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Coleção pessoal de nildinha_freitas_1

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Poema musicado
Nildinha Freitas
Eu e você, Alê


Olha bem para o amor da gente
Olha como ele aconteceu! ?
Quem imaginaria juntar você e eu?


Estávamos
separadas pela linha do horizonte,
ainda assim o destino
Nos juntou.


Sei lá, talvez tenha sido amor,
desde antes de ser
Como você sempre me diz :
tinha mesmo que acontecer!


A gente se encontrou na hora certa,
depois de tanto esperar ter paz
e eu não tive medo de insistir em ficar.
Não que fosse preciso fazer isso,
é porque eu sabia
que tinha ali a conjugação do verbo amar.
E você também me queria, eu sei,
só que não sabia dizer,
não sabia expressar.


Foi acontecendo, acontecendo…
até que, de repente,
já éramos morada uma da outra.


E esse amor
Não é unilateral
Ele se revela
nos detalhes,
no zelo
E quando a gente se olha e diz :
vai ficar tudo bem no final!


Nosso encontro aconteceu
Agora é você, e essa sou eu.


Eu já não consigo imaginar
seguir minha vida sem teu abraço,
sem teu sorriso no final do dia,
sem nossas gargalhadas assistindo The Big Bang Theory


Com ou sem medo, a gente vai,
porque no final do dia a gente se tem.
Nosso amor só aconteceu
É amor entre eu e você Alê

​A Maldição do Ego


​É tanta guerra por todos os lados: guerras por poder, por território, por ouro, por petróleo. É tanta guerra acabando com sonhos, destruindo vidas. São tantas guerras secando a esperança daqueles que perdem quem amam e deixando sem esperanças aqueles que perdem o amanhã. O sol brilha e o céu também brilha à noite, mas não são estrelas por lá. Assusta.
​É tanta guerra, é tanta gente que não está nem aí, gente que não se preocupa, que não liga. É guerra do ego, guerra para dizer quem manda mais.
​Não faça de conta que não vê, que não enxerga tudo o que está acontecendo porque parece longe demais, mas está perto. Não faça de conta que não vê o mal dominando o mundo, não finja, não ache normal, não aplauda. Não faça isso! Não fique de um lado defendendo mortes e maldições.
​São tantas guerras explodindo lá fora. São tantas guerras explodindo aqui dentro de mim que parece até que o mundo não tem mais jeito. Mas tem. Acredite.
​Me abraça! Me abraça!
​Sinto medo de vez em quando. E, de vez em quando, eu também sinto coragem pra enfrentar o que parece ser o ponto final.
​O que é a vida, afinal?
​Nildinha Freitas
Poeta Potiguar

​O Tempo
​O tempo é um sábio que evita falar.
É um senhor que sabe a hora de calar.
O tempo, o tempo é, inevitavelmente, um remédio que ajuda a curar.
O tempo, ah, o tempo ensina, porque é só nele que a gente cresce ou morre.


Nildinha Freitas

Colheita


Ninguém apaga a história de quem nasceu pra brilhar.
Quem é que pode apagar? Quem pode passar uma borracha no passado do bem que a gente plantou?
Também não dá pra apagar o mal das vezes que se falhou.
Mas eu sei bem o que plantei até aqui. Sei bem também o que vou colher.
Na verdade, eu já colho todo dia:
colho amor, colho alegria, colho até poesias,
essas que escrevo pra você ler.
Se você ainda não sabe, é melhor aprender:
tudo aquilo que se planta, tudo aquilo que se joga na terra do destino,
uma hora é inevitável, você vai ter que colher.


Nildinha Freitas

A Palavra de Deus sempre me ensinou: “Seja forte e corajosa”. Durante toda a vida, fui chamada de forte por aqueles que não conhecem a minha história por inteiro. Mas a verdade é que eu não sou forte o tempo todo, apenas nunca deixei de permanecer em pé.
Já enfrentei lutas, como qualquer pessoa que agora me lê. Atravessei mares sem saber nadar. Construí pontes sem ter materiais nas mãos; pontes erguidas apenas pela imaginação e pela fé.
Vesti a armadura da força, e talvez tenha sido ela que, aos poucos, me construiu por dentro. Medos? Eu tenho. Sempre tive. Mas a coragem nunca me faltou. Alguns medos eu guardei em silêncio, outros rasguei como papel.
Ser forte não é não sentir medo. Ser forte é continuar enfrentando, mesmo sem saber se vai perder ou ganhar.


Nildinha Freitas

O que é sabedoria, então, senão saber a hora de sair quando não é bem-vinda e de chegar quando é alegria? Sabedoria é saber a hora de calar, quando as palavras não vão resolver. É saber a hora de gritar, quando o silêncio passa a doer. Sabedoria é saber o caminho certo, mesmo quando você não tem certeza alguma. Sabedoria não é uma coisa que nasce pronta, que você pega a chave e vai, não. Sabedoria é construção.


Nildinha Freitas

Eu gosto do mar porque ele sempre me acalma.
O som que ele faz, o cheiro que tem me lembram o aconchego do lar, não de uma casa de teto, mas do lar materno que me habita e que um dia eu habitei.”
Nildinha Freitas

Tentaram me calar, impedir a minha voz. Tentaram me esconder, me invisibilizar, mas eu não aceitei. E foi por não aceitar que, quando quase morri, eu não me matei.
Tentaram me esconder, apagar quem eu sou. Mas como apagar o sol e o brilho que as estrelas têm?
Nildinha Freitas

É gratificante acordar e ter a certeza de que, apesar das inconstâncias da vida, tenho feito o melhor que posso, com aquilo que tenho em minhas mãos.
Acreditar que o futuro que me espera acontece no instante presente, no aqui e no agora.
Sigo com esperança no coração.
Um passo, outro passo, e fim.

A morte não rouba ninguém
Nildinha Freitas


Um dia, quem sabe, eu saiba mais um pouco sobre esse processo que leva a morte a me alcançar. Uma corrida insana que parece que eu nunca vou ganhar. Mas o que é vencer, afinal? O que é morrer, senão continuar depois e depois?
A vida, essa que tanto estimo e à qual me apego, é um caminho que começa e nunca termina. Só muda o cenário, feito filme. Mas quem continua, protagonista da própria história, sou eu.

Casa

Casa não é o teto
sobre quatro colunas e paredes.
Casa é gente
com a alma aquecida de amor.
É onde a gente chega sem medo,
onde a gente pode falar sem dor.
Casa não é só chão
onde a gente pode pisar,
é coração
que pulsa
sem ninguém machucar.
Nildinha Freitas

Sigo


​Deixar o passado para trás, perdoar por ter sido julgada e me perdoar por ter sido cruel, tantas vezes, comigo mesma e com os outros.
​Perdoar os erros que eu não sabia que eram erros.
​Deixar que o hoje, o agora, seja sempre uma oportunidade de recomeçar.
​Deixar os passos do passado como aprendizado, como ensinamento.
​Saber perdoar, porque eu também já precisei de perdão e recebi.
​Nildinha Freitas

Eu quero ser feito água, que encontra caminho no meio das pedras, que não fica estagnada, parada, esperando cair mais chuva do céu para se tornar grande.
Eu quero ser feito água, que é nascente, que é encontro, que é meio, mas nunca é fim.
Eu quero ter as forças das águas dentro de mim.
Nildinha Freitas.

Olhei pela janela e vi diferente. Dessa vez, não tinha ninguém passando na rua, não tinha um passarinho beliscando uma folha, não tinha um camaleão andando despretensiosamente. Abri a janela e vi tudo diferente. Tudo estava tão diferente. A janela é a mesma, o lugar é igual. O que mudou, afinal? Talvez eu não note mais as coisas que eu notava antes. Eu mudei. Talvez eu não ouça o barulho do mundo que havia gritado o tempo todo em minha mente. Parece que tudo se aquietou. Há silêncio em mim. E isso é paz.
Nildinha Freitas

Dizem


Dizem por aí que ser livre é cafona, que é coisa de gente brega, de quem não quer seguir os padrões sociais antropologicamente impressos há milhares de anos como os mais coerentes.
Dizem que não aceitar desrespeito é coisa de quem não tem o que fazer.
Dizem que calar é elegante, que fingir demência diante da maldade merece um prêmio diamante.
Dizem que aplaudir os “maus” traz mais resultado do que jogar na Mega da Virada, mas que a virada de chave é perigosa e não deve acontecer.
Dizem que evoluir é coisa de gente careta e que seguir o “gado” é a solução do planeta.
Dizem.
Só falam.
Não calam.
Nildinha Freitas

Quando o silêncio amadurece a palavra


É importante escolher quem são meus amigos. Falo de amigos de verdade, não de amigos de ocasião. Amigos permanecem, estejamos no pódio ou no chão. Assim como é fundamental saber com quem não devemos sentar à mesa.
Tenho mais de 40 anos, e faz tempo. Para muitos, sou ultrapassada. Antiga. Mas penso que nunca, em toda a minha vida, estive tão pronta.
Nunca soube ouvir tanto quanto agora. Nunca calei tanto como hoje. E não me calo por medo de falar. Calo porque entendi que a fala é um instrumento poderoso e que só deve ser usada quando necessária e útil. O silêncio também é palavra.
E com toda essa idade, que para alguns me faz parecer jurássica, aprendi a escolher com quem me sento à mesa e a compreender que a palavra amigo não se usa para qualquer um.
Nildinha Freitas

A dor que não curei


A minha dor, que eu não curei, me fez machucar muita gente, até a mim.
A minha dor, a dor que eu não curei, me matou, e eu matei.
Não usei armas. Usei a dor que não tinha sido curada como espada e como faca.
Não matei literalmente; matei sem usar a força, só com a dor que eu ainda não tinha curado.
A minha dor, que eu ainda não curei, vez por outra grita, mas não ando mais por aí destilando o que dói em mim; sigo buscando a cura o tempo todo, até o fim.


Nildinha Freitas

Janeiro

Hoje é dezessete. Janeiro já está indo embora. O que foi que você fez? Pergunto a mim mesma o que eu fiz até agora.
Hoje é dezessete; janeiro já se vai, batendo à porta de fevereiro, querida. E eu me pergunto: o que tenho feito? O que tenho feito da vida?
Eu sorri, eu dancei, eu cantei. Eu cantei meu samba favorito. Corri nas estradas e caminhei olhando o sol. Banhei-me nas águas do mar e da cachoeira.
Eu li o mundo como se fosse um filme: as pessoas indo e voltando às pressas. Na tela, pessoas que não olhavam de volta.
Hoje é dezessete. Janeiro já está indo embora, mas eu não.
Nildinha Freitas

Janela do Tempo
Passei muito tempo da minha vida acreditando que nada estava mudando, que tudo permanecia no mesmo lugar. Mas hoje, ao olhar no espelho, é como se eu tivesse atravessado uma janela temporal que subitamente me trouxe até uma mulher cheia de experiências, capaz de compreender as coisas e de enxergar o mundo com um olhar diferente. Viajei cinquenta anos para chegar até aqui. Não será agora que vou desistir. Diante do espelho, desse espelho que me transportou, vejo o quanto mudei. A pele mudou, o corpo mudou, há marcas que antes não existiam: rugas, cabelos em tons diferentes daqueles da cor original.
E ainda assim, ao olhar com atenção, vejo que, não sendo eu a mesma menina, embora ela continue morando em mim, eu ainda consigo enxergar nos meus olhos o brilho de quem quer mudar o mundo, inclusive o meu.
Nildinha Freitas

Transcrevo o que o coração escreve antes das palavras virarem grafia. Tudo o que sou é poesia!
Nildinha Freitas