Coleção pessoal de pensador

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Apenas uma vida, logo passará. Apenas o que foi feito para Cristo permanecerá.

DAQUI EM DIANTE

Daqui em diante,
deixarei de ser o que sou
e viverei a vida de novo.
O coração há de me confiar o que fazer.

Daqui em diante,
pararei de culpar os outros
e mudarei de vida, mudando os hábitos.
Os mistérios do dia hão de revelar outros acasos.

Daqui em diante,
valerá o feito e não o escrito ou o dito
e compartirei o pão e beberei estrelas.
A infância há de abrir as portas de mim ao êxtase.

Daqui em diante,
não criarei serpentes de estimação
nem mais serei seduzido por guizos de falsos desejos.
O que busco é outra alma que em mim se contorça
de alegria.

Daqui em diante,
fruirei as linguagens que os sentidos puderem cantar,
pois é o tempo que passa na alma ou é a morte
que convida a amar o abismo que uiva de boca aberta?

REVOLUÇÃO

As bocas amordaçadas
não estão caladas.
A consciência
não está domada.
Os ventres famintos
ainda estão fecundos.
A esperança ferida
sangra no coração.
A revolução que há de vir
cristalizada no ar
já não tem ouvidos
apenas garras
e armas azeitadas
de baionetas ensarilhadas
no peito aberto em dor.

JUSTIÇA POUCA

Nenhum homem
há de pesar e medir
a justiça pouca
e proclamá-la
mais que suficiente.
Todo homem
julgado pela consciência
pelos cordeiros do mundo,
há de semear e colher
nas safras a justiça
e apregoá-la
menos que suficiente.
Fica o dito lavrado na pedra,
e intimados
os desvalidos da terra.

A nossa luta é pela defesa da seringueira, da castanheira; e essa luta nós vamos levar até o fim, porque não vamos permitir que as nossas florestas sejam destruídas.

Tenho esperança de continuar vivo. É vivo que a gente fortalece essa luta.

Os seringueiros, os índios, os ribeirinhos há mais de 100 anos ocupam a floresta. Nunca a ameaçaram. Quem a ameaça são os projetos agropecuários, os grandes madeireiros e as hidrelétricas com suas inundações criminosas.

No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade.

DEIXA CRISTO NASCER

Desce a noite lenta sobre a terra,
Bela e triste, quase irreal!
Bela demais em seu sublime encanto,
triste demais para nascer um santo:
Nasce Deus no primeiro Natal.

À ordem de César, Belém regurgita,
anima a cidade o decreto real:
cheia demais está a hospedaria,
à virgem cansada resta a estrebaria:
Nela nasce Deus no primeiro Natal.

Pastores que velam na escura montanha,
ouvindo a nova do coro angelical,
deixam o rebanho, em busca da luz,
primeiros crentes, vão ver a Jesus:
Adoram a Deus no primeiro Natal.

Sábios, a espera do doce milagre,
reconhecendo a estrela divinal,
deixam o Oriente, trazendo um tesouro,
simbólica oferta: mirra, incenso, ouro:
presentes para Deus no primeiro Natal.

Homem, não maldigas tua sorte incerta,
Não tornes vã a noite sem igual.
Que importa Jesus tenha nascido?
Que importa Ele tenha sofrido?
Se ele não nascer em ti neste Natal?

Deixa o orgulho, a indiferença, o ódio,
sê humilde e crente, abandona o mal.
Não faças do teu coração hospedaria,
onde lugar para Cristo não havia:
dá lugar a Deus neste Natal.

Aceita a história simples da estrebaria,
a estrela linda, o coro angelical.
Entrega teu coração em mística oferta.
Em tua alma haverá paz, no céu haverá festa,
se Cristo nascer em ti neste Natal!

BILHETE A PAPAI NOEL

– Pede a Papai Noel...

E eu pedi.
Pedi boneca,
pedi livros,
pedi viagens,
pedi um príncipe...

Aprendi a escrever
para escrever-lhe, ingrato velhinho,
mas você nunca se lembrou de mim:
não ganhei a boneca,
nem livros,
nem viagens,
nem príncipe.
Nada...

Só deixou no meu sapato
essa tristeza triste
de saber que você está muito velho
para subir morro.

Papai Noel, você devia ser criança pobre
para ver como morrem as ilusões.
Ver como se desmoronam os castelos
até restar somente essa tristeza triste.

Se você pudesse ver as almas...
Mas é melhor assim.
Ignorando-as, poderá continuar a mentir,
a distribuir ilusões,
a oferecer sonhos,
a brincar de você mesmo.

AMOR, AMOR...

“porque Deus amou de tal maneira...”

Eu queria cantar aquele Amor sublime,
como nem no céu existem dois iguais:
amor Primeiro, sem reciprocidade,
sem princípio, sem fim – Eternidade.
Amor, Próprio Amor – amor demais.

Amor que venceu o tempo e o espaço
para chegar até meu coração.
Amor escrevendo um poema de glória,
traço de luz atravessando a História:
Deus se humanizando – minha salvação.

Amor que usou milhares de caminhos,
homens, mulheres, povos e impérios,
até tornar-se Única Esperança,
prisioneiro num corpo de criança:
maior quando desce – Mistério dos mistérios.

Amor que transcende, supremo, absoluto,
que a Si mesmo chama “de maneira tal”
além de toda compreensão humana,
que nos eleva, a Deus nos irmana
na noite linda a santa de Natal.

Como cantar este maior milagre,
se a terra silencia para ouvir o céu?
Diante do Grande feito Pequenino
a própria alma se transforma em hino:
– Tudo é amor, sublime amor, Jesus nasceu!

A ESTRELA AZUL

Era uma vez uma estrelinha muito prosa,
toda orgulhosa,
no céu instalada;
até que um dia,
talvez por castigo,
um astro,
fingindo-se amigo,
roubou-lhe uma ponta dourada.
Cheia de revolta,
batendo as mãozinhas,
‘’pelo desaforo! (dizia a chorar)
uma estrela que perde uma ponta
não é mais estrela,
não vou mais brilhar.’’
E a pobre estrelinha,
assim mutilada,
tornou-se problema na constelação;
antipática,
só pensando em si,
como se o mundo
desabasse ali
ao peso de sua humilhação.
‘’Ninguém gosta de mim (gemia a pobre),
só porque perdi minha ponta dourada.’’
E, enxugando uma lágrima comprida,
a estrelinha,
infeliz da vida,
tornou-se resmungona e mal-educada.
Oh! Era uma catástrofe no universo,
uma tristeza na constelação!
Tudo foi tentado,
nenhum resultado,
até chegar a estrela da Conformação.
Esta velha estrela
era mui sensata
e à estrelinha
ela aconselhou:
– Ainda és estrela,
pois tens quatro pontas,
torna bem brilhantes
as que Deus te deixou.
E a estrelinha
pôs-se a trabalhar
ingentemente,
em busca de luz;
só pensando
em ser útil e bela
(que este é o destino de uma estrela).
Ela esqueceu a sua própria cruz.
E nem notou
que sua cor mudara
para um azul brilhante e sem igual:
uma cor linda,
cheia de esperança,
alegre como um riso de criança,
bela como uma estrela de Natal.
E a estrelinha que fora problema,
drama,
tragédia na constelação,
passou a ser motivo
de alegria,
uma bênção de Deus
em cada coração.

Saúde é um estado de completa harmonia do corpo, mente e espírito. Quando uma pessoa é livre de deficiência física e distrações mentais, as portas da alma abrem.

O yôga não muda apenas a forma como vemos as coisas, transforma a pessoa que vê.

A dureza de um diamante faz parte da sua utilidade, mas o seu verdadeiro valor está na luz que brilha através dele.

Yôga é como música: o ritmo do corpo, a melodia da mente e a harmonia da alma criam a sinfonia da vida.

O principal perigo do trabalho de liderança é o orgulho.

O poder é mais intoxicante que a bebida e mais vicioso que as drogas.

Não há maior obstáculo ao conhecimento do que o orgulho, e nenhuma condição mais essencial do que a humildade.

Inveja é o lado inverso da moeda chamada vaidade.