Coleção pessoal de pensador
Se não sei quais são os meus sonhos, é sinal de que parei de me ouvir; sim, pois é da natureza humana nunca parar de sonhar.
Só buscando me transformar todo santo dia é que consigo mudar de verdade. Com consistência. Com sabedoria.
– Do que você gosta na Aster?
– Ela é bonita e inteligente. O que mais poderia ser?
– Não sei. Como os olhos dela se encontram com os seus. Como você é capaz de viver no oceano dos pensamentos dela…
Eu tenho um negócio: fazer redações para as pessoas. Acho que nunca pensei que precisaria de outra pessoa.
A sua escolha é simples: não é entre Charles A. Lindbergh e Franklin Delano Roosevelt, mas entre o Lindbergh e a guerra.
Não vou deixá-los me expulsarem daqui. Este aqui é o meu país! Se os antissemitas quiserem um país, podem escolher outro! Este aqui, não!
Eu era a única judia da classe. Eu não tinha amigos. As pessoas passavam pelo nosso apartamento, apontavam e diziam: “É onde os judeus moram.” Como se fosse algo que tivesse que ser dito a todos.
À beira do mar. Tinha
uma casa, o meu sono
à beira do mar.
Alta proa. Por livres
caminhos de água, a esbelta
barca que eu governava.
Os olhos sabiam
todo o repouso e a ordem
de uma pequena pátria.
Como necessito
contar-te o espanto
que produz a chuva nos vidros!
Hoje cai fechada a noite
sobre a minha casa.
As rochas negras
atraem-me ao naufrágio.
Cativo do cântico,
o meu esforço, inútil,
quem pode guiar-me à alva?
Ao pé do mar tinha
uma casa, um lento sono.
Chuva
De nenhuma parte chega. Partir?
Não há palavra mágica que rompa
este costume de olho, este silêncio
sonoro de dardos. A primavera, o luxo
dos anos e da luz, se perdia agora
no caminho vencido. As esperanças
morreram a tempo. De novo, tudo é perfeito
ao longo do vazio: a chuva lenta
não vai a parte alguma.
Às vezes é necessário e forçoso
que um homem morra por um povo,
mas nunca há-de morrer todo um povo
por um só homem: recorda isto sempre, Sepharad.
Faz que sejam seguras as pontes do diálogo
e tenta compreender e estimar
as razões e as falas várias dos teus filhos.
Que a chuva caia a pouco e pouco nas semeadas
e o ar passe como uma mão estendida
suave e mui benigna sobre os vastos campos.
Que Sepharad viva eternamente
na ordem e na paz, no trabalho,
na difícil e merecida
liberdade.
