Coleção pessoal de pensador
Não existe um céu sem estrelas (...). Mesmo quando estão cobertas pelas nuvens, ainda estão lá. A gente só não consegue enxergar.
Eu costumava odiar mentiras. Com o tempo, no entanto, acabei precisando delas e me tornando uma especialista. Não me orgulhava disso, mas às vezes era tão espontâneo que mal percebia.
Você não precisa entender as pessoas sempre. Ninguém consegue, por mais que tente. Mais do que compreensão, as pessoas buscam apoio, ou às vezes só alguém disposto a ouvir.
Tinha dias em que não havia cores suficientes para expressar o que eu sentia. Em outros, eu não sabia o que estava criando, e as folhas iam parar na lata do lixo. Duvidava de tudo, especialmente de mim mesma. Me sentia uma farsa, como se até os desenhos que eu tanto amava fossem uma mentira.
E ela me lembrava que a vida podia ser um pouco mais que encontrar a galera no bar no meio da semana para uma conversa fiada. Que às vezes você tinha a sorte de encontrar alguém que era capaz de ouvir as questões existenciais que você tinha para compartilhar sem rir ou fazer pouco caso. Que amizade era muito mais que ir a festas – era arrombar portas por quem você se importava se fosse preciso.
O amor é paciente. Ele é feito de respeito e apoio mútuos. Ainda tenho medo do abandono, mas procuro pensar todos os dias que aqueles que importam estarão sempre comigo. Que uns chegam e outros vão, mas que não posso aceitar menos do que eu mereço.
Nenhuma das coisas com que a gente se preocupa jamais acontece. Acontece uma que a gente nunca pensou.
Eu queria saltar e, se não tivesse saltado, eles estariam sozinhos aqui e ninguém jamais ficaria sabendo o quanto estavam assustados e o quanto eram corajosos e insubstituíveis.
Por que toda frase que começa com “Precisamos conversar” acaba mal? Durante toda a nossa história evolutiva tentamos impedir que algumas informações fossem divulgadas: camuflagem, aquela tinta que as lulas esguicham, senhas criptografadas, segredos corporativos, mentiras. Principalmente mentiras. Se as pessoas realmente quisessem se comunicar, diriam a verdade, mas não é o que fazem.
Algumas pessoas acabam conectadas demais, entende, principalmente quando se trata de relacionamentos. Relacionamentos precisam de menos comunicação, e não de mais.
Naquele breve momento eu me senti viva, muito mais do que durante todo o ano anterior. Talvez durante toda a minha vida.
Pode até parecer óbvio, mas morar num cemitério me faz pensar na morte. Aqui há uma ordem que não existe na vida real, e acho isso estranhamente reconfortante. Talvez essa seja a beleza da morte. Nada mais é complicado. Tudo é fechado e definitivo.
– Sabe, as pessoas vêm para a Itália por vários motivos, mas, quando ficam aqui, é só por dois.
– Quais?
– Amor e gelato.
Ele era quente, cremoso e tinha o sabor de tudo de mais perfeito que podia acontecer com uma pessoa. Verões italianos. Primeiros amores. Chocolate.
No fim das contas, existe uma razão para a expressão “cair de amores”, porque quando isso acontece, quando acontece de verdade, é mesmo uma queda. Não há o que fazer, você simplesmente se joga de cabeça e torce para ter alguém para segurá-lo. Senão, vai acabar se machucando feio.
Às vezes, fazemos coisas estúpidas. E não exatamente quando estamos apaixonados, mas quando julgamos estar.
