Coleção pessoal de pensador

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Sempre pensei em você como uma árvore quieta, mas agora eu enxerguei o selvagem oculto.

Grosseria é uma característica natural dos lobos?

Então quer dizer que, no final das contas, nós somos só alimento pra vocês, carnívoros? Carnívoros são todos monstros. Todos vocês são monstros.

E foi ali, naquele momento, que eu encontrei uma pequena coelha e também os meus instintos.

Longe de você eu notei
Que a gente junto é fora de sério
Falo sério
Você me faz muito bem

Eu vou te ligar se a saudade apertar
Mas, por enquanto, eu sei que cê tá bem
Mas se eu te contar que tá foda aguentar
Essa distância que é viver sem

Final do mês é sempre desespero
Se pá eu colo aí em fevereiro
De longe vai reconhecer meu cheiro
Daqueles que arrepia o corpo inteiro

Falaram de você o tempo inteiro
Naquele baile do Rio de Janeiro
Que a gente junto ia ser maneiro

Não faça barreira
Pra atrasar meu caminho
Porque na minha fé
Eu tô com Deus, não tô sozinho

Temente somente a Deus
Não se trata de coragem
Mas na nossa vida louca
Nela estamos de passagem
Ninguém fica pra semente

O salário do pecado é a morte
Morrer como homem é o prêmio da guerra
Dono do ouro e da prata é Jesus
E ninguém leva nada da Terra

Já passei muito reflexo
E também muito sufoco
Por isso que hoje em dia
Meu sorriso é pra poucos

Uns me chamam de Zé Bobo
Outros me chamam de marrento
Mas ninguém fechou comigo
No tempo do sofrimento

E nosso amor começou direito
Lá no beco do sossego

Brincou no meu terreiro
Luz no meu sendeiro
Soneto brasileiro

Ora ora, senhor
Se isso não é amor
Me diz o que é que é

Eu uma mulher
E meu segredo
Posso te contar

Se aqui não tem medo
Só chamego

Dia da caça
Ou do caçador
Caçando sarna
Pra se coçar

Olho no olho
É você meu par

Andei pensando
Por que queria te encontrar

Andei pensando
Como seria te encontrar

Apavorante
Sintoma de amor
Que chega pra ficar

Um instante
Nesse lugar
Que o vazio quer ocupar

De longe
Parece bom
Mas por onde andará?

Num fragmento de instante, nossos olhares se tocaram no reflexo do vidro recém-comprado.

– Você está maior, filho. Quase do meu tamanho – ele interrompeu a caminhada.

Eu não achava. Minha altura parecia a mesma. Pude sentir, porém, que algo de fato mudara em mim, embora não soubesse definir exatamente o quê. Algo que mais tarde, já sob a sombra de um corpo de homem, ganhou absoluta limpidez: na imagem baça daquele vidro, o pai começara irremediavelmente a desaparecer.

Eu nasci e cresci no subúrbio, sou da Madureira. Quando eu fui fazer faculdade, comecei a escrever e eu sentia falta na literatura contemporânea brasileira desses personagens suburbanos. Eles pouco aparecem como protagonistas e, entretanto, representam a maior parte da economia do País.