
Relativizar o erro alheio com base em um erro maior é, no fundo, uma forma forçosamente elegante de aceitar o inaceitável.
É transformar justiça em comparação, quando deveria ser compromisso.
É escolher lados quando o certo seria escolher valores.
A lógica da compensação moral é sedutora porque alivia consciências.
“Perto daquilo, isso nem é tão grave.”
E assim, aos poucos, vamos rebaixando o que deveria ser inegociável.
Vamos nos acostumando com pequenas concessões que, somadas, constroem grandes e medonhas distorções.
O problema nunca foi apenas o tamanho do crime, mas a disposição em aceitá-lo quando convém.
Porque quando a indignação depende de contexto, ela deixa de ser princípio e passa a ser estratégia.
E é nesse ponto que tudo se fragiliza, tudo se perde.
Quando começamos a pesar erros em balanças seletivas, já não estamos mais buscando justiça — estamos apenas escolhendo qual incoerência, qual injustiça estamos dispostos a defender.
No fim, não é sobre quem errou mais nem menos.
É sobre quem ainda se recusa a tratar o erro como erro, independentemente de quem o cometeu e como cometeu.
O mau-caratismo dos nossos parlamentares-influencers é tamanho que já nem se constrangem em tentar confundir ainda mais a boa e caprichosa parcela de confusos que os sustentam.
Temem reformar ou criar leis para não serem alcançados por elas.
E, nesse medo, moldam discursos, distorcem fatos e vendem narrativas como quem vende alívio imediato — ainda que o preço seja a lucidez coletiva.
Se algo cobra proteção, certamente está sendo agredido.
Não há urgência sem ferida, não há clamor sem dor.
A necessidade de amparo denuncia, por si só, a existência de um desequilíbrio que alguém insiste em ignorar — ou pior, em manter.
O absurdo é ter que criminalizar algo que nem era para existir.
É reconhecer, em forma de lei, a falha ética que já deveria ter sido superada pela consciência.
Quando o óbvio precisa virar norma, é porque o básico deixou de ser princípio.
E talvez o mais perigoso disso tudo já não seja a ação dos que distorcem, mas a passividade dos que, confusos, já não conseguem distinguir proteção de privilégio, justiça de conveniência, liberdade de expressão de discurso de ódio e verdade de espetáculo.
O tempo passa, sim.
E não pede licença.
Ele desgasta o toque,
apaga o costume,
e transforma presença
em lembrança mal resolvida.
A intimidade, que um dia foi abrigo,
vira território estranho —
onde dois corpos se reconhecem,
mas já não se encontram.
Porque o tempo, quando não é cuidado,
não cura…
ele afasta.
A Inteligência Artificial em meu singelo modo de interpretar as coisas, nada mais é do que a lógica sistematizada em movimento esvaziada de sentimento travestido de emoção.
Conheci alguém que era como uma estrela, me iluminava, encatava meus olhos e aquecida meu peito.
Agora que ela se foi sou um planeta perdido vagando pelo espaço, frio, escuro e sem rumo.
O medo da morte
Antes a morte não me causava angústia, não ligava pra quando muito menos de qual maneira.
Depois que você apareceu na minha vida, que eu tomei conhecimento de que nesse mundo tu estás..
Agora a morte me causa angústia, medo de viver pouco e talvez não aproveitar algo nesse mundo o qual tu faz parte.
Isso era antes, agora tanto faz, a morte já é algo esperado as vezes até anseio por sua chegada...
Culpar a vítima é o jeitinho mais covarde que um covarde encontra para passar pano para o outro.
Porque exige muito menos coragem apontar o dedo para quem já está ferido do que confrontar quem causou a ferida.
É uma inversão confortável: desloca o peso da responsabilidade, alivia consciências e preserva estruturas que jamais sobreviveriam se fossem encaradas com honestidade.
No fundo, culpar a vítima é também uma tentativa de manter a ilusão de controle.
É como se, ao dizer “ela provocou”, “ele procurou”, “poderia ter evitado”, criássemos uma falsa sensação de que o mundo é justo — e que, agindo “certo”, estaremos imunes.
Mas essa lógica não protege ninguém, apenas silencia quem mais precisa ser ouvido.
Há também um componente de cumplicidade disfarçada.
Quando alguém relativiza a dor alheia, não está apenas emitindo opinião — está, consciente ou não, ajudando a normalizar o comportamento de quem causou o dano.
E toda normalização é um terreno fértil para repetição.
Encarar a verdade exige desconforto.
Exige reconhecer que o erro está onde dói admitir, que a violência muitas vezes vem de onde se esperava proteção, e que o mundo não é tão equilibrado quanto gostaríamos.
Por isso, tantos preferem o atalho da covardia: culpar quem sofreu.
Mas nenhuma sociedade amadurece enquanto insiste em punir a vítima duas vezes — primeiro pelo que sofreu, depois pelo julgamento que recebe.
E talvez o verdadeiro teste de caráter não esteja em nunca errar, mas em escolher, diante do erro dos outros, não se tornar cúmplice dele.
que eu suporte mais você
ter amigo não é querer
um luxo dado a pobre
de graça, ainda esnobe
odeio a forma de pensar
sua tentativa de me olhar
me fez querer me fechar
cruzar os olhos e cegar
mas se fosse por querer
teria o meu porquê
em tudo que vive em lama
é o ego que mais engana
vamos ser amigos só aqui
nessa vida, tudo vai vir
te odeio de paixão, amigo
com você, não preciso de inimigo.
No início, nada parecia fazer sentido. As paredes respiravam silêncio, as janelas guardavam ventos antigos e o chão, sem pressa, recolhia sombras como quem cole uma memória perdida. Havia um rumor sem origem, um eco suspenso, e no centro desse estranho equilíbrio caminhava o tempo, o Cronos, com seus pés invisíveis, costurando instantes sobre a carne do mundo.
Tudo era confuso apenas para os olhos apressados. Porque o caos, quando visto de perto, parece ruína; mas, quando atravessado pela alma, revela desenho. O Cronos não destruía: lapidava. Tirava nomes, mudava formas, envelhecia certezas, para que o essencial pudesse emergir sem ornamento. Era ele quem partia as horas para que delas nascessem sentido, saudade, retorno e transformação.
Então compreendi que o início não era ausência de lógica, mas excesso de mistério. Nada parecia encaixar porque tudo estava vivo demais, pulsando antes da forma. E o maior sentido estava justamente nisso: no invisível alinhamento entre perda e descoberta, entre demora e revelação, entre o que termina em nós e o que, pelo tempo, finalmente começa. Como rio secreto, Cronos sorria no escuro, sabendo que cada desencontro também era destino antigo.
"Ninguém cresce sozinho. Se você tem condições de ajudar e ignora, você é cúmplice da estagnação do outro."
"O 'não' que você dá sem necessidade pode ser o peso que faz o outro acreditar que não é capaz. Sejamos cura, não ferida."
"Quando você deixa de comprar ou apoiar quem está começando, você não economiza dinheiro, você gasta a esperança de alguém."
CICLO DA RAZÃO (III — Razão)
Agilson Cerqueira
E então surge a razão.
Não como pedra fria,
nem como montanha isolada,
mas como um horizonte
que se abre no pensamento.
Ela ilumina o que foi sentido,
revela o que foi pensado,
e costura o mundo
à consciência.
Na razão,
as coisas encontram forma,
e o pensamento encontra direção.
O ser humano percebe
que compreender
é também uma maneira
de tocar o infinito.
Pois cada ideia
é uma ponte invisível
lançada entre o eu
e o universo.
E assim,
o mundo continua
a nascer todo dia
com sentidos, mente e razão.
Vida!
"Um pequeno incentivo seu pode ser o combustível que evita uma desistência. Não seja o motivo do cansaço de ninguém."
"Negar ajuda a quem luta é plantar um deserto no sonho do próximo. Reflita: você está sendo ponte ou barreira?"
CICLO DA RAZÃO (II — Intelecto)
Agilson Cerqueira
Então a mente começa
seu trabalho secreto.
Recolhe os vestígios do mundo
trazidos pelos sentidos
como quem junta estrelas caídas.
Entre o sentir e o perguntar
nasce o intelecto.
Ele separa o caos,
ordena a luz,
traça caminhos invisíveis
no território das ideias.
Das sensações ele faz pensamento.
Do instante ele faz memória.
Do encontro ele faz pergunta.
E assim, lentamente,
o universo exterior
ganha morada
dentro da mente.
Mas sem o sopro da experiência,
sem o fogo dos sentidos,
seria apenas
um vazio.
