Coleção pessoal de pensador

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⁠Examine as razões que o impelem a escrever; observe se elas estendem raízes no ponto mais profundo de sua alma; confesse a si mesmo se acabaria morrendo caso fosse impedido de escrever. E sobretudo isto: pergunte-se no momento mais silencioso da noite: “Tenho necessidade de escrever?”.

⁠Não sei nada sobre a minha obra. Só sei que a escrevi. Durante cinquenta anos pude escrever tudo o que queria escrever.

⁠Se você é coerente consigo mesmo, o resto é suportável. Eu suporto.

⁠Escrever é ir em direção a muitas vidas e muitas mortes.

⁠Considero ignorante quem não ousa se aproximar das coisas absurdas, do indizível.

⁠Tudo de mais essencial do que pude dizer, eu escrevi.

⁠Acho que todo escritor põe o mais verdadeiro de si no que escreve.

⁠Acho que é muito difícil, nos tempos atuais, uma pessoa ser otimista.

⁠Eu acho que a literatura vem desse conflito entre a ordem que você quer e a desordem que você tem.

⁠Talvez eu seja uma pessoa com uma intensidade meio desesperada, uma lucidez também desesperada.

⁠Eu acho que a vida transborda, não existe uma xícara arrumada para conter a vida!

⁠É o processo da vida que é tão complexo! Eu não saberia simplificar esse processo para ser mais compreensível, é o meu próprio processo dificultoso de existir que faz com que venha essa avalanche de palavras, umas assim barrocas demais, e que tudo seja misturado.

⁠No mundo de hoje só um louco é que não pode pensar em utopias. Temos que desejar a utopia, sonhar com a utopia.

⁠Acho isso impensável: existir.

⁠Eu sempre vi o mundo de uma forma mágica, eu vivo em um estado de comoção contínua, renovada, diante das coisas…

⁠É preciso estimular a mente do outro. Nem que esse outro não entenda direito, não tem importância. O estímulo foi dado.

⁠O que faz nascer a minha poesia é a não aceitação de que um dia a vida se diluirá e, com ela, o amor, as emoções do sonho e toda essa força em potencial que vive dentro de nós.

⁠Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.

⁠Não há silêncio bastante
Para o meu silêncio.
Nas prisões e nos conventos
Nas igrejas e na noite
Não há silêncio bastante
Para o meu silêncio.

Os amantes no quarto.
Os ratos no muro.
A menina
Nos longos corredores do colégio.
Todos os cães perdidos
Pelos quais tenho sofrido
Quero que saibam:
O meu silêncio é maior
Que toda solidão
E que todo silêncio.

⁠Só não existe amargura
onde não existe o ser.