Coleção pessoal de marinhoguzman

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Para um bom sempre surgirá alguém melhor.

Na maioria das vezes nos esforçamos para sermos bons, um ou outro consegue ser o melhor, às vezes com grande esforço, outras vezes com tal facilidade que parece, o sujeito “nasceu para aquilo”.
Mas ninguém será o melhor, nem insubstituível por todo o tempo.
Marcas são superadas, novas tecnologias fazem com que as maiores descobertas caiam no desuso e fenômenos podem ser campeões do ostracismo.

Qual será a razão da vida? Temos algum papel no Universo?

Continuo buscando as respostas, mas desisto rapidamente.
Cheguei à conclusão, ainda provisória, que essa não é a pergunta a ser feita.
Estivessem certos dezenas de filósofos, estariam errados outros tantos, estivessem certos milhões que professam determinada religião, estariam errados todos os outros.
Não sei explicar o que não entendo, nem entendo o que tantos se esforçam por professar como verdade mas que soa tão falso.
Não dá para aproveitar um pouco de cada ideia, sem escrever uma ou várias mentiras.
O que serve para uns não serve para outros, nem para todo mundo.
Talvez a maneira como cada um responda a essa questão, determine o modo como encara a vida e como isso influência as decisões que toma.
Por hora, deixo a razão de lado e fico com Sarah Westphal.

“Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

As nossas tristezas, as alegrias dos outros e a vida de cada um.
Todo dia eu leio aqui no Face pelo menos uma postagem das pessoas pedindo que os outros cuidem mais das suas próprias vidas. Afinal, Deus teria dado uma vida para cada um cuidar da própria.
E todo dia eu leio dezenas de pessoas interagindo, solicitadas ou não a dar um palpite nos problemas da vida. Da sua, da nossa, e na dos outros.
Viver em sociedade é mais ou menos como morar em casa de muros baixos, mesmo que a gente não queira, acaba vendo a roupa do vizinho no varal.
Pior que isso, é quando o vizinho de muros baixos deixa a roupa suja exposta ou como se costuma dizer, lava a roupa suja em público.
Baixarias e barracos à parte (esses sem muros mesmo), a maioria das pessoas bem criadas tem noções de educação, de compostura e de convívio social.
Incentivadas e potencializadas pelo álcool e outras drogas, essas proibidas e igualmente maléficas, encontramos os que apesar da educação recebida não aplicam corretamente a sua porção de discrição e vivem arrumando encrenca em nome de um gênio forte.
É sabido que o álcool na primeira e segunda dose alegra, da terceira para cima age de maneira diferente para cada pessoa.
Da euforia à violência é um passo ou uma dose, e a gente observa a vida dessas pessoas sendo destruídas e levando junto a de mulheres e maridos, filhos e pais e de gente que inadvertidamente se aproxima, ás vezes com a melhor das intenções.
Ontem eu vi a segunda mulher de um desses seres problemáticos. Sob a carapuça de empresário bem sucedido, sua recaída no álcool e quiçá em outras drogas, caminha para a demolição de mais um casamento, para mais uma família desfeita e para colocar na sociedade mais um filho criado sem pai.
Fico pensando cá com o meu teclado o que é que eu tenho a ver com a vida dele? Afinal, Deus me deu uma tão boa. E pensando na minha vida, na vida dos outros e nas tristezas que a dependência química causa a tanta gente eu não resisto e meto o bedelho para espalhar. O álcool não deve fazer parte da vida dos adolescentes, a lei precisa ser cumprida e quem brinca com fogo termina queimado.
Palavra de quem já teve problemas com o álcool.

A vida.

Somos ensinados que a vida é uma dádiva e que devemos festejá-la.
E é isso que fazemos, uns mais, outros menos, algumas pessoas todo o tempo, acreditando que no final tudo vai dar certo.
E vamos tentando, apesar dos pesares, de parecer que a imprensa só serve para mostrar problemas onde existam, descobrir uns que estão escondidos e em algum caso inventar para aumentar a audiência.
Alguém deveria medir o tempo que a imprensa gasta para divulgar as coisas ruins, os crimes e os desastres e obrigá-la a mostrar em igual tempo (pelo menos) coisas boas e dar ideias construtivas para que a gente continue a pensar que a vida vale a pena, que o pior já passou, e não pensar que o melhor foi o passado.
Passei a vida evitando pequenos acidentes, para perceber que o fim é o grande desastre.

Porque escrevo?

Porque procuro alinhar palavras que traduzem meu pensamento e este num texto? Porque publico esses textos e o que espero com isso?
Assentimento? Concordância? Solidariedade? Simpatia? Reconhecimento? De quem? Para que?
Não há novidades nas minhas palavras. Tudo o que tinha que ser dito, escrito e lido já foi.
Escrevo o que todo mundo já sabe e no máximo talvez se pergunte:- Porque eu nunca pensei isso dessa maneira?
Escrevo porque gosto, sem nenhuma preocupação em ser original.
Afinal, quem é original? As palavras são sempre as mesmas, apenas são dispostas de maneira diferente.
Não há, aprendizado para escrever, existe a observação do que acontece com a gente e perto da gente e vontade de deixar um testemunho do que se viu e viveu.

Quando você pensa que está entendendo os mistérios da vida, percebe que está chegando a hora da morte.

Marinho Guzman

Sonho.

Quando os primeiros raios de sol entram pelas frestas da janela, driblam a cortina e conseguem clarear ligeiramente o quarto, é hora de levantar.
Os pensamentos confusos, podem ser os de um sonho, mas são rapidamente substituídos pela realidade de mais um dia da nossa história.
Quase tudo é mecânico e quando o olhar encontra o espelho do banheiro, é possível ver, numa fração de tempo, toda trajetória de vida exteriorizada nas rugas, tais quais digitais.
Não sei se todo mundo acorda igual, mas a vida moderna tem se encarregado de massificar quase tudo, inclusive o dia a dia.
Mega cidades com dezenas de milhões de pessoas, estradas de muitas pistas, avenidas largas com intermináveis congestionamentos, metrôs lotados, estádios com milhares e milhares de pessoas, todas torcendo para apenas dois times.
Em todo lugar há multidões andando de um lado para outro, num esforço hercúleo e insano para conseguir alguma coisa que satisfará necessidades efêmeras.
E eu matutando, sem medir esforços, para entender porquê e para que tudo isso. Qual será a mola propulsora para atingir os objetivos? Quais são os objetivos?
Os últimos raios de sol deixam o horizonte. Fecho a janela e as cortinas impedem a entrada de qualquer luz.
No escuro, espero o sono e um possível sonho esclarecedor. Por que a gente sonha dormindo e quase nunca realiza os sonhos, quando está acordado?

Março chegou.
Mais uma vez, como nos últimos anos, cada dia que passa, cada mês que termina, traz mais e mais reflexões, do que é a vida. Como e porque estamos aqui, como temos vivido com a definitiva certeza, de que a vida terrena, como a conhecemos, será uma só, essa e só essa.
Não tenho as palavras certas mas é nítido o sentimento que é preciso fazer mais alguma coisa relevante, que à medida que envelheço há uma mudança nítida nas prioridades, nos propósitos, na maneira de encarar a mim mesmo e aos outros e principalmente a mim mesmo em relação aos outros.
Não há como generalizar e comparações são sempre válidas se entendermos que tudo, qualquer coisa, pode ser comparada à outra, ainda que seja para constatar a completa diferença e incompatibilidade.
Março chegou!

Finalmente!
Encarapitado na esteira ergométrica, como se fosse o mais alto degrau de um pódio, observo a bela academia.
Foram semanas de espera e hoje ao fim do exercício, sob o som estridente da música eletrônica com quase oitenta decibéis,(se é que se pode chamar isso de música), dou valor de pódio à minha vitória.
Antes isso do que funk, forró universitário e outras coisas que dizem ser música. Antes isso do que a decrépita academia do quase finado Clube Vila Souza.
Se o som fosse simplesmente o da Rádio Saudade FM, aí sim teríamos música boa de verdade.
Do alto do “meu pódio” pude ver nos últimos dias muita gente legal. Minha amiga Rosangela Artilheiro Esteves, figura querida, gata e gateira, sempre presente na melhor academia que tenha na cidade, Amanda Palma, Beatriz Palma, a amiga Thalita Garcia e mais alguns rostos conhecidos.
Moços, moças, algumas pessoas nem tão moças como eu, todos se exercitando, cada um com seu propósito, que varia da fuga da vida sedentária, caminho sem volta para aumento de peso, do colesterol, do triglicérides, do ácido úrico e outros inimigos da vida saudável, os costumeiros marombeiros e marombeiras, algumas delas com a voz mais grossa do que a do que a do Barry White.
Mas o que mais tem são garotos e garotas desfilando umas camisetas bem bacanas, mocinhas com roupas coloridas e umas “aparecidas”, fantasiadas de periguete e mais enfeitadas que árvore de Natal de shorts, saias e uma roupinha nova que é as duas coisas, shorts e saia e que mostram mais as curvas, as saliências e reentrâncias, com suas cores e contrastes do que se estivessem nuas(isso não é uma reclamação, só constatação).
Mereço esse lugar “no pódio” pela paciência que tive no último mês para chegar ao fim de quarenta e cinco minutos ininterruptos na esteira, com a marca de trezentas calorias em quatro quilômetros.
É pouco, eu sei, mas foi só o primeiro dia e quase ele não chega….
Foram mais de trinta dias esperando que a Smart Fit do Guarujá estivesse pronta para abrir as portas, foram dias de dificuldades para ter acesso pela catraca moderna que teimava não aceitar as ordens da funcionária solícita ou a leitura biométrica dos meus dedos tortos e pouco acostumados com a modernidade.
O maior vilão e que deve estar a assombrando muitos abnegados é o tal do atestado médico de aptidão para os exercícios físicos.
Documento obrigatório por uma daquelas regulamentações governamentais impostas de uma penada, o tal atestado médico é mais uma burocracia do que uma proteção ao indivíduo.
Não tenho notícias de que qualquer pessoa tivesse morrido numa academia como a Smart Fit Guarujá - A academia inteligenteque tem, um ou mais professores. E eu os vejo lá diariamente, sempre atenciosos, mas duvido que lá exista um desfibrilador e isso sim faria a diferença porque até atletas profissionais cheios de saúde podem ter um problema e o desfibrilador, esse sim salva vidas.
Mas como brasileiro sempre dá um jeito, a academia disponibilizou um médico que deve ser um dos melhores do mundo porque simplesmente tirando a temperatura e a pressão com um mixuruca aparelho de dedo, ele avalia a saúde do candidato e dá o precioso atestado, tudo pela módica quantia de trinta reais. Chato é a fila de uma hora de espera que meu amigo Caio Borges teve que enfrentar.
Para tentar conseguir o atestado sem pegar fila e sem gastar os trinta reais fui ao pronto atendimento da UNIMED cujo plano pago eu e a Amanda hum mil e quinhentos reais por mês e o médico muito solícito e simpático pediu desculpas, disse que não podia dar o atestado e que eu deveria marcar uma consulta com um clínico que faria uma avaliação completa e só então me daria o atestado. Note que só marcar a consulta na UNIMED pode demorar mais de um mês, ainda que contrarie norma da ANS.
Como recentemente fiz uma bateria mais que completa de exames cardiológicos com o excelente Dr. Ricardo Vasconcellos, foi a ele que recorri.
Portanto agora no pódio, dedico ao Dr. Ricardo, a meus falecidos pais e à minha querida mulher Amanda Palma, esse Oscar, digo esse pódio, ou o que o valha.
Amanhã estarei aqui, caminhando pelo tapete vermelho,digo na esteira,para tentar melhorar a minha marca, sempre com o patrocínio de Biquínis Chiquita Bacana Biquinis Guarujá a quem sou muito grato, que me apoia e sempre me apoiou.

Nada...

Há dias, em que as noites passam num piscar de olhos.
E há noites, que os olhos fecham e abrem, abrem e fecham e as horas parecem não passar.
Diferente, mas quase igual à vida, que apesar do dia a dia, do ano a ano, passa como num piscar de olhos e quando a gente vê, faltam menos dias para viver do que a gente já viveu.
Não há insônia que resista ao cansaço, o sono vai chegar e não tenho medo que demore.
Sem fórmulas, sem conselhos, sem alternativas.
Como toca a música, nada do que foi será, de novo como já foi um dia.


Ouça Como uma onda.Lulú Santos
https://www.youtube.com/watch?v=92XMGTkpu2E

Quase sempre, quem tenta ganhar uma discussão no grito, esconde a revolta muda da própria ignorância e do trato com o raciocínio lógico.
O uso correto da palavra pode levar opiniões divergentes a um denominador comum.
A gritaria só convence a todos que a presenciam que a ignorância fala mais alto, mas não tem força para garantir vitória.

Quando as relações se deterioram é como um cristal que se parte.

Não há remendo que resolva. Melhor abandonar uma causa perdida do que continuar a procurar remédio para o que vai continuar sendo só remediado.
Só se vive uma vez e se você tiver isso presente, vai ver que a perda de tempo talvez seja o único erro que não pode ser repetido.
Só se vive uma vez, uma única vez.
Não perca nenhum tempo com quem não merece, porque essa pessoa estará roubando a sua vida.

Gosto muito de escrever e meus amigos me ajudam muito quando me animam dizendo que um dia eu aprendo...

Umas escaparam de mim, de outras eu escapei.

Antes das redes sociais, raramente a gente ficava sabendo como foi e como está a vida das antigas namoradas. Com quem casaram? Tiveram filhos? Continuam casadas ou se divorciaram? Engordaram desbragadamente ou mantiveram a linha?
Agora na modernidade do Facebook a gente pode acompanhar a vida das ex e a recíproca é verdadeira.
É bem provável que elas de vez em quando ou pelo menos uma vez na vida deem uma bisbilhotada nos ex-namorados.
Devem como eu comentar, para si próprias e com amigas reminiscentes da juventude: Nossa! Como ele está velho! Barrigudo! Os olhos continuam os mesmos mas o resto... Pelo menos parou de beber porque se continuasse já estaria morto.
E foi assim mesmo, passei os primeiros quarenta anos da vida bebendo e trocando de namorada e só parei com as duas coisas depois de um grande susto que me salvou.
Escrevendo essas linhas parece um filme. Lembro da primeira namorada
com quem fui ao cinema. Nós teríamos uns 14 ou quinze anos. Ela está aqui no Face e eu adoro ver que continuamos a ter grande sintonia com as músicas do passado. Ela ama todo tipo de arte, conhece o assunto compartilha telas lindas de pintores famosos e outras coisas de bom gosto. Fico feliz de tê-la conhecido apesar de nossos caminhos terem sido diametralmente opostos depois de algumas sessões de cinema.
Minha segunda namorada teria uns dezesseis anos que eu me lembre.
Não está no Facebook mas lembro de ter ido várias vezes ao cinema à tarde, pois era o programa dos namorados na época e com aquela idade. Interessante é que com dezesseis ou dezessete anos já dirigia o carro do meu pai que o liberava nas tardes de sábado e domingo, mas a mãe dela nunca deixou que fossemos de carro, era a pé ou de Táxi.
Tenho visto aqui uma outra ex namorada, irmã de um grande amigo. Ela prestigia curtindo minhas fotos e textos, já é avó mas quando vejo fotos atuais seu rosto parece o mesmo de quando namorávamos.
Nem tudo são flores e tenho encontrado umas poucas ex namoradas verdadeiras ruínas.

Bem, foram muitas até perto dos quarenta anos quando desacelerei, mas pelo que tenho visto, umas escaparam de mim, mas de outras eu escapei.

Não se consegue resolver os problemas quando não sabe por onde começar.

Às vezes me perguntam se eu comi todas as que eu fotografei e eu respondo que não fotografei todas as que eu comi.

De onde menos se espera é de lá mesmo que não vem nada.

Toda vez que lembro da frase atribuída ao Barão de Itararé, penso no colega na faculdade de Direito do Mackenzie o Ugo Miano.
Foi dele que a ouvi pela primeira vez.
Também não esqueço o barril de vinho transformado em bar que ele me deu, que ficou na minha sala na Rua José Maria Lisboa 586 em São Paulo.
O Ugo não frequentou muito a minha casa, casou logo nos primeiros anos da faculdade e passou para o rol dos homens sérios.
Mas a casa da Rua José Maria Lisboa ainda permaneceu por mais de uma década, reduto dos solteiros e descasados jovens, uma mistura de gente com muita vontade de tirar da vida tudo o que de bom ela poderia oferecer.
Originalmente casa dos meus avós paternos, o imóvel sofreu dezenas de reformas e ampliações, inclusive incorporando o terreno vizinho. Tinha uns oitocentos metros quadrados de terreno e uns mil e duzentos de construção. Fora os puxadinhos.
O endereço era famoso. Tinha O Paparazzi, restaurante bar cujo lema era “Gente bonita se encontra no Paparazzi”. Criação dos amigos Vitinho Arouca, Costa, Chiquinho Ceni,Tico, Mendel, o primo dele e claro eu mesmo, o movimento de carros na porta parava o trânsito nas noites de sexta-feira e sábado.
A presença gente bonita e badalada era incrementada pelos sócios todos muito populares, das garotas bonitas que os acompanhavam e de um "extra-plus" que eram as moradoras do pensionato para modelos iniciantes que eu mantinha nuns cinco ou seis quartos do casarão. Às vezes chegavam a ser vinte!
Uma coisa puxava outra e o Paparazzi beneficiado pela presença das modeletes atraia outras garotas que tinham no mesmo endereço o Estúdio Marinho Guzman, sem falsa modéstia especializadíssimo na descoberta de garotas bonitas com sonhos de estrelato, isso muito antes dos models of the year que fizeram tanto sucesso anos depois.
Eu diria que para mim o casarão da Rua José Maria Lisboa foi o mais próximo do paraíso que eu com trinta anos poderia imaginar.
Tudo passa e tudo passou, apesar de trágicas e prematuras baixas, como o Alemão e do Paulinho Baixaria, dois entre tantos amigos que marcaram época.
Hoje dá para ver no Facebook dezenas de amigos da época e como cada um deles seguiu a sua vida, tendo constituído ou não família, muitos, bem-sucedidos ou pelo menos fazendo o que sempre gostaram.
Essa mistura de “atividades” não se enquadra no título, mas foi uma bela lembrança.
Na José Maria Lisboa por menos que qualquer um esperasse, quase tudo acontecia.

9...8...7...6...

Viver é uma contagem regressiva para o inexorável fim.
Pessimistas, otimistas e realistas têm como denominador comum esse encontro fatal e estar preparado pode significar para o pessimista uma chance de viver mais e melhor, para o otimista uma desagradável surpresa e para o realista uma coisa esperada.
Além do resultado comum há para todos a ignorância do que virá e se virá algo mais ou não depois.

5...4...3...2...

Carnaval.

Não lembro, a não ser pelas fotos, como foram meus carnavais na infância em São Paulo na Rua Pamplona, nem no Clube Palmeiras onde me levaram e tinha também o corso pela Avenida Atlântica em Santos onde meu pai tirava as portas traseiras do Chevrolet 1.956 para que pudéssemos entrar e sair rapidamente quando o cordão andava.
Lembro pelas fotos, mas vejo que não adiantou ter sido fantasiado de Zorro, Arlequim ou de Superman porque meus heróis sempre foram e são mais reais, mais pé no chão, mais gente de verdade.
Na juventude, época dos dezoito aos vinte e poucos anos, ensaiei tímidos passos carnavalescos nos salões, do Tênis Clube de Vera Cruz e mais tarde no de Marília, Sempre empurrado pela molecada para ficar o mais perto possível das garotas de shorts e bustiê, pegar na mão de alguma ou colocar o braço nos seus ombros. Isso era o máximo da ousadia.
Tudo isso era feito meio entorpecido pelo rum com Coca-Cola ou pelo wisky Old Eight que o barman despejava sobre pedras de gelo sujas, arrancadas de barras depositadas no chão de qualquer maneira, como era usual na época. Não raro havia séria revolta estomacal na molecada, até mais de uma vez por noite.
Quando eu tinha meus trinta anos meu espírito carnavalesco esteve ainda mais recolhido na época da festa do povo e houve um tempo que eu justificava dizendo que a minha vida era um verdadeiro Carnaval o ano inteiro.
Nesses dias de Carnaval eu montava na minha Honda Setegalo e depois na Honda Gold Wing 1.000cc e fosse no Itararé em São Vicente ou no Castelinho em Ipanema, meu Carnaval e de muitos motoqueiros era paquerar, colocar uma garota na garupa da moto e “arrastar” para o apê...
Não me lembro de ter ido uma única noite num salão mas há uma lembrança generalizada de grandes noitadas.
Em toda e qualquer época para mim os desfiles das escolas de samba poderiam ser mudos e eu surdo, porque a maioria das letras não passam de um amontoado de palavras que algum inculto recolhe nuns livros e tentam, num arremedo nem sempre harmonioso, contar com suor e purpurina a história feita de com sangue, suor e lágrimas.
Mais ainda, no Carnaval pobres de todo o gênero, gastam boa parte do orçamento numa fantasia tosca, para viver numas poucas horas de euforia e um ano inteiro, como diz a letra do Chico, desengano...

Carnaval, desengano
Deixei a dor em casa me esperando
E brinquei e gritei e fui vestido de rei
Quarta-feira sempre desce o pano
Carnaval, desengano
Essa morena me deixou sonhando
Mão na mão, pé no chão
E hoje nem lembra não
Quarta-feira sempre desce o pano

Esse ano meu Carnaval não vai ser muito diferente dos últimos. Ler um pouco, escrever um pouco e refletir muito porque logo chegará a quarta-feira... e qualquer hora, desce o pano!

Eu só imagino a situação, de qualquer possível ganhador nas últimas eleições presidenciais, ao encontrar o Brasil na merda que se apresenta.
Pode até ter sido providencial e bom continuar a PresiANTA.
Não haverá constrangimento em tomar medias antipáticas porque jamais será eleita, em qualquer circunstância, para qualquer coisa.
Quem sobreviver verá!