Coleção pessoal de pensador

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dentro de mim
moram silêncios de pedra

renegadas palavras

lavas
que não ousaram fluir

(pra não ferir montanhas)

recuso-me a nomear estrelas
não as conheço
— distantes
nomeio pedras
— irmãs

sonhei um rio barrento - que corria às avessas
e invadia a casa
subitamente
tentava

com minhas garras
salvar coisas e gente
não conseguia
um leite condensado (eu dizia) um copo d'água

aquele livro azul

minha mãe
(são tantas as fomes)

O dia escorrega das mãos feito um peixe
que mergulha na terra trincada
sem se saber
sobrevivente único
desse rio temporário
que acabou de secar.
Que todo dia seca sob o sol do tempo.
Que a vida é
esse deserto em expansão.
Que a noite se aproxima e é fria.
E com que olhos nos espreitam os chacais.

Me dê um beijo, estamos indo sem vela
Um beijo, estamos indo sem vela
Tem fogo em nossa porta, amor
Talvez eu não te veja, mas eu tô indo pra guerra

Corro, minha casa é meu lugar sempre
E eles aqui nem me conhecem mais
Está tudo bem
Pra quem não sente a pele até queimar
Tem medo de mim, você nem me conhece mais
Seu muro não me alcança
E na sua falha você vai me ver dançar
Está tudo bem se você nem me conhece mais

Os bares fechados pra nós
As horas correndo
Os cursos mudando pra nós
Pessoas mudando
As portas fechando pra nós

Os olhos abertos

Meu submarino sou eu
Minha força de sonhar sou eu também
Porque quando todos vão embora
Eu me tranco aqui, e tudo bem

Comecei a navegar e nada
Porque tudo me parece incerto
Essa culpa percorrendo a calma
Sua falta me deixando mudo
E as ideias corroendo a casa
E o futuro me fazendo um medo

E eu te amo
E eu te espero
E que o tempo possa te mostrar
Tudo que você quiser ser

Tenho tanto pra me confessar
Eu não tenho mais medo
Faz tanto tempo que eu não sinto nada

Nós dois juntinhos de frente pro mar
Planejando uma vida inteira
A gente pode até brigar
Mas depois tudo vira besteira

De toda formar eu tento agradecer
Mas com palavras não posso falar
Não existe nada pra descrever
O sentimento que eu tenho por você

Pra agradecer os momentos
Me jogo ao vento
Pra te alcançar

Faz um tempo que eu preciso me encontrar
Ficar sozinho, desabafar
Faz um tempo que eu perdi algumas coisas
Pelo caminho
E eu nem sei mais quem eu sou

Me Salva da dor, Salvador
Eu vou pra Bahia, me encontrar
Te mando uma foto do mar
Eu vi tartarugas, quero te mostrar

Só não vem com essa que o meu signo não presta
Por que é o pouco que me resta
Só não vem com essa por que eu sei que cê quer festa
Quer brincar com o coração

Ah menina linda você quer confete
Mas pra mim isso é coisa pouca
Eu te faço um carnaval

Ah, menina linda dos olhos de céu
Quero ver você de véu em cima de um altar
Ah, menina linda do sorriso fácil
Teu abraço é como um laço que me prende onde quiser

Mas o amor que eu te dei
Você não viu
Só me sobrou o vazio
Que eu nem sei como preencher

Eu investigo a vida à procura de observações, nuances, detalhes.

Existirá algo mais assustador do que pessoas?

A morte é a coisa mais justa do mundo. Nunca ninguém ficou de fora. O mundo leva toda a gente - o bondoso, o cruel, os pecadores. Fora isso, não existe nada que seja justo no mundo.

A verdade não cabe numa mente apenas. Tem muitas formas de manifestar-se, e está dispersa pelo mundo inteiro.

Todas as pessoas têm coisas importantes para contar. Se criarmos um ambiente de confiança, calmo, íntimo, surgem grandes histórias. Pessoas sem importância têm grandes histórias. Mas se faço uma pergunta banal, obtenho uma resposta banal. As pessoas têm uma grande necessidade de falar de coisas sérias. Mas acontece que não lhes dão oportunidade. Ninguém as quer ouvir. Vivemos num mundo de banalidade. O trabalho do escritor é resgatar as pessoas dessa banalidade.