Coleção pessoal de pensador

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Desiludida, sozinha, da mesma forma como sozinha se iludiu. Fica com um copo vazio entre as mãos e com algo mais difícil de preencher por dentro. Ela, um mero adubo daquela planta que, aos poucos, floresce sobre um túmulo de um amor que murchou. Aquela planta rara à qual damos o nome de felicidade.

Uma lágrima ingênua escorre pelo seu rosto. Para um momento no queixo, indecisa. Então, empurrada pela dor, dá um pulo no vazio.

Sei que parece brega, mas o amor é paixão, obsessão, por alguém sem quem não se vive. Eu digo: pule de cabeça, encontre por alguém a quem amar com loucura e que o ame da mesma forma. Como encontrá-lo? Esqueça o cérebro e ouça seu coração. Eu não ouço seu coração. Porque a verdade, meu amor, é que não faz sentido viver sem isso. Fazer a viagem e não se apaixonar profundamente equivale a não viver. Mas você tem que tentar, porque, se não tentar, nunca vai viver…

Amor não é como fazer contas na loja. Amor é quando você faz uma loucura, como aquela inscrição na ponte. "Você e eu, a três metros acima do céu". Isso, isso é amor.

O amor, porém, é quando você não respira, quando é absurdo, quando sente falta, quando é bonito mesmo que esteja desafinado, quando é loucura... Quando só de pensar em vê-la com outro você atravessaria o oceano a nado.

Se alguém pergunta como você está, deve dizer BEM. Não deve dizer que chorou até dormir na noite passada porque não falava com uma pessoa por dois dias consecutivos. BEM é o que você responde.

Permiti que minha mente divagasse. Achava essa uma maneira bem eficaz de passar o tempo; você pega uma situação ou uma pessoa e começa a imaginar coisas boas que podiam acontecer. Você pode fazer qualquer coisa acontecer, qualquer coisa mesmo, dentro de um devaneio.

A tristeza é o preço que se paga pelo amor, é o que dizem. O preço é alto demais.

O sucesso social costuma ser erguido sobre um pouco de fingimento. Pessoas populares às vezes precisam rir de coisas que não acham muito engraçadas, fazer coisas que não desejam em especial fazer, com pessoas de cuja companhia particularmente não gostam. Eu, não. Eu tinha decidido, anos antes, que se houvesse uma escolha entre isso ou um voo solo, voaria sozinha.

Algumas pessoas, pessoas fracas, temem a solidão. O que elas não conseguiam entender é que há algo realmente libertador nela; quando você percebe que não precisa de ninguém, pode cuidar de si mesmo. A questão é essa: é melhor cuidar apenas de si mesmo.

Hoje em dia, a solidão é o novo câncer – uma coisa vergonhosa e embaraçosa, que se abate sobre você de um jeito obscuro. Uma coisa temível e incurável, tão horrenda que você não ousa mencionar; as outras pessoas não querem ouvir a palavra dita em voz alta por medo de também serem atingidas, ou que ela possa tentar o destino a impor um horror parecido sobre elas.

Há cicatrizes em meu coração, tão grossas e desfigurantes quanto as de meu rosto. Sei que estão ali. Espero que reste algum tecido ileso, uma área através da qual o amor possa entrar e fluir para fora. Espero.

Sempre me orgulhei muito de cuidar da minha vida sozinha. Sou uma sobrevivente solitária. Sou Eleanor Oliphant. Não preciso de mais ninguém – não há nenhum grande vazio em minha vida, nenhuma parte faltando em meu quebra-cabeça particular. Sou uma entidade independente. De qualquer forma, isso foi o que sempre disse a mim mesma.

Suprindo a súplica, vou viver de música
Vou provar pra eles que isso não é minha culpa

Mas é normal
Ser a razão dos meus problemas
E resolver dilemas
Que o mundo impõe pra mim
Virou normal
Atirar pedras no céu
Esperando cair papel
E o fim dos meus dias ruins
É casual, o acaso existe, eu sei
Que é tudo meio que em prol do amor
De si próprio ou de querer mais sair do caos

Suor no toque dos lábios
Nervosismo canta a despedida
Quando excluiu meu contato
Perdemos contato de vista
Meu amor dinamite no pé da barreira
Seu ego é muro de Berlim

Seremos os mesmos
Se a paz que doamos um dia acabar
Que eu te traga de volta aos eixos da cruz
Quarto com pouca luz
Eu tenho algo que te seduz
Tem algo a ver com a escuridão
Ou algo de encontro ao que me dispus

E se eu te dissesse que poderia fazer você se apaixonar por mim? Apenas me dê um dia.

A escolha que fazemos, o caminho que escolhemos, não temos para sempre. Tudo o que temos é um único dia.

Quais são os seus principais ingredientes para se apaixonar? Os meus são amizade, química e o fator X.