Coleção pessoal de pensador
Teu coração já fraco e cansado de duras emoções
Tem chegado só notícias de derrotas e desilusões
Parece até que Deus te esqueceu
Não enxerga mais a luz no fim do túnel
Mas quero te dizer que o silêncio do Senhor
Não é sinal que Ele te deixou
Aos seres humanos foram dados dois pés para que não tivessem que permanecer no mesmo lugar, mas se permanecessem quietos com mais frequência para poderem aceitar e apreciar, em vez de irem de um lado para outro tentando se apoderar de tudo, entenderiam verdadeiramente o que é a ambição do coração.
O cavaleiro chorou mais quando compreendeu que, se não se amasse, não poderia realmente amar os outros. A necessidade que tinha deles era um obstáculo. Nisso apareceu o mago e lhe disse: “Somente poderá amar os outros à medida que ama a si mesmo.”
Colocamos barreiras para nos proteger de quem acreditamos ser. Então, um dia, estamos presos atrás das barreiras e não podemos mais sair.
Uma pessoa não pode fugir e aprender ao mesmo tempo. Ela precisa permanecer algum tempo no mesmo lugar.
A afirmação tradicional sobre a linguagem é que ela, por si só, é viva, e que a escrita é a parte morta da linguagem.
quanto mais feia for a sua letra de mão
mais comoção devo sentir
em especial com as menores e mais redondas
deitadas como pedestre atropelado e deixado nas linhas
conhecidas como ‘letra do atrasado na escola’
ou ‘caligrafia de quem já nasceu com as teclas’
alguém que talvez precise usar régua pra alinhar as coisas
que talvez precise de ajuda e recuperação
que talvez precise de mim
talvez precise de mim
morri
pouca gente apareceu
caixão aberto, batom
seco
três
amigos fizeram homenagem
enquanto despedaçava a
terra
segui
alguns andando pela rua
minutos depois do
enterro
ouvi
quando disseram
que nunca me conheceram
a fundo
FRUTOS DO ACASO
Tal como tudo
o cheiro do lápis acabado de afiar
vai-se embora.
No cinzeiro
a ponta do cigarro que arde
desperta o cedro.
Tal como tu
o cheiro regressa.
Alegria
Borboletas desaparecem
no porão
Na sala enorme
iluminada
flores se expandem
em meio a vozes moças
alegres
Guirlandas de flores,
de ar
Basta tocar uma delas
(é um sonho)
para que de cada flor
surjam de novo
as borboletas
a voar
seu voo de papel —
amarelo
Estou em mim
Estou no outro
Estou na coisa que me vê
e me situa
Diante de mim
Diante do outro
Diante da coisa
Está a morte
Não amiga não temas
meu coração;
é apenas um chapéu surrado
que humildemente estendo
para colher um pouco de tua alegria
de tua graça distraída
de teu dia
Corpo
quantas cidades
te percorrem passo a passo
antes de entrar nos mil lares
que te aguardam
é mesmo preciso usar sapatos
porque não gastar na pedra
uma pele que se lixa longe do
tacto
dentro do ônibus os dias
viajam sentados
em meio a ombros colados
túneis esgoto bichos
sorvetes coxas anúncios
uma criança um adulto
modelam a cidade
na areia
longe
perto do coração onde
uma cabeça gira o
mundo
correndo na grama a sombra
de quantos assistem sentados
enquanto das traves pende
o corpo de um de todos
enforcado
enquanto as orelhas ouvem
ouvem
e não gritam
há um fora dentro da gente
e fora da gente um dentro
demonstrativos pronomes
o tempo o mundo as pessoas
o olho
