Noite do dia 20. Eu dormi com a... manuuuzita

Noite do dia 20.


Eu dormi com a consciência pesada.


Você não dormiu, com o coração partido.


Eu a conquistei e a deixei.


Eu machuquei você, te furei com agulhas; te queimei com fósforos; fiz cortes em sua pele e joguei álcool por cima de cada uma dessas feridas.


Elas doiam tanto, sangravam tanto e você chorava mais um tanto.


Dor que não se esquece, saudade não desaparece.


Nas noites geladas; noites caladas, esse sentimento se fazia mais presente. As lágrimas mais realistas e os cortes mais ardentes.


Te feri com a minha confusão e indecisão.


Perdão.


Seu quarto era bagunçado, escuro e gelado. A porta sempre trancada e as janelas sempre escancaradas.


Bitucas de cigarro em sua escrivaninha, eram várias. Várias como as garrafas de bebida quebradas; vazias e espalhadas, como suas roupas todas jogadas.


Os olhos inchados; olheiras escuras; descabelada; roupa amarrotada; amassada; toda suada; lágrimas obviamente molhadas.


As janelas permanecem sempre abertas.


A ventania lá fora que agora bagunça tudo, só não tão bagunçada quanto sua mente e o asfalto, definitivamente não tão rachado quanto seu coração.


Tarde do dia 20, meses depois.


"Me ligue quando puder, se quiser. Saudades."