Coleção pessoal de pensador
Seu trabalho é apenas uma pequena parte da sua vida. Falamos muito sobre escolher empregos ou selecionar carreiras. Mas e se escolhermos uma vida?
Obrigada, pensei mais uma vez, e mais uma vez. Obrigada. Não apenas pela longa caminhada, mas por tudo o que pude sentir finalmente se juntando dentro de mim; por tudo o que a trilha me ensinou e por tudo que eu nem sabia ainda, embora soubesse que de alguma forma já estava dentro de mim.
Anos antes de arremessar a bota no penhasco daquela montanha, eu mesma estive à beira do abismo. Havia caminhado, perambulado e viajado de trem, de Minnesota a Nova York, ao Oregon e por todo o Oeste, até, enfim, acabar descalça, no verão de 1995, tão solta no mundo quanto presa a ele.
Não estava chorando porque estava feliz. Não estava chorando porque estava triste. Não estava chorando por causa de minha mãe ou de meu pai ou de Paul. Estava chorando porque estava plena.
Olhei para o norte, em sua direção, a simples lembrança dessa ponte foi como um sinal. Olhei para o sul, de onde vim, para a vastidão de terra que me ensinou e castigou, e considerei as opções. Havia apenas uma, eu sabia. Sempre havia apenas uma. Continuar andando.
Tratava-se de um mundo em que eu nunca tinha estado e que não conhecia, mas, ainda assim, durante todo o tempo, sabia que estava lá, um mundo no qual eu oscilava entre sofrimento, confusão, medo e esperança. Um mundo que eu achava que podia me transformar tanto na mulher que sabia que poderia vir a ser como na menina que já fui um dia.
Estava morando sozinha em um estúdio em Mineápolis, separada do meu marido e trabalhando como garçonete, tão deprimida e confusa quanto jamais estive na vida. Todo dia me sentia como se estivesse no fundo do poço olhando para cima. Mas foi a partir daquele poço que comecei a me tornar uma aventureira solitária. E por que não? Já fui tantas coisas.
A crueldade com que eu me tratava não é mais tolerada. A porta da despensa está aberta. Estou entre os vivos. Subindo outra montanha. Procurando outra vista. Pendurando pintura após pintura nas paredes ali dentro.
Pessoas negras levam vidas tridimensionais, têm histórias de amor e não são coadjuvantes engraçadas, clichês ou criminosas. Mulheres heroínas, vilãs, valentonas, são os cachorros grandes. Isso - ouvi diversas vezes - era pioneiro e corajoso.
Todas as vezes que você me vir tendo sucesso em uma área da minha vida, tenha certeza de que eu estou falhando em alguma outra.
Esteja atento ao que você aceita como verdade. Porque você se torna aquilo em que você acredita, para o bem ou para o mal.
