Coleção pessoal de pensador
Escreva sua história
na areia da praia
para que as ondas a levem
através dos sete mares
até tornar-se lenda
na boca de estrelas cadentes.
Conte sua história ao vento
cante-a nos bares
para os rudes marujos
olhos de faróis sujos.
Escreva no asfalto, com sangue,
grite bem alto a sua história
antes que ela seja varrida
na manhã seguinte
pelos garis.
Abra o peito na direção dos canhões
derrube os muros de Berlim
destrua as catedrais de Paris.
Defenda sua palavra
a vida não vale nada
se você não tem uma boa história
pra contar.
APRENDIZADO
para meu pai
Caiu no mar tem que nadar
murmurava meu pai marinheiro
tirando um bagre do anzol
um cigarro do bolso traseiro
Eu, sabedor de nada,
azeitava o eixo do sol
sonhando um dia conquistar
o meu lugar à sombra
E o mar era tão grande!
E a minha imaginação, tamanha,
quebrava além da arrebentação
no redemoinho de uma música estranha
Anda moleque, recolhe a rede
carrega o peixe pra tua mãe cozinhar
Era o pai me fisgando com o olhar
E eu seguia suas pegadas
pelos caminhos de areia
ouvindo as ondas a murmurar
como o canto de uma sereia:
Caiu no mar tem que nadar...
Caiu no mar tem que nadar...
Nunca mais vou subestimar o poder da antecipação. Não há melhor impulso no presente do que um convite para o futuro.
O mistério da existência humana não está apenas em permanecer vivo, mas em encontrar algo pelo qual viver.
Eu queria que eles pensassem bem sobre um sistema que permite ao Estado matar qualquer escritor, qualquer intelectual - até mesmo meteorologista - com quem eles discordassem.
Nós nos revelamos nos pedaços que queremos que os outros saibam, mesmo aqueles mais próximos de nós. Todos nós temos nossos segredos.
Poetas, romancistas e dramaturgos se dedicam, contra terríveis resistências, a entregar o que o resto de nós mantém trancado em segurança em nossos corações.
O que confere autenticidade e vitalidade ao jornalismo é a tensão entre a auto-absorção cega do sujeito e o ceticismo do jornalista.
O conceito de psicopata é, de fato, uma admissão da falha em resolver o mistério do mal - é apenas uma reafirmação do mistério - e oferece apenas uma válvula de escape para a frustração sentida por psiquiatras, assistentes sociais e policiais, que diariamente encontram sua força.
É isso que o artista deve fazer. Arte é roubo, arte é assalto à mão armada, arte não está agradar a sua mãe.
Todos nós inventamos a nós mesmos, mas alguns acreditam mais que os outros na ficção de que somos interessantes.
A vida, é claro, jamais captura toda a atenção de alguém. A morte é sempre interessante e nos atrai. Assim como o sono é necessário à nossa fisiologia, a depressão parece ser necessária à nossa economia psíquica. De alguma forma secreta, Tânatos, além de se opor a Eros, também o nutre. Os dois princípios atuam em oculta harmonia; embora Eros predomine na maioria de nós, em ninguém Tânatos está totalmente subjugado.
