Coleção pessoal de testeteste123

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​O Vazio Suspenso
​De repente, o ar vira chumbo e os pensamentos se tornam avalanche.
Habito a fronteira exata entre o caos e a ausência.
A crise invade sem pedir licença: o peito colapsa, o mundo se complica em segundos e a mente vira vórtice.
É o passado que ressurge, desenterrando memórias sepultadas apenas para me assombrar.
​Para sobreviver ao terror que ninguém vê, quando a pressão interna ameaça me desintegrar, eu fujo para dentro.
Arquitetei uma porta secreta na minha própria cabeça; furei uma fenda no meu consciente.
​Cruzar essa brecha é o meu único refúgio.
Um cômodo de brancura estéril, um espaço de brancura absoluta e vazio suspenso.
Onde não há som, peso, tempo ou julgamento.
Flutuo no nada apenas para não ter que ruir do lado de fora.
Enfim imune à dor da minha própria existência neste terror infinito.


​___ John Rabello de Carvalho


@j.rabello.c_888oficial


#jrabellodecarvalho

a vida de um pensador excessivo nunca vai estar em silencio.

catching lightning


Eles não avisam quando vem.


Você pode passar uma vida inteira olhando para o céu e nunca estar no lugar certo, na hora certa, com os olhos voltados para cima. Pode ouvir trovões de longe, assistir tempestades pela janela, ver o céu se partir em luz durante alguns segundos e ainda assim nunca tocar naquilo. Porque ser atingido por um raio não é apenas difícil. É quase absurdo.


E talvez seja por isso que algumas pessoas parecem tempestades.


Elas chegam sem pedir licença, iluminam alguma coisa dentro da gente que estava há muito tempo no escuro e, quando a gente percebe, já não sabe mais se estava procurando por elas ou se apenas teve a sorte improvável de estar olhando para o céu no instante certo.


Foi assim que algumas histórias começaram.


Não com grandes promessas. Não com a certeza de que durariam para sempre. Às vezes começaram apenas com dois desconhecidos em uma festa aleatória, numa química absurda descobrindo que conseguiam conversar por horas, rir das mesmas coisas, encontrar abrigo um no outro e, sem perceber, transformar dias comuns em lembranças que o tempo teria dificuldade de apagar.


E então veio a parte que ninguém conta nas histórias de amor.


O futuro.


Porque amar alguém enquanto tudo está dando certo é quase fácil. Difícil é continuar acreditando quando a vida começa a colocar quilômetros, silêncio, mudanças e versões diferentes de vocês mesmos no caminho.


É aí que a dança começa.


Não aquela dança perfeita dos filmes, em que ninguém erra o passo e os dois sabem exatamente para onde ir.


A verdadeira.


Aquela em que um avança enquanto o outro hesita.


Em que às vezes alguém pisa no pé.


Em que uma mão se solta por alguns segundos e, ainda assim, existe alguma coisa dentro dos dois procurando o caminho de volta.


Então te pergunto


“Can I have this dance?”


Nunca foi apenas sobre uma dança.


É quase como perguntar


Você ainda segura minha mão mesmo sem saber onde isso termina?


Você ainda confia em mim quando a música muda?


Se eu tropeçar, você fica?


E talvez a resposta mais bonita não seja uma promessa de eternidade.


Talvez seja simplesmente:


eu não sei.


Mas ainda quero dançar.


Porque ninguém sabe.


Ninguém que ama de verdade recebe um mapa mostrando onde aquela história vai terminar. Não existe garantia de que duas pessoas permanecerão iguais enquanto a vida acontece ao redor delas. Não existe contrato contra a distância, contra o tempo, contra os erros ou contra aquilo que cada um ainda precisa aprender sozinho.


Existe apenas a escolha de continuar dando um passo.


Depois outro.


E outro.


Até perceber que, de alguma maneira, os dois já atravessaram uma parte enorme da música.


Talvez por isso encontrar alguém seja tão raro.


Não raro como encontrar alguém bonito.


Não raro como encontrar alguém que goste das mesmas músicas, tenha os mesmos planos ou consiga preencher perfeitamente os espaços vazios.


Raro como um raio.


Porque existem bilhões de pessoas.


Milhares de encontros possíveis.


Centenas de histórias que poderiam ter acontecido.


E, entre todas essas possibilidades, duas pessoas específicas precisam nascer na mesmo época(4 ANOS NÃO É NADA), cruzar os mesmos caminhos, dizer certas palavras, estar disponíveis naquele instante, olhar uma para a outra de determinada maneira e reconhecer alguma coisa que talvez nem saibam explicar.


A probabilidade de ser atingido por um raio é pequena.


Mas menor ainda talvez seja a chance de encontrar alguém que, depois de tudo, ainda consiga fazer você olhar para trás e pensar


“Como é que, entre tanta gente no mundo, foi justamente você?”


E é aí que a história deixa de parecer coincidência.


Não porque o destino tenha garantido um final.


Mas porque algumas pessoas são importantes demais para serem explicadas apenas pela estatística.


Talvez algumas apareçam para ficar.


Talvez outras apareçam para ensinar.


Talvez algumas precisem ir embora para que a gente compreenda o tamanho do espaço que ocupavam.


E talvez existam aquelas histórias que não cabem em nenhuma dessas categorias.


Histórias que terminam sem realmente parecer terminadas.


Que continuam existindo em pequenas coisas: uma música, uma lembrança, uma frase, uma cidade distante, uma noite qualquer em que o passado bate a porta sem avisar, você sabe que eu não mordo, né?


E então a gente entende que o tempo não apaga tudo.


Às vezes ele apenas muda a maneira como carregamos.


Eu não sei onde essa música termina.


Talvez ninguém saiba.


Mas existe alguma beleza em admitir isso.


Porque talvez amar alguém nunca tenha sido sobre saber se chegaremos ao último acorde.


Talvez tenha sido sobre olhar para a pessoa ao lado, estender a mão e perguntar novamente, mesmo depois de tudo:


“Can I have this dance?”


E se ela aceitar, não importa quantos passos já foram errados.


Não importa quantas vezes a música tenha parado.


Não importa quantos quilômetros existam entre um lugar e outro.


A gente começa de novo.


Devagar.


Sem prometer que nunca vamos cair.


Apenas lembrando que, quando duas pessoas realmente querem continuar dançando, elas não precisam conhecer o próximo passo.


Precisam apenas confiar que, quando ele chegar, haverá uma mão esperando pela outra.


E talvez seja isso que torna algumas histórias tão improváveis.


Não o fato de terem acontecido.


Mas o fato de, entre todos os raios que poderiam nunca ter caído, um ter escolhido exatamente aquele pedaço do céu.

​"Muitas vezes, sem aviso, o chão cede. O ar me falta, os pensamentos aceleram a mil por hora e a realidade se retorce, tornando tudo mais denso do que já é. Memórias antigas, esquecidas, emergem do escuro como sombras. Quando o terror se torna insuportável, eu furo uma brecha na minha própria mente e me escondo lá dentro -- em um refúgio totalmente branco e silencioso, flutuando como uma nuvem, onde o mundo não pode me alcançar."


John Rabello de Carvalho


@j.rabello.c_888oficial


#j.rabellodecarvalho

​"Nas tempestades em que o ar me falta e a mente transborda, eu me torno um fantasma no meu próprio santuário branco: um lugar onde o vazio é o único abraço que não me sufoca."

"Quando o peso das memórias e o caos do mundo aceleram o meu peito, eu me encolho para dentro da minha própria cabeça -- flutuando como nuvem no vazio claro, onde o meu terror se cala para que ninguém o veja."

"Existo entre dois mundos: o exterior, onde finjo a calmaria enquanto o ar me falta, e o abismo interior, um refúgio de brancura estéril onde me escondo de tudo, inclusive de mim."

Eu queria ser como você
Um pequeno tolo a ser
Está dança não é para dois
Mas você continua a se mover
A tintura com a chuva se expurga
Escorre para longe, e mais longe
Continuas, esturga
Até não saber mais onde

A Mulher da Mão Grande

No segundo ano primário, em 1955, eu estava muito mal na escola. Tinha muitas dificuldades com letras e números. Só notas baixas.

Naquela época — não sei se ainda é assim hoje — os alunos tinham que levar o boletim para casa, mostrar para os pais, recolher a assinatura e devolvê-lo para a professora. Era assim que os pais acompanhavam a vida escolar dos filhos.

No meu caso específico, quem cuidava dessa parte era minha irmã. Era ela quem assinava o boletim. Para piorar a situação, trabalhava no Grupo Escolar Carmela Dutra e me controlava no dia a dia também.

Num determinado mês, a coisa, que já estava ruim para o meu lado, ficou pior. Meu boletim vermelhou de vez.

Aí tive uma ideia brilhante.

Transformei tudo que era três em oito. Bem fácil. E os quatro viraram nove. Fácil também. Só que as notas continuaram vermelhas, infelizmente.

Esperei minha irmã ficar ocupada com os afazeres da casa e, no momento certo, pedi para ela assinar o boletim. Ela nem percebeu a besteira que eu tinha feito.

No dia seguinte, cheguei à classe e coloquei o boletim sobre a mesa da professora.

Depois de um tempo, ela me olhou, pegou o boletim e saiu da sala. Voltou acompanhada da diretora e da minha irmã.

Fui guinchado, literalmente, pelas orelhas. A diretora de um lado e minha querida irmã do outro. Levaram-me até a sala da diretora.

Depois de confessado o crime, veio o veredito.

A diretora, uma mulher com a mão maior que a minha cabeça, parecendo um pão caseiro, desferiu um tapa na minha cara com tanta força que, mesmo passados todos esses anos, ainda sinto o impacto da bofetada.

As lágrimas molharam o piso da sala.

Depois do castigo físico, veio o psicológico: tive que ficar grudado na parede, exposto para que as outras crianças me vissem.

Mas existe a lei do retorno. Ou pelo menos eu gosto de acreditar que existe.

Meu pai, um homem abrutalhado e pouco dado a conversas com os filhos, vez ou outra contava algumas histórias. A maioria delas era de fantasmas.

Naquele momento de sofrimento físico e psicológico, lembrei-me de uma delas.

Ele falava de uma "reza brava" que conhecia. Era tão perigosa que não podia ser rezada diante de um espelho. Podia dar um revertério e virar contra quem a rezasse.

Segundo ele, aquela oração espantava todos os tipos de assombração: mula-sem-cabeça, Saci-Pererê, Boitatá. Também matava cobra venenosa, curava cachorro louco, amansava cavalo xucro e mais um monte de coisas.

Naquele instante, tudo o que eu desejava era saber aquela reza.

Queria fulminar aquela mulher da mão grande e, de lambuja, a minha irmã também.

Mas o que fazer?

Eu não sabia a oração. Meu pai nunca a ensinou aos filhos.

Então tentei outras rezas domésticas, improvisadas mesmo, implorando às entidades que castigassem aquela mulher.

Nada.

Ela entrava e saía da sala, olhava para mim, ria da minha situação e comentava o caso com as outras professoras. E elas riam também.

Algumas até diziam que o castigo deveria ter sido maior.

O tempo passou.

Repeti de ano.

E eis que a lei do retorno resolveu trabalhar.

Aconteceu uma tragédia na cidade.

Os sinos da igreja ficaram mudos.

O padre desapareceu.

E eu nunca mais vi a mulher da mão grande.

A mulher da mão de pão caseiro.

⁠O que sabemos é uma gota; o que ignoramos é um oceano.
sfj,aforismos 8

"Há dias em que acordamos muito motivados, e outros não. Dias em que queremos ver a luz do sol e a beleza da vida; outros em que preferimos ficar mais a sós, calados e pensativos. Não sei como está sendo o seu dia hoje, mas confie: vai dar tudo certo. Coisas boas acontecem para aqueles que não desistem de lutar."

⁠Na aurora da vida, trabalha; no meio, dá conselhos; no fim, ora.
sfj,aforismos vol. 8

Enquanto houver esperança, sempre existirá um novo caminho para seguir.

⁠O trabalho não é nenhuma desgraça. Só há uma desgraça: a ociosidade.
sfj,aforismos vol.8

Me encantam almas bonitas.
Daquelas que sabem ver beleza onde a vida ainda floresce.

A democracia de Aristóteles está na China.
A democracia de Platão está no Brasil.

A Melhor Mentira Ainda É a Verdade


Nas festividades do início dos anos setenta, acho que em 1972, eu e meu sobrinho estávamos regressando para São Paulo, depois de termos passado as festas em Santa Mariana, quando aconteceu esta história.


Naquela época, a rodovia até Avaré era de pista simples. Depois começava a Castelo Branco. Era comum a gente parar no último posto antes da CB para abastecer e fazer um lanche.


Naquele dia, ao nosso lado, parou outro Fusca. Dentro dele havia quatro meninas, jovens e muito bonitas. Começamos a jogar conversa fora e, depois de abastecer os carros, paramos num estacionamento ali mesmo no posto e fomos nos apresentando.


Um detalhe: no vidro traseiro do Fusca delas, atrás do banco do motorista, havia um papel colado com os nomes das quatro e uma mensagem desejando um feliz Ano-Novo.


Quando chegou a minha vez de me apresentar, disse que era estudante de engenharia. Meu sobrinho, estudante de medicina. Elas também foram se apresentando e contando quais cursos faziam, exceto uma delas.


Então perguntei:


— E você, como se chama?


Ela se aproximou do carro e apontou para o papel colado no vidro.


— Este é o meu apelido.


O problema era que, em vez de um nome, havia um desenho.


Uma desgraça de desenho que acabou com a nossa viagem.


Era um bicho estranho, completamente desconhecido para nós.


Depois de olharmos para o céu, chutarmos umas pedrinhas e fingirmos naturalidade diante daquele constrangimento, fomos nos afastando do carro delas. Antes, porém, tivemos que ouvir as quatro rachando de rir.


Pegamos a estrada sem sequer olhar para trás e fomos o resto da viagem tentando descobrir que criatura era aquela.


— Será que o apelido dela é Ripinha?


— Balaústra?


E lá vinham mais alguns palpites absurdos.


Passados alguns dias, finalmente descobrimos que aquele desenho nada mais era do que o símbolo do Pi (π). Traduzindo: aquele era o apelido dela.


Acho que ela devia se chamar Jupira e não gostava muito do nome.


Eu poderia ter contado esta história antes, mas precisava da anuência do Newton Roberto Gobis, meu sobrinho, um sujeito de bem com a vida e de quem gosto muito.


Claro que aquelas mentiras — eu estudante de engenharia e ele de medicina — foram apenas uma brincadeira de momento. Mas, diante da situação constrangedora que se criou, nem tivemos tempo de corrigir a burrice. E, para falar a verdade, não teria adiantado nada. Nós simplesmente não sabíamos o significado daquele "bicho". E, talvez, se insistíssemos, a situação ficasse ainda pior.

A dúvida é o caminho do conhecimento. É a jornada do PODER ser e fazer.

O Olhar que Simplifica a Caminhada


A vida pode ser um caminho cheio de espinhos ou uma trilha de belos aprendizados; tudo depende dos olhos com que escolhemos enxergar o mundo. Viver com suavidade é exercitar a gratidão pelas pequenas coisas, é aprender a relevar as pequenas ofensas e focar a nossa atenção naquilo que edifica. A nossa alma cresce quando decidimos não dar tamanho gigante aos problemas diários. Que a gente aprenda a caminhar pela Terra de passos leves, espalhando sementes de bem por onde passar, certos de que a verdadeira felicidade não é a ausência de dificuldades, mas a leveza que cultivamos dentro de nós

A falta é o caminho para a completude.