Coleção pessoal de MariaAlmeida
Gosto de ir visitá-la. Fazer um carinho. Fico imensamente grata enquanto tagarelo – pedindo silenciosamente a Deus para a curar e a deixar ficar – mas o meu coração sempre pára. Quieto, de tão cheio. Mudo, de tanta clareza. Olhar para ela é senti-lo a ele. Cabe-me a mim enfrentar a minha realidade. Em silêncio. Calada. E tranquila. Ela não tem culpa. Preciso ir sempre que puder. Necessita de todos. E todos podem ajudar. Não merece sofrer assim. Não tem que sofrer assim. Não quero que sofra assim.
Sentir saudade é normal. Chorar de vez em quando é normal. Sentir ciúme tolamente é normal. Sorrir com as lembranças é normal. O que não é normal é inventar mil coisas para realizar, tentando não lembrar a pessoa o tempo todo, porque a despedida não foi e o que ficou continua a perdurar.
Gosto da presença e do abraço apertado, do sorriso nos lábios e de escutar a voz.
O convívio franco começa no olhar e dura uma vida inteira.
O relacionamento verdadeiro pressupõe a permanência de alguém ao nosso lado mesmo nas horas da nossa escuridão.
Não conheço a arte do desapego quando abraço os meus, porque amo, vibro, respeito, admiro e desejo, acima de tudo, a sua felicidade.
As pessoas que se amam não deviam afastar-se e não deviam deixar que nada as afastasse. Não sei o que as separa. Não sei nada sobre a crueldade da vida. Apenas aceito que ela às vezes bate forte. E a mais pura escolha é a de querer ver o outro feliz, mesmo que o amor da nossa vida não esteja mais na nossa vida.
Ir sempre em frente, muitas vezes, não leva a lugar nenhum.
É preciso caminhar com leveza e sabedoria, escutando a intuição. Espreitar os desvios. Parar nas encruzilhadas. E enfrentar os imprevistos.
