Coleção pessoal de pensador

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⁠Quero que você se lembre de que mudar o próprio comportamento é uma conquista extraordinária e que vai lhe render uma bela recompensa pelo resto da vida.

⁠Aprender a se ver através dos olhos de um ente querido pode ser um tremendo estímulo para o crescimento, assim como ser receptivo à crítica é parte de qualquer relacionamento importante.

⁠O importante não é quem vence a discussão, mas como você quer ser tratada.

⁠Você nunca deve considerar críticas que tenham como finalidade principal ferir, mesmo que contenham mais do que uma pequena parcela de verdade.

⁠Li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios,
quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?
quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão:
se tinha paixão pelas coisas gerais,
água,
música,
pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,
pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,
paixão pela paixão,
tinha?
e então indago de mim se eu próprio tenho paixão,
se posso morrer gregamente,
que paixão?

⁠Minha mãe amava esse poema. Nós líamos na hora de dormir desde que me lembro. Se trata de encontrar esperança, mesmo nos tempos mais sombrios. Minha mãe sempre tinha esperança e eu também. Até que perdi a minha. Vocês me ajudaram a encontrá-la de novo.

⁠Meus ouvidos não doem por você cantar alto, falar alto e contar piadas ruins. Na verdade, se você vir a antiga Amber, pode dizer que era um inferno estar perto dela. Toda aquela alegria nojenta e prestatividade. Otimismo. Ela era insuportável.

⁠- Era uma casa - como direi? - absoluta.
Eu jogo, eu juro.
Era uma casinfância.
Sei como era uma casa louca.
Eu metias as mãos na água: adormecia,
relembrava.
Os espelhos rachavam-se contra a nossa mocidade.

⁠Desculpe, mas deve ser péssimo a vida não ser justa. Sabe o que fazer para se sentir melhor? Sei lá, deveria curtir com seus pais na sua casa de férias. Talvez isso te ajude a superar a vida e a enorme injustiça.

⁠Você faz muito pelos outros, mas quando precisa de ajuda, nos afasta. Qual é o problema de ser ajudada? Se não fizer sozinha, se sente fraca?

⁠Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
Falo, penso.
Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
É sempre outra coisa, uma
só coisa coberta de nomes.
E a morte passa de boca em boca
com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.
Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.
Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes canta e sangra.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono,
e o que é o outono?
As pálpebras batem contra o grande dia masculino
do pensamento.
Deito coisas vivas e mortas no espírito da obra.
Minha vida extasia-se como uma câmara de tochas.

⁠A dor que está sentindo e o luto… Acho que é só canalizar. Canalize e coloque na sua música. Porque é isso que um artista faz.

⁠Não consigo nem imaginar o que você está passando agora, mas seu talento, o motivo pelo qual ganhou esta oportunidade, ainda está aí. Não vai desaparecer. Continua dentro de você.

Sobre um Poema

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
- a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

- Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
- E o poema faz-se contra o tempo e a carne.

⁠não me importo que o vestido
suba com o vento
até certo centímetro da perna
lembro-te que já disseste todos os fins
das coisas
aceito até os pardais
que chocam em contramão com
Bóreas
aceno às mulheres
nas varandas
e digo-lhes:
prendam bem a roupa no arame
ladrões há muitos
o meu vestido é uma bandeira:
agita sem rasgar
sem fronteira sem hino
recorta os flancos e funde nos joelhos
uma profunda melodia:
o mar na areia
mas não sou cacique
e o vento não me fala
não há um gesto de tréguas
e ainda tento
ainda penso agarrá-lo entre os dedos
ainda o procuro na gota de silêncio maior
vento, vem
vento, fica
mas só o meu vestido se espanta
e dança
contra a minha vontade

⁠a minha avó repete:

o tempo cura a ferida
mas não cura a cicatriz

e nenhum outro poema
de nenhum outro poeta
me falou tão alto ao ouvido

⁠BIOGRAFIA EM VIDA

Se fossem regados
os meus canteiros
fariam brotar
flores de plástico.

⁠agora
compreendo melhor
as garras dos gatos:

também eu gostaria
de esconder
punhais
por baixo
de um corpo manso

⁠e se perguntarem por mim
diz-lhes que fui à minha procura.

⁠Escapa aquele que consegue ver
um ponto mais à frente.

Como se estando aqui,
Já estivesse além.