Coleção pessoal de testeteste123
Não confunda minha paciência e leveza com ignorância.
Vejo mais do digo e observo mais do que notam.
A caridade que anula a responsabilidade do outro não cura a sua dor, apenas adoece a sua própria liberdade.
Há um perigo enorme em entregar-se, fechar os olhos e andar de coração aberto.
Podemos ser atacados na leveza de pequenos gestos, palavras, ações.
E com os olhos vendados, ainda acreditarmos que a gente que falhou.
Viva de olhos vendados e coração aberto, mas a intuição ativa e a reação treinada vai te salvaguardar de ataques silenciosos e te livrar de culpas imputadas por meliantes costumeiros.
Seja inocente, mas jamais ignorante!
**Entre Dois Amigos**
Augusto olhava a noite pela janela com uma inquietação difícil de esconder. Havia em seu silêncio uma espécie de fadiga antiga, como se carregasse pensamentos que já haviam amadurecido demais dentro dele. Depois de alguns instantes, falou em voz baixa:
— Há uma coisa que me inquieta profundamente: a sensação de que nascemos para uma única forma de existência e passamos a vida inteira tentando negá-la.
Miguel não respondeu de imediato. Girava lentamente o copo entre os dedos, como quem mede o peso de uma ideia antes de pronunciá-la.
— Você fala da arte — disse, por fim.
Augusto manteve os olhos voltados para a rua vazia.
— Falo daquilo que somos quando não estamos tentando ser outra coisa.
O silêncio que se instalou não era desconfortável. Havia nele certa reverência, como se ambos reconhecessem que algumas reflexões exigem espaço antes de serem tocadas novamente.
Augusto prosseguiu:
— Talvez o grande problema seja esse desvio constante. Nascemos artistas, não apenas no sentido do ofício, mas na maneira de perceber o mundo. E, no entanto, passamos a vida tentando nos adaptar a papéis: marido, cidadão exemplar, homem comum, figura socialmente aceitável.
Miguel ergueu os olhos com atenção.
— E você acredita que isso seja um erro?
— Não exatamente um erro. Talvez uma incompatibilidade.
— Incompatibilidade com o quê?
— Com a própria essência.
Miguel recostou-se na cadeira.
— Mas ninguém vive completamente fora do mundo, Augusto.
— Vive, sim. Apenas paga o preço por isso.
— Que preço?
— A inadequação.
Miguel sorriu discretamente.
— Isso soa mais como orgulho do que filosofia.
Augusto negou com serenidade.
— Orgulho seria acreditar que somos superiores. Não é isso. Trata-se apenas de reconhecer que não nos encaixamos. E que, quando tentamos nos encaixar à força, alguma coisa em nós acaba se rompendo.
— E você nunca tentou viver como os outros?
Augusto soltou um riso breve, quase cansado.
— Tentei. Com disciplina, inclusive. Acreditei que bastava insistir, repetir hábitos, cumprir funções… como um ator aprendendo um papel.
— E o que aconteceu?
— Percebi que a vida, quando não é verdadeira, transforma-se num teatro sem plateia.
Miguel permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de responder:
— Talvez todos estejam representando. Alguns apenas têm mais consciência disso do que outros.
— A diferença — disse Augusto — é que certos homens sabem que jamais poderão sair do palco.
— E você se considera um deles?
Augusto desviou o olhar para a rua escura.
— Sei que não consigo viver longe daquilo que me constitui. Posso assumir compromissos, ocupar funções, simular normalidade… mas, em algum momento, tudo perde sentido.
— Então a arte é uma prisão?
— Não. É a única forma de liberdade que conheço. Mas exige tudo em troca.
Miguel assentiu lentamente, absorvendo aquelas palavras.
— E não existe conciliação possível?
— Existem tentativas.
— E fracassos?
— Quase sempre.
O silêncio voltou, agora mais denso e mais humano.
Depois de algum tempo, Miguel falou novamente:
— É curioso… o mundo espera que sejamos muitas coisas. E talvez sejamos, de fato. Mas você insiste que existe algo essencial que nos define.
Augusto voltou-se para ele com calma.
— Não insisto. Apenas reconheço.
— E quem não reconhece isso?
— Talvez viva melhor.
— E você prefere o quê?
Augusto demorou a responder.
— Prefiro a verdade, mesmo que ela me exclua.
Miguel pousou o copo sobre a mesa.
— Então não se trata de escolha.
— Nunca se tratou.
— Trata-se de condição?
— Exatamente.
Miguel respirou fundo antes de concluir:
— Nesse caso… talvez não sejamos artistas.
Augusto olhou para ele com uma serenidade quase melancólica.
— Somos aquilo que não conseguimos deixar de ser.
E, pela primeira vez naquela conversa, nenhum dos dois sentiu necessidade de acrescentar mais nada.
“Normalizem se esforçar para fazer dar certo. Encontrar defeitos para ir embora é fácil, maturidade é permanecer, ajustar, conversar e construir algo que faça sentido para os dois. Porque o amor verdadeiro não nasce pronto ele se fortalece na escolha diária de continuar.”
Quanto mais imóveis puder adquirir, mais tranquilidade terá no futuro. Desde de que, estes não sejam fardos em seu caminho.
Toda a melhoria feita no imóvel, quando feita em caráter de urgência evita ainda mais a desvalorização do imóvel e outras alterações; quando feitas em carácter estético e de conforto agregará valor ao imóvel.
Quando nos tornamos bebês, temos a opção de viver.
Quando nos tornamos jovens, temos a opção de sobreviver.
Quando nos tornamos adultos, temos a opção de morrer.
Diante do oceano que és,
como ave e livre poema,
sobrevoo com asas intensas
nas tuas regiões costeiras,
sem permitir que me vejas,
para abrigar-me nos manguezais
do teu consciente e inconsciente,
e ousar ser o pulmão e a respiração.
Súdita dos teus ensinamentos corajosos
que permanecem mesmo em fase
de maré bravia que a presença me priva,
a mente vira árvore e rochedo
onde o savacu-de-coroa se abriga.
Não apenas feita de algum sinal,
mas da raiz até a alma sambaquiana,
sob a proteção do Hemisfério Austral,
nas correntes da Baía da Babitonga,
pronta para com amor te tomar sem conta.
Porque reinar sob a glória do teu amor
a mim me destina com toda a honra
e pompa que sei que serei digna,
sob o teu olhar feito de fidalguia:
o desejo sedento, a adorável malícia,
e constelação que n'amplidão te ilumina.
O amor de verdade não nasce pronto; ele é o único sobrevivente de todas as tempestades que decidimos enfrentar juntos. Neste Dia dos Namorados, enquanto o mundo celebra os sorrisos fáceis e os jantares perfeitos, minha mente viaja para o avesso da nossa história, para as noites em que o silêncio pesava e o cansaço quase nos fez soltar as mãos. É muito fácil amar o sol, mas nós dois aprendemos o milagre de caminhar sob o temporal.Nossa maior vitória não foi a ausência de cicatrizes, mas a coragem de olhar para cada uma delas e enxergar um recomeço. Houve momentos em que o orgulho tentou ditar as regras, em que a distância parecia um abismo intransponível e o cansaço do cotidiano ameaçou apagar o brilho dos nossos primeiros dias. Contudo, o verdadeiro aprendizado veio quando entendemos que permanecer é uma escolha diária, um exercício de desarmar o peito e acolher a vulnerabilidade do outro.Superar não significa esquecer as falhas, mas ressignificar o choro. Lembro com nitidez daquela madrugada em que o mundo desabava lá fora e, em vez de defesas, encontramos o abraço. Ali, naquele exato instante de fragilidade absoluta, percebi que você não era apenas meu par, mas o meu porto mais seguro. Descobri que o afeto real reside nos gestos miúdos: no café preparado sem pressa, no olhar que decifra o medo antes mesmo de a palavra existir, na paciência mútua que cura as dores antigas.Hoje, quando olho nos teus olhos, não vejo a ilusão intocável dos romances de ficção, mas a beleza crua de uma construção humana, feita de perdão, lealdade e entrega. Sobrevivemos aos dias nublados e colhemos a calmaria que só o respeito mútuo consegue semear. Obrigado por não desistir quando o caminho ficou íngreme e por me mostrar que a felicidade habita na simplicidade de pertencer a alguém que também escolhe nos proteger. Meu coração encontrou morada eterna em você.
PACIÊNCIA
O coração é a caverna onde a realidade como semente se demora para aprender a ser relação.
*O Amor que se vai*
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Um coração sem amor não deixa rastros ou dor, iguala-se ao tempo escasso, quase sem tempo,
que passa depressa como o vento
lá fora, sem esperar.
Um mundo sem amor é como um
corpo sem vida, tendo no tempo,
o vazio da emoção. Desvanece,
esquece, ficando a razão.
Dentro, tudo quieto e calmo, sem cor,
quase parado, energia chega, alegria
se vai, como o sopro da tempestade,
que cai ecoando sons fortes, que leva
os medos junto aos raios.
Quando a primavera vem,
a natureza renova-se.
Novos ares, novos tempos,
levando as chuvas e os ventos,
nem tudo é calmaria.
As plantas, as flores, as cores e seus
perfumes, mostram-se, exalam-se, transformam-se, enchem-se novamente
de esperanças, os corações vazios,
adormecidos, de um sentimento qualquer.
Um coração que insiste sem amor,
endurecido fica, nem o Sol, nem a Lua,
nem o encantamento e calor não há.
Iguala-se ao vento do lado de fora.
Olha, bate, bate se debate na janela,
sem poder entrar.
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Ademilton Batista
Brasil Bahia Itabuna
Anos - 2013
Do Livro Vencendo o Tempo pg104
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*Poema premiado no Concurso Nacional de Novos Poetas Sarau
Brasil, em 2017, em livro impresso
Vencendo o Tempo *2020* e,
também, o primeiro trabalho do autor
Ademilton Batista a receber uma premiação nacional, estreando,
assim, as suas próximas participações e premiações em concursos, antologias e declamações pela America do Sul (Venezuela, Colômbia, Argentina e Chile), Europa, ( Italia, Espanha, Portugal) Ásia (Bangladesh, India), e, mais recente em 14/05/2026, foi declamado na Rádio FM, Frequência Mum No Programa Hora Mágica, na Cidade de Luanda, Angola, África,
para o mundo. Muito feliz com desempenho do Poema
*O Amor Que se Vai* ele cumpriu
fielmente o seu destino literário.
Quando a tarde organiza seus últimos argumentos a raiar no céu pássaros fragmentos, a opinião pública se mostra pragmática e cobra as horas do tempo arrastado no ardor do esquecimento de qualquer contratempo questionável. A tarde responde lânguida que são inefáveis os minutos da existência e é caro o azul celeste a se espraiar pelo ambiente. E mais tardam suas verdades existentes. Em aveludadas cores laranjadas o pôr do sol se despe do amarelo e reflete em águas a perder de íris. A alvíssima açucena se demora perene em lírios brancos convertidos na janela de paz que levo comigo. Nos meus olhos auríferos descortino a retina de um mar bravio e apascento as águas com o meu brilho a ensurdecer calafrios na lua imponente que esplendorosa doa seu brio. E desce uma noite fria sobre as de ramagens incertas e convalecem as insesatas flores do inverno. Navios partem e voltam, levam e trazem, e se julgam donos dos mares e das vidas exauridas de despedidas. E contumaz me desvio de desatinos desvios dos portos do meu destino. E há viventes que coadunam comigo, se lhes falo e me dão ouvidos, em suas escamas douradas que muito sabem das estradas. Deletério seria fingir que não vê e perder lagos elísios no enlevo sossego de quem já não se importa, pois que é inútil bater na porta de quem parte sem volta. No fulgor de um fausto tempo outras alegrias se diziam e voltavam comigo a rir e sorver o dia como quem escreve uma poesia no imarcescível interstício de uma flauta suave a acalentar os versos no impoluto momento de se desfazer e deixar a semente crescer. Novas frondes arbóreas cruzarão o horizonte e suaves sombras da tarde se farão eternidade.
