Coleção pessoal de pensador

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Alguém fez algo de errado por aqui. Sempre dizem para não questionar Deus. Mas eu questionei. Por quê?

Gosto quando tornados passam, porque faz com que todos se unam. Se não houver um tornado, o Mississippi permanece dividido.

Recebemos cartas de todo o país. Por ano, no mínimo, milhares de cartas de homens e mulheres encarcerados. Muitas dessas pessoas estão presas há duas, três décadas. Elas estão sem tempo, então nos procuram. Essas cartas representam seres humanos que estão presos e alegam terem sido condenados injustamente. Em muitos aspectos, somos a última instância.

Você conhece a minha fé
E meu destino
Maré, jangada guiará

Não sei se um dia vou voltar
Estou aqui frente ao mar
Meu horizonte a Deus dará, confesso

Lembro os beijos
Teus e os meus
Aquém e além

Os benfazejos beijos
Réus e reis
Romãs do amor

Seja o beijo
A moradia
De afrodeuses

E de Piaf edite
O que Afrodite autorizou

E a areia a escamar, tudo aquilo que restou
E no fundo forjar, uma pérola no peito
E fazer valer todo tempo que escorreu nas mãos
E no sopro do vento me olhar

Enquanto eu penso em teletransportar
Escuto triste a TV
Me parece que o mundo não saiu do lugar

Diz o que cê fez pra me prender
Qual feitiço que você me jogou
Nessa armadilha feita por você
Ela me suga amor

Mulher indecifrável, não há nada parecido
Ela é código binário, pirâmide do Egito
Menina indomável, um tesouro perdido
Valor inestimável e o seu mapa tá comigo

Ultimamente ninguém liga pro que eu tô sentindo
Me diz o que faria se ninguém quisesse te entender
Quero ver, mas seu orgulho não deixa eu voltar, não

Eu tento não pensar mas a chuva caindo me lembra você
E você tenta dormir só que passa a madrugada pensando em nós
Nosso tempo não para e parece que eu nunca parei pra perceber
Que meu dia era lindo se quando eu acordasse eu ouvisse sua voz

eis o início de um grande amor:
carniça

Lince

amor sulcado de cólera
energia escura das pedras

anjo e víscera
avança, destroça

a língua aguça
o corpo epilético
da selva

caninos celebram
áurea miséria da carne

buquê de carcaças

Intermitências

O que em ti há de mar
sereno, brando
em mim, centelha
não pede,
vocifera

Teus vocábulos são lobos vociferando nos vãos de minha vigília.
Negros chacais riscando sílabas em minha cintura.
Percorrendo a cordilheira encarnada de meus cabelos.
O terraço afogueado de meu ventre.

Imolação

Dentro dos poemas
os espelhos rosnam
cães açulados
o sangue cintila na jugular

Sou devorada pelas imagens

Mimetismo

Transmuto-me
sereia, onírica
deitando em tuas águas
meu corpo, meu verso
ígneos

O capitalismo não pode imaginar um mundo em que a produção seja dissociada do trabalho e dos salários.

O capitalismo está morto, mas continuamos vivendo dentro do cadáver.