Coleção pessoal de testeteste123
Noite do dia 20.
Eu dormi com a consciência pesada.
Você não dormiu, com o coração partido.
Eu a conquistei e a deixei.
Eu machuquei você, te furei com agulhas; te queimei com fósforos; fiz cortes em sua pele e joguei álcool por cima de cada uma dessas feridas.
Elas doiam tanto, sangravam tanto e você chorava mais um tanto.
Dor que não se esquece, saudade não desaparece.
Nas noites geladas; noites caladas, esse sentimento se fazia mais presente. As lágrimas mais realistas e os cortes mais ardentes.
Te feri com a minha confusão e indecisão.
Perdão.
Seu quarto era bagunçado, escuro e gelado. A porta sempre trancada e as janelas sempre escancaradas.
Bitucas de cigarro em sua escrivaninha, eram várias. Várias como as garrafas de bebida quebradas; vazias e espalhadas, como suas roupas todas jogadas.
Os olhos inchados; olheiras escuras; descabelada; roupa amarrotada; amassada; toda suada; lágrimas obviamente molhadas.
As janelas permanecem sempre abertas.
A ventania lá fora que agora bagunça tudo, só não tão bagunçada quanto sua mente e o asfalto, definitivamente não tão rachado quanto seu coração.
Tarde do dia 20, meses depois.
"Me ligue quando puder, se quiser. Saudades."
A HUMANIDADE MORRE EM SILÊNCIO
O bar estava quase vazio naquela quarta-feira.
Aquele tipo de noite em que até os bêbados pareciam cansados de suas próprias histórias.
Havia duas mesas ocupadas. Um homem sozinho perto da janela, mexendo no celular como se esperasse uma mensagem que nunca chegaria. No balcão, três sujeitos discutiam futebol, política e o mundo inteiro com a mesma certeza de quem nunca precisou consertar nada do que destruiu.
A televisão estava ligada sem som alto.
Era mais um noticiário.
Mais uma guerra.
Mais uma cidade destruída.
Mais uma fotografia de pessoas correndo com aquilo que conseguiram salvar da própria vida.
Ninguém levantou a cabeça.
Até que alguém comentou:
— O problema é que esse povo também procura confusão.
Foi dito com a tranquilidade de quem pede outra cerveja.
Outro respondeu:
— Cada um tem o governo que merece.
E todos continuaram bebendo.
Essa é uma das coisas mais estranhas que aprendi depois de certa idade.
O ser humano consegue assistir ao sofrimento de alguém enquanto termina o jantar.
Consegue condenar uma vítima que nunca conheceu.
Consegue transformar uma tragédia em opinião antes mesmo de tentar entender o que aconteceu.
A cidade não fede por causa do esgoto.
Isso seria simples demais.
A cidade fede quando a consciência começa a apodrecer sem fazer barulho.
Depois dos sessenta, você percebe algumas coisas.
Não porque ficou mais sábio.
Mas porque perdeu algumas ilusões.
O espelho começa a cobrar dívidas antigas.
Amigos viram fotografias.
Conversas que pareciam eternas acabam guardadas em algum lugar da memória.
Os cães que acompanhavam seus dias ficam apenas em lembranças.
Os lugares onde você gastou noites inteiras desaparecem, substituídos por farmácias, bancos e lojas iguais a todas as outras.
A vida continua.
Essa talvez seja a maior crueldade dela.
Ela não diminui o passo porque alguém foi embora.
O mundo amanhece no horário marcado.
O café continua quente.
Os boletos continuam chegando.
E nenhuma ausência parece grande o suficiente para interromper a rotina.
Mas naquela noite, olhando aquelas pessoas no bar, pensei que o problema nunca foram apenas os monstros.
Eles são poucos.
O problema sempre foi a multidão de pessoas comuns que olha para tudo e diz:
“Não é comigo.”
Essa frase já construiu mais tragédias do que muitos exércitos.
Porque a violência raramente começa com alguém puxando um gatilho.
Às vezes começa com alguém escolhendo não olhar.
A indiferença é confortável.
Ela senta na poltrona.
Liga a televisão.
Passa o dedo pela tela.
Olha uma criança ferida durante três segundos e depois procura um vídeo engraçado para esquecer.
Não porque seja cruel.
Pior.
Porque aprendeu a não sentir.
A alma não desaparece de uma vez.
Ela vai enferrujando.
Primeiro você deixa de sentir a dor do desconhecido.
Depois do velho abandonado.
Depois da mulher agredida.
Depois da criança que nasceu no lugar errado do mundo.
Até que um dia você percebe que também não sente mais a própria dor.
E chama isso de maturidade.
Como se ficar vazio fosse uma forma de crescer.
Passei muitos anos em bares.
Vi muita gente quebrada.
E aprendi uma coisa estranha.
Alguns bêbados eram mais honestos do que muitos homens respeitáveis.
Pelo menos eles sabiam que estavam perdidos.
Os outros escondiam a própria podridão atrás de roupas caras, frases bonitas e discursos sobre valores.
A verdadeira humanidade nunca apareceu quando alguém falou sobre bondade.
Apareceu quando a dor de um desconhecido tirou seu sono.
Quando uma notícia estragou seu café.
Quando você percebeu que aquela fotografia distante não era sobre “eles”.
Era sobre nós.
Porque essa é a parte que ninguém gosta de aceitar.
Nunca existiram eles.
Sempre fomos nós.
E quando essa verdade aparece, as desculpas acabam.
Não é mais a culpa do governo.
Não é mais a culpa de uma ideologia.
Não é mais a culpa do destino.
Sobra você.
Apenas você.
E uma escolha simples que quase todo mundo tenta evitar:
importar-se.
Não para parecer uma pessoa melhor.
Não para ganhar recompensa.
Não para contar aos outros que possui um coração.
Importar-se porque, no dia em que a dor do outro deixar de atravessar você, talvez continue andando pelas ruas, pagando contas e conversando normalmente...
Mas alguma coisa essencial já terá morrido.
E ninguém perceberá.
Porque a humanidade, diferente do corpo, não morre de uma vez.
Ela morre em silêncio.
Seu corpo se encaixa ao meu como se fôssemos uma só criação — pele, fogo e alma entrelaçados sem emenda. O toque é reconhecimento, o abraço é morada: onde você termina, eu começo, e juntos somos um só infinito. Nada mais existe além do calor que nos funde, do amor que nos faz inteiros, eternamente um no outro.
Como um vulcão, entrei em erupção cheia de desejo por você. O calor que eu guardava nas profundezas do meu ser finalmente encontrou uma saída, transbordando de forma incontrolável e ardente. Cada lembrança do seu toque e cada sussurro seu serviram como a faísca perfeita para essa explosão. A lava que escorre agora é pura paixão, derretendo qualquer barreira e qualquer hesitação que ainda existisse entre nós.
Quero me perder no incêndio que você provoca em mim. É uma vontade avassaladora de sentir a pele queimar e a respiração falhar enquanto nos consumimos, pele na pele, nesse fogo que não tem hora para apagar. Não há abrigo contra essa força da natureza; a única escolha é se entregar ao calor.
É um deleite absoluto sentir sua língua deslizando por cada curva minha, transformando o nosso desejo em um idioma que só nós dois entendemos.
Não há sensação mais inebriante do que o calor da sua língua desenhando caminhos pelo meu corpo, como se cada toque seu escrevesse uma poesia na minha pele.
No encontro das nossas metades, o tempo perde a pressa e o mundo silencia.
Não é apenas a paz de duas almas que se reconhecem, mas a febre de dois corpos que nasceram para colidir. No primeiro toque, a eletricidade acorda; na respiração dividida, o desejo se declara.
Somos o encaixe exato e voraz, onde o amor se escreve na linguagem da pele, do suor e dos suspiros. Uma entrega sem freios, um incêndio particular que queima a madrugada até desaguar na mais doce calmaria.
Ainda consigo sentir o calor do seu corpo e a intensidade do seu olhar sobre mim. Tem algo na maneira como você me toca que desperta todos os meus sentidos e me faz perder completamente a noção do tempo. Hoje, tudo o que eu mais quero é ter você por perto, sentir sua respiração no meu pescoço e deixar que as nossas mãos falem tudo aquilo que as palavras não dão conta de dizer. Estou contando os minutos para o nosso encontro, para me perder de novo em você e te mostrar o quanto o meu desejo por você só aumenta.
“Perseverança sem direção é apenas insistência; bons resultados surgem quando persistimos no caminho certo.” — Leonardo Azevedo.
A primeira vez que te vi, meu coração palpitava forte, senti minha pele transpirar e meu corpo vibrar de emoção. A primeira vez que te vi meus olhos te beijaram primeiro que minha boca e minha mente já se deleitava em ti antes mesmo de te tocar. A primeira vez que te vi corri para teus braços tal como um pássaro que voa para o seu ninho, ou como um rio que corre para o mar. Senti-me novamente como menino, me entreguei ao teu abraço, sem ter hora, momento, nem instante para voltar!
Gesto de doação
(Mauro 1Evaristo)
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Sequer precisa comentar com alguém
Pois a energia de uma boa ação
Repercute e volta também,
Faça o bem sem olhar a quem.
feradapoesia.blogspot.com
Sem saber quem é você,
Comigo tudo teu não
tem parado de mexer,
Sem explicação passaste
a ser parte do meu ser.
