Coleção pessoal de pensador

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Das Biografias (1)

em negro
teceram-me a pele.

enormes correntes
amarram-me ao tronco
de uma Nova África.

carrego comigo
a sombra de longos muros
tentando impedir
que meus pés
cheguem ao final
dos caminhos.

mas o meu sangue
está cada vez mais forte,
tão forte quanto as imensas pedras
que os meus avós carregaram
para edificar os palácios dos reis.

Nem pense em sugerir que estamos aqui apoiando os Estados Unidos ou a coalizão.

Eu estou aqui porque vocês destruíram isso e não fazem ideia de como consertar.

Isso não é fácil para mim. Eu quero ajudar a libertar esse país.

Meu trabalho é in loco onde as pessoas estão sofrendo ou precisam de ajuda.

– Sergio de Mello, o Sr. Resolve do mundo. O funcionário mais poderoso da história da ONU.
– Agora a questão é o que fazer com todo esse poder.

Para uma cidade que nunca dorme, Nova York tem muitos sonhadores.

Eu fui rejeitada, mentiram para mim, mas estou exatamente onde quero estar.

Vê-la correr atrás dos próprios sonhos me lembrou que eu deveria estar fazendo o mesmo.

Estou cansado de ser rejeitado o tempo todo. Não me encaixo na caixinha deles.

Você não precisa ser rica para ser estilosa. Sua inspiração virá dos seus estilistas favoritos. Crie seu próprio estilo.

eu nunca soube
ser metade
nem da laranja
em cima do muro
nem morna
ponderando o mergulho

sempre fui inteira:
um cacho maduro
um limão sem suco
dos pés à cabeça
da cabeça às nuvens

não se desespere menina
tudo em você se deu tarde
nenhum ciclo se rompeu
num piscar de asas
foi preciso lutas e hibernações
para que outras peles
te cobrissem a alma

como é difícil aceitar o curso
de ser outra

não se desespere
vendo as primaveras transcorridas
o tempo indo ligeiro
e ainda assim
seus passos distraídos...

a vida
(em pequenas bolhas que estouram
quase sem ruídos)
está sendo destilada
no íntimo

você se detém nas páginas de um livro
porque os parágrafos tocam fundo
e olhos novos sempre penetram
por instantes eternos
e tudo leva anos, meses em você
sempre assim tem sido
para poder nascerem sentidos
que revigoram o viver

às vezes não há mais volta
para onde estávamos
para o que éramos
podemos parar numa estação
e fechar os olhos
para a fresta que se abriu
e optar por não embarcar
no trem que passa
e nos abre as portas maiores
a cada dez minutos
podemos meditar
e ter empatia pela Terra
(planeta perdido no espaço
acidente nascido de um erro)
podemos querer voltar
mas a ferrugem tomou
os trilhos da velha estrada
às vezes não há mais volta
e não há mãos e verdades
nos acenando desse caminho novo
poucos são os olhares que nos encorajam
a adentrar o desconhecido
e já com a alma cansada de velha
temos que ainda entender
que somos precursores
desbravadores
temos que escolher acordar
(como cegos que mergulham
na escuridão)
mesmo que a maioria
esteja dormindo

estou me compartilhando
porque entre nós
nasceu amor demais

distribuindo samambaias
orvalhadas do ar mais puro
amando tantos olhos

estou entregando primaveras
gratuitamente
em praça pública

doando sementes de segredos
desvendados
até para mãos arredias

estou me distribuindo
de presente
porque me rebentaram
inúmeras margaridas
selvagens

e eu quero
plantar o pólen
no mundo

cansei
de segurar a onda
nas minhas costas largas
e aguentar as pontas
de quem não se desamarra
de fazer vista grossa
para essas almas rasas
de ficar no salto
se o meu corpo é samba
de manter a calma
nesse mar de lama
de conter o grito
meu bem mais bendito
de esperar o momento
precipício
para saltar dos trilhos
e não ter mais nada
a ver com isso

da horta

gosto do amor que
quando não frequenta mais
a cama, a mesa, a aorta
a gente não precisa
fechar a porta
e varrer o peito
limpando
mágoas, descasos, ausências

Esses que a gente pode deixar
a fresta sempre aberta
que tem sempre um sopro
de primavera
onde nascem espontaneamente
flores fortes e transparentes

Escrever é um ato de vida.

Ser escritora afro-brasileira é ter a possibilidade de recontar sua própria história, utilizando a nossa própria forma de expressão. Ter a possibilidade de ser o diretor, roteirista, ator, atriz, produtores musicais das trilhas sonoras que conduzem as nossas vidas.

Para nós, afro-brasileiros, viver é um “jogo de capoeira”, quer nós queiramos ou não. São rasteiras, são rabos de arraia, são martelos, mas nós nos esquivamos, nos levantamos e com astúcia vamos vivendo.