Coleção pessoal de testeteste123
"A renúncia por amor não nos faz perder, mas nos devolve ao que somos de verdade, seres feitos para a leveza, não para carregar espadas suspensas pelo fio do ego."
ESTA VIDA
Esta Vida
Um sábio me dizia: esta existência, não vale a angústia de viver. A ciência, se fôssemos eternos, num transporte de desespero inventaria a morte. Uma célula orgânica aparece no infinito do tempo. E vibra e cresce e se desdobra e estala num segundo. Homem, eis o que somos neste mundo.
Assim falou-me o sábio e eu comecei a ver dentro da própria morte, o encanto de morrer
Um monge me dizia: ó mocidade, és relâmpago ao pé da eternidade! Pensa: o tempo anda sempre e não repousa; esta vida não vale grande coisa. Uma mulher que chora, um berço a um canto; o riso, às vezes, quase sempre, um pranto. Depois o mundo, a luta que intimida, quadro círios acesos: eis a vida
Isto me disse o monge e eu continuei a ver dentro da própria morte, o encanto de morrer.
Um pobre me dizia: para o pobre a vida, é o pão e o andrajo vil que o cobre. Deus, eu não creio nesta fantasia. Deus me deu fome e sede a cada dia mas nunca me deu pão, nem me deu água. Deu-me a vergonha, a infâmia, a mágoa de andar de porta em porta, esfarrapado. Deu-me esta vida: um pão envenenado.
Assim falou-me o pobre e eu continuei a ver, dentro da própría morte, o encanto de morrer
Uma mulher me disse: vem comigo! Fecha os olhos e sonha, meu amigo. Sonha um lar, uma doce companheira que queiras muito e que também te queira. No telhado, um penacho de fumaça Cortinas muito brancas na vidraça Um canário que canta na gaiola. Que linda a vida lá por dentro rola!
GUILHERME DE ALMEIDA
Indiferença
Hoje, voltas-me o rosto, se ao teu lado passo. E eu, baixo os meus olhos se te avisto. E assim fazemos, como se com isto, pudéssemos varrer nosso passado.
Passo esquecido de te olhar, coitado! Vais, coitada, esquecida de que existo. Como se nunca me tivesses visto, como se eu sempre não te houvesse amado
Mas, se às vezes, sem querer nos entrevemos, se quando passo, teu olhar me alcança se meus olhos te alcançam quando vais.
Ah! Só Deus sabe! Só nós dois sabemos. Volta-nos sempre a pálida lembrança. Daqueles tempos que não voltam mais! Guilherme de Almeida
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Um sábio me dizia: esta existência, não vale a angústia de viver. A ciência, se fôssemos eternos, num transporte de desespero inventaria a morte. Uma célula orgânica aparece no infinito do tempo. E vibra e cresce
e se desdobra e estala num segundo.
Velocidade
Não se lembram do Gigante das Botas de Sete Léguas?
E
Lá vai ele: vai varando, no seu vôo de [asas cegas, as distâncias... dispara, nunca pára, nem repara para os lados, para frente, para trás...
Vai como um pária
RUA
A rua mastiga os homens: mandíbulas de asfalto, argamassa, cimento, pedra e aço.
A rua deglute os homens: e nutre com eles seu sôfrego, onívoro esôfago.
A rua digere os homens: mistério dos seus subterrâncos com cabos e canos.
A rua dejeta
os homens: o poeta,
agiota, o larápio,
bêbado e o sábio.
O Soneto da Noite
A noite chega,
A luz se nega,
O medo vem,
Não há ninguém.
O vento frio,
No som do rio,
Traz o temor,
De um velho horror.
A sombra invade,
Pela cidade,
Todo o clarão.
Só a memória,
Conta a história,
Na escuridão.
O Soneto da Hora
A hora passa,
A vida em massa,
O tempo voa,
A alma à toa.
O relógio bate,
O peito late,
No silêncio,
Do momento.
A sombra cresce,
O dia esquece,
De quem ficou.
Na escuridão,
Só o coração,
Que não parou.
O Soneto do Fim
A luz se apaga,
A sombra vaga,
O dia finda,
A alma ainda.
O tempo corre,
A vida morre,
No chão de pedra,
Onde o mal medra.
É o fim da lida,
Noite esquecida,
Sem mais alento.
Na escuridão,
O coração,
Vira só vento.
O Silêncio
A luz apaga
O sopro para
O corpo cansa
A alma lança
Um voo leve
Tão breve.
O frio chega
A vida nega
A terra chama
Quem tanto ama
Fica a saudade
A eternidade
A dor profunda
A paz inunda.
mas que exista
Raízes que sustentam
As raízes que nos sustentam, mesmo quando fortes, por vezes se rompem diante das lutas travadas para alcançar aquilo que almejamos. Para que cresçam firmes e consigam sustentar nossa base, é necessário cuidado constante. Nem sempre estamos atentos, nem sempre conseguimos superar os traumas – por isso, precisamos cultivar também momentos leves.
Nossos passos desenham nossos caminhos, e nossas lutas revelam nossos ideais. Para que nada seja capaz de nos derrubar, é preciso fortalecer o que nos sustenta, mantendo nossa base integra.
Raízes são a nossa estrutura. Somos como uma casa: no início, o concreto dá sustentação à fundação. Em nós, porém, são as raízes o elemento essencial dessa construção. É por meio delas que seguimos erguendo quem somos – fortes, resilientes e capazes de enfrentar as intempéries da vida.
Ao acordar pela manhã, lembrei de você.
Lembrei daquele sorriso lindo, daquele geito especial que vc me olhava.
Lembrei o quanto eu te amo
A influência das novelas e da internet corrompeu esta geração, criando a ilusão de que o valor de um homem está no que ele possui. A verdade é que só o homem é capaz de amar uma mulher pelo que ela é, e não pelo que ela tem.
O soneto da Tempestade
O céu desaba,
A luz se acaba,
Vem o trovão,
No coração.
O raio corta,
Bate na porta,
Traz o clarão,
Na escuridão.
O vento forte,
Lembra a morte,
Ruge no ar.
A chuva desce,
A alma prece,
Quer descansar.
Num cosmos de eterna evolução, a identidade se torna ilusão: sexualidade, religião e política não passam de formas de fanatismo, moldadas artificialmente.
Governo algum jamais agradou todo um povo, mas depois que a política-influencer temperou a polarização com a paixão, o mundo se cansou da própria complexidade.
Talvez porque a complexidade exija esforço — e esforço não viraliza.
Pensar com nuance, reconhecer contradições, sustentar dúvidas: tudo isso demanda um tipo de paciência que já não cabe mais nos intervalos acelerados de um feed.
Em vez disso, optamos por versões simplificadas da realidade, onde tudo se resolve em lados, rótulos e certezas prontas para consumo.
Tudo ou quase tudo que é do outro lado é reprovável.
A opinião contrária, que antes poderia ser um convite ao amadurecimento, passou a ser vista como afronta pessoal.
Não se debatem mais ideias, defende-se identidades.
E quando a identidade entra em cena, qualquer discordância soa como ataque — não ao argumento, mas à própria existência.
É assim que o diálogo se esvazia e dá lugar ao ruído.
A política, que já foi espaço de construção imperfeita, tornou-se espetáculo de convicções absolutas.
Não há mais espaço para o “talvez”, para o “depende”, para o “vamos ver”.
A dúvida virou fraqueza, e a certeza, mesmo quando rasa, virou virtude.
O resultado é um ambiente onde pensar virou um ato de resistência silenciosa.
No fundo, o cansaço do mundo não é da complexidade em si, mas da responsabilidade que ela nos cobra.
É mais confortável habitar narrativas prontas do que encarar a inquietação de não saber completamente.
Mas é justamente nessa inquietação que mora a possibilidade de evolução — individual e coletiva.
Talvez o verdadeiro gesto revolucionário dos nossos tempos não seja gritar mais alto, nem vencer debates, mas reaprender a escutar sem a urgência de refutar.
Porque, no fim das contas, a convivência não depende de unanimidade — depende de maturidade para lidar com o desacordo inevitável.
Quando te vejo assim, tudo o que eu queria era que esses segundos, minutos e horas durassem para sempre. Que um breve momento pudesse durar uma eternidade. Nesses instantes até me esqueço dos horrores do tempo, e em um surto de loucura, não me importaria de viver para sempre.
- Marcela Lobato
Tudo que acontece com você, físico ou sentimental, vai evoluir para algo, sempre, cabe a você determinar se o final será positivo ou negativo!
