Coleção pessoal de pensador
É um vício frequente das democracias substituir a opinião pública pela lei. Essa é a forma habitual que massas de homens utilizam para demonstrar sua tirania.
Vivendo e aprendendo nessa louca vida
Eu não tô de touca e não vou ficar
Parado na sombra como um parasita
Esperando meu lugar ao sol chegar
Nossa trajetória
Em cima de vitórias, acertos e glórias
Jamais dá mancada que a cobrança é feroz
Isso não cabe pra nós
Já quiseram me derrubar e olha nós aí
Forte e firme, salve a todos que fortaleceu
Onde nós passa, banguelo põe dentadura pra sorrir
Mas não me iludo com sorriso, eu sou mais eu
Trago no bolso uma grande vantagem
Inteligência é prata e o silêncio é ouro
E vale mais que qualquer nave na garagem
A vida corresponde, quem corre faz por onde
Não têm pessoas fortes com caminhos fáceis
Se persistência é meu nome, resiliência é o sobrenome
Se não der, firmão, eu vou tentar outra vez
E aí foi bica na canela do recalque
Se tentar bater de frente, se acostuma com nocaute
Tenta no segundo round, nóis sabe bem que é fraude
Só não vem de bolo podre que nóis chega e chuta o balde
OUTRA RAZÃO PARA EU NÃO TER UMA ARMA EM CASA
O cachorro do vizinho não vai parar de latir.
Ele está latindo o mesmo alto, rítmico latido
que late todas as vezes que eles saem de casa.
Eles devem ligá-lo na hora de sair.
O cachorro do vizinho não vai parar de latir.
Eu tranco todas as janelas da casa
e toco uma sinfonia de Beethoven no máximo
mas ainda posso ouví-lo abafado pela música,
latindo, latindo, latindo,
E agora posso vê-lo sentado na orquestra,
seu focinho confiantemente erguido como se Beethoven
tivesse incluído na partitura o cachorro latindo.
Quando o disco finalmente acaba ele continua latindo,
sentado ali na seção de oboés latindo,
seus olhos fixos no maestro que está
lhe regendo com a batuta
enquanto os demais músicos ouvem em respeitoso
silêncio o famoso solo de cachorro latindo,
aquele trecho infindável que primeiro consagrou
Beethoven como um gênio criativo.
