Coleção pessoal de pensador
Que amor que encanto faça favor
Ah pois a emancipação é um
chazinho-de-quinta-feira-à-tarde
Todas trazem qualquer coisa para mastigar
Este verão me ensina
que devo bater eu mesma os tambores
se quiser dançar
Este verão me ensina
a ser por alguns segundos sem felicidade sem tristeza
aliada de Deus
Este verão me ensina
a acordar de manhã. Grata. Sozinha.
Este verão me ensina
que a folha do limoeiro apenas exala seu aroma
quando esmagada entre os dedos.
Este verão me ensina
que a solidão descansa
e se expande em um abraço
Este verão me ensina
a não confundir um corpo
disponível
com a ânsia pela alegria
Este verão me ensina
a ser um espelho de água para cada pedra
Este verão me ensina
a amar pequenas e grandes bolas de sabão
antes que rebentem
Este verão me ensina
que mesmo sem alguém
tudo continua
É difícil explicar que um poema
não possui objeto como um navio
os recipientes desse uma estação as flores dela
Indivisível como um número primo
Ele foge do tempo como você
e acaba
quando você deixa de escrever deixa
de ler quando você não se
lembra mais do que você acabou de ser
há apenas um instante
durante um momento durante uma palavra
rampa do cais flama poeira cometa
que assobia para um bando
de pequenos pássaros cantando longe
sobre nós tudo afastado nada tangível
nem mesmo preto no branco
Dói só de pensar ele sentindo o gosto
Provando de tudo que eu já provei
Te esquecer virou meu maior sacrifício
Tá bem mais difícil do que eu pensei
Eu tentei dar um basta e não voltar atrás
Nunca mais
Eu jurei que era fácil te deixar em paz
Quando vai cair a ficha que eu amo você?
Eu sozinho querendo te ver, reconheço que não sei perder
Deus quando vez você, tirou minha medida
Linda, ciumenta e bem resolvida
Quem olhar pra mim agora não duvida
Que eu encontrei o amor da minha vida
Tá me tirando da linha
Tá me deixando avoado
Com esse jeitinho, covinha
Esse cabelo jogado
A gente ataca a cozinha
Antes de ver seriado
Tudo é tão bom com você
Como é que vamos fazer
Pra eu morar aí no seu quarto
Sem essa de me colocar no seu porta-retrato
Quero contato, sem contrato, a gente faz um trato
Se você me der a chave, eu mudo até o meu status
Tentativa frustrada, seu vício
Vamos começar do início, de quando você começar a se aproximar
Quem te conhece bem, sabe disso
Beleza é só um artifício que você usa pra tentar impressionar
Você gosta de alguém pra ser mandada
Só que quem nasceu pra ser a mais amada
Não vai ficar sentada, esperando ser usada
Cê tá achando que eu não valho nada
E que no final eu sempre fui errada
Só porque tomou um "não" na sua cara
Agora tá tentando mudar o foco da piada
de mim, a malvada não tem pena
me trocou por um da Vila Madalena
de mim, a malvada não tem pena
me trocou por um da Vila Madalena
não faz mal
domingo eu ponho
a minha roupa de sair
pra arranjar
uma pequena que more perto daqui
Minha aula de balé
Meu cinema, minha cura
Às sete pego no pé
Às oito corte e costura
Há que se chegar a tempo
Senão dança a contra-dança
À noite aula de canto
Nunca sobra pra esperança
Às sete não conte
Às oito não conte
Às nove não conte comigo
Treze eu tenho azar
Treze eu tenho azar
E almoço executivo
Cinco horas chá das cinco
Sentado mas sem sentido
Onze horas jaçanã
Embarquei num trem já partido
Eu não tenho paciência
Pra quem não tem tempo livre
Liberdade é uma ciência
Ócio também cabe no louvre
E é no seu colo que afogo a minha sede
Quis te pescar, mas caí na sua rede
Feita com fios de cabelo emaranhado
Moro no mar e hoje sou seu namorado
