Coleção pessoal de pensador

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Não gosto de palavras grandiosas. E, sem palavras grandiosas, não é possível descrever.

Aos homens agrada inventar monstros e monstruosidades. Com isso, sentem-se menos monstruosos. Quando se embriagam, são capazes de trapacear, roubar, bater na esposa, deixar morrer de fome a velha vovozinha, matar a machadadas uma raposa pega numa armadilha ou ferir com flechas o último unicórnio do mundo. Nessas horas, gostam de pensar que Moahir, que adentra suas choupanas de madrugada, é muito mais monstruosa do que eles. Aí, ficam com o coração mais leve e acham mais fácil tocar a vida adiante.

Um mal é um mal. Menor, maior, médio, tanto faz… As proporções são convencionadas e as fronteiras, imprecisas. Não sou um santo eremita e não pratiquei apenas o bem ao longo de minha vida. Mas, se me couber escolher entre dois males, prefiro abster-me por completo da escolha.

Nunca houve uma guerra como essa (...) As tropas de Nilfgaard deixam para trás de si terras queimadas e cadáveres. Campos inteiros repletos de cadáveres. Essa é uma guerra de extermínio, de extermínio total.

Então escutem, e escutem atentamente. Ali, diante de nós, está sentado um dragão dourado. Uma lenda viva e, talvez, o último exemplar de sua espécie que conseguiu escapar da sanha assassina de vocês. Uma lenda não pode ser morta.

Um mágico de aluguel (…). Um prestidigitador que se contrata por um punhado de moedas. Como já disse: uma anomalia da natureza, uma ofensa às leis dos homens e dos deuses. Tipos como ele deviam ser queimados em fogueiras.

Invejo os que, mesmo com ninho, voam todos os dias para o desconhecido. Apesar do risco de queda, caso as asas falhem, eles preferem viver a vida a estarem somente protegidos pelas árvores.

E se duas pessoas sem vontade de continuar a viver encontrarem-se na beira de um precipício e, em vez de saltar, derem as mãos e caminharem na direção oposta à dor?

Vivemos em uma sociedade em que se uma mulher não precisa de carinho para florescer, e é independente e segura do seu corpo, é considerada fria, arrogante, entre outros adjetivos maldosos. E, se uma mulher precisa de alguém para ajudá-la a ver como tem muito para oferecer, é considerada uma mulher fraca.

Desde o começo, apresentamo-nos como somos: quebrados. E foi por esses cacos de vidro espalhados dentro de nós que cada um se apaixonou.

Infelizmente na vida nada é preto no branco, e neste momento não há alguém melhor para compreender um pássaro ferido do que outro que já teve as asas quebradas.

O que mais tarde aprenderei é que ele viu em mim o que nunca reparei ter: asas.

Eu acredito que sou um quadro abandonado por alguém que nunca desejou ser pintor. Alguém me pegou quando era uma tela branca e em vez de me pintar com a suavidade dos pincéis, me rasgou com o lado pontiagudo.

O coração quando encontra na amada o mesmo ritmo, nunca mais muda as suas batidas.

Todos temos o direito a sermos egoístas, e o amor é o sentimento com mais egoísmo pois queremos que a pessoa seja só nossa e seus olhos vejam apenas o nosso rosto.

Às vezes precisamos perder algo que pensávamos ser bom pra ganhar algo verdadeiramente excelente.

Desperto: a noite farfalha
teu nome. Estiveste aqui
há pouco. O chão da casa
acaricia teus passos breves,
tua voz ilumina caligrafias
na parede, molda tua pele
o lençol ainda impregnado
de ausência. Desperto.

No princípio
eras palavra
verbo adjetivos
imagem subsumida
no etéreo universo.

Então encarnaste
sujeito predicados
nítida metáfora
flor calor cor
mar ar amar.

E súbito compreendo o primeiro não:
meus frágeis pés tocaram a água fria
e vi, descidos dos retratos ovais, rostos
que entulhavam a despensa de histórias.

E súbito compreendo o primeiro não:
meus braços cingiram a madrugada
rejeitando nomes, tão pouca terra
para tão grandes desaparecimentos.

E súbito compreendo o primeiro não:
o tempo avança do agora para o anteontem.

Onde quer que estejas, em teu país
ou em outro, és estrangeiro: ninguém
tua língua compreende. Só, o deserto
de estranhas veredas percorres.
Conservas, no entanto, dos primeiros anos
o albor, quando tua cidade, madrasta e mãe,
teus sonhos na noite fresca velava.
A grande mão que afagou-te esmaga o peito agora.
Ah! Somos apenas o que somos. Apenas.