Coleção pessoal de pensador

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Circulo muito por diversos bairros. Esse caminhar pelas ruas te dá a oportunidade de experimentar a alteridade, fazer uma outra leitura dos lugares.

PRESENÇA

É Zum
É Zum
É Zum
É Zumbi
Zumbi de Ogum
Guerreiro de Ogum
Aqui
Na praça na raça
Na reza fumaça
De incenso no ar
No canto de encanto
Na fala na sala
Na rua na lua
Na vida de cada dia
Em todo lugar

É Zum
É Zum
É Zum
É Zumbi
Zumbi de Ogum
Guerreiro de Ogum

Aqui
rabo-de-arraia
No aço do braço
No samba de samba
No bumba-meu-boi
No bombo do jongo
Congada batuque
Maracatu
Zumbi Zumbi Zumbi
Guerreiro da Serra
Sob as estrelas acesas
Na madrugada
Nó do ebó na encruzilhada

É Zum
É Zum
É Zum
É Zumbi
Zumbi de Ogum
Guerreiro de Ogum
Aqui

Leva teu cajado desajustado
Que a vida é nó
Cada passo dado, não há legado
Teu rastro é pó

O teu toque é simples
É leve, devagar
Tua mão diz sim
Mas tua história ninguém quer contar

Queima
Vai no canto, vai na contramão
Roda
Tua luz é a escuridão
Chama
Vai de canto, vai na multidão
Leva
Tua luz é a escuridão

Atiro sem alento
Esqueço de inspirar
Semeio meu intento
E me tento a não mais temer
Deixar voar
Pra não ter ruim de flutuar
Não mais temer
Deixar rolar
Que a vida é sopro breve
Que o breve é sopro é ar
Que a vida é sopro breve
Deixa desaguar
Deixa desandar

Voa num mergulho fundo
E nada demais
Segue livre pelo mundo
Que o mundo vai atrás
Samba no caminho torto
E não cai jamais
Se te fisguei, te devolvi pro mar
Tu nada demais

Ando pá virada
Sou rima breve
Sou amanhã

Disfarço pouco
Não me contento
Nem quanto tento
Me acabar
Dias radiosos
Dias radiantes
Dias radicais
Eu vou me envolvendo na fumaça
O sopro do momento não tem graça
É tipo vento raso meu anseio
Já não existe agora, é devaneio

Te vi parar, pensar, tentar em vão
Te equilibrei no olho do furacão
Te vi até esfumaçar a visão
Te derrubei e te recolhi do chão

Pra seguir meu caminho
Mas nunca sozinho
Com o mesmo respeito e mantendo no peito
A vontade e a coragem pra seguir em frente
Tocando e cantando com a minha gente

E da primeira vez que a vi
Nem me mexi
Foi-se a coragem
Que comichão é esse que me tira o prumo
Me faz viver essas miragens?

Mulher porque tu faz assim?
Tu não tem dó de mim?
Achei que fosse lenda isso de amor
Mulher
Achei que fosse história
Esse troço que me aperta o peito e da calor

Sempre me julguei valente
Fosse quem fosse o "homi" eu enfrentava
Debaixo do sol quente, sobre essa terra
Não tem um que me ganhava

Respeitado em toda redondeza
Sem conhecer as alegrias da paixão
Feliz de mim que desavisado
Me vi apaixonado assim de supetão

Quebrada é seleção de amizade pra não passar apuro
Tipo água e óleo do ruim, tô perto mas eu não me misturo

E aqui dentro vai guardando o medo
Mantendo em segredo o que deve mostrar
Pois já tem medo de se ver sozinho se perder do caminho
Por compartilhar

E vai voando de flor em flor, feito beija-flor
Sem se apaixonar
E pouco a pouco vai perdendo o medo de se ver do avesso
Por saber amar

Eu só quero andar
Nas ruas de Peixinhos
Andar pelo Brasil
Ou em qualquer cidade
Andando pelo mundo
Sem ter sociedade
Andar com meus amigos, e eletricidade
Andar com as meninas
Sem ser incomodado

Banditismo por pura maldade
Banditismo por necessidade
Banditismo por uma questão de classe

Há um tempo atrás se falava de bandidos
Há um tempo atrás se falava em solução
Há um tempo atrás se falava e progresso
Há um tempo atrás que eu via televisão

Com a barriga vazia eu não consigo dormir
E com o bucho mais cheio comecei a pensar
Que eu me organizando posso desorganizar
Que eu desorganizando posso me organizar

Tô enfiado na lama
É um bairro sujo
Onde os urubus têm casas
E eu não tenho asas

Se cada um é um universo
Quem salva uma vida salva um mundo inteiro
Seja protagonista da sua história
Pega a folha e muda o roteiro

Me chamam de fominha estilo Neymar
Mas se não é o pai no time, quem vai resolver?
Só não me chamam de mascarado
Eles são geniosos, eu sou genial...
E nessa escada de sucessos
Minha humildade é o degrau

Deixo ela em chama e hoje ela vive a me chamar de Nero
E eu vivo desde menor a chamar dinero