Coleção pessoal de Lulena

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LUMINESCÊNCIA DE MÃE
(O despertar de dois mundos após a tempestade.)


Janela para a vida que se abre. A cortina de voal parece acenar; o passarinho no poste de luz canta uma sinfonia. O dia amanhece.
A noite agitada em mente confusa, dispersa num autismo que agora relaxa e adormece, fica para trás. Olho para o sol que sorri e peço, em silêncio: que sua luz traga o meu mundo e o de meu filho para o lado de fora.


Lu Lena / 2026

O TATUAR DA ALMA NO ESCURO
(O medo também pode levar à luz)


O medo é, muitas vezes, apenas o sintoma da nossa própria incompreensão. Ele nasce do vazio do nada, mas basta enfrentar a escuridão de olhos vendados até encontrar o interruptor da luz.


Lu Lena / 2026

O COMPASSO DA EXISTÊNCIA
(Onde a memória fragmentada reencontra o sentido do caminho)

A velhice não carrega mais aquele entusiasmo do início; vive caminhando com a bengala do tempo entre a nostalgia do meio e a expectativa do fim, sinalizando, em sua fragmentada memória, as texturas de sua história.


Lu Lena / 2026

MENINA MULHER
(A força de hoje é o escudo da criança de ontem)

Que minha menina interior não se assuste com a versão mulher — às vezes frágil, mas muitas vezes leoa —, pois o hoje dela é a sua proteção lapidada de ontem.

Lu Lena / 2026

Alto da montanha
Rompe o seu envoltório
Bate as asas. Voa

Lu Lena / 2026

O MAPA DO INVISÍVEL
(Entre o ensaio da voz e a verdade do vácuo)

A fala rascunha a intenção, mas o silêncio entrega o destino.

Lu Lena / 2026

A CHAMA QUE NÃO SE APAGA


Quem trata a esperança como vela morre no escuro; ela tem que ser incêndio para que ninguém ouse chegar perto e tentar apagar.


Lu Lena / 2026

GOTEIRAS DA INFÂNCIA
(No chão que a saudade regou)

Quando criança, eu achava que a chuva era o choro de Deus. Hoje, compreendo que aquela visão pueril não trazia goteiras de melancolia, mas sim o orvalho que preparava o solo fértil; essa lembrança desenhava, o tempo todo, o meu chão para que a vida pudesse, enfim, brotar e florescer. Mesmo que, no decorrer desse caminho, alguma flor murche, ela não morre, pois Deus sempre me estende um regador.

Lu Lena / 2026

TOQUE DE NEBLINA
(Entre o peso das ruínas e o rastro das nuvens)

De cada queda que sofri, ergui uma muralha... Mas os sonhos não alcancei; toco-os levemente com os dedos, mas eles se dissolvem nas nuvens.

Lu Lena / 2026

O ENCAIXE DESCONEXO
(A desconexão de viver em um quebra-cabeça de peças ausentes.)


A minha desconexão da vida é ter um problema sem solução. Como a solução não existe, resta o meu esforço de me encaixar dentro e fora dele, em um mundo literalmente formado por peças que não se ajustam.


Lu Lena / 2026

Viver o luto de entes queridos é como ser uma alma flutuante em um corpo oco
— totalmente sem direção.

Lu Lena / 2026

A maior distância é o espaço entre dois corpos que se tocam sem se conhecer.


Lu Lena / 2026

MANIFESTO DA HIBERNAÇÃO

Do sonho a gente acorda, da realidade às vezes a gente hiberna.

Lu Lena / 2026

GRITO CALADO
(retalhos de recordações)
Lanço voo nos lençóis alvos que
se descortinam no campo estelar;
em meus olhos, pontos cintilantes
que ofuscam o meu olhar…
na obscuridade, a ardência e o
peso das pálpebras que insistem
em ocultar…
na deriva de meus pensamentos,
sensações vibrantes…
no céu…
um pássaro a desenhar
o esboço inglório que resplandece
em "flash", como raios de luz.
Oscilam as recordações que
costurei em retalhos e cerzi
com as marcas e as nuances,
nessa incógnita que adormece
minha sobrevivência em ti;
e na mudez de minha voz,
inerte em estado de dormência,
em transe… na garganta
estão as minhas
lágrimas presas
que ainda insistem
em cair…
magia, divagação...
nesse contentamento,
lá fora vejo o balançar
da árvore que faz
ruído com as folhas
que se dispersam
na brisa do vento…
em meu silêncio
trancado,
teu nome ecoa dentro
de minh’alma
num grito calado…
Lu Lena / 2026

BARCO À DERIVA
(Entre Ondas e Solidão)

Dentro de mim
navegas como um barco
incerto, à deriva...
Ondas gélidas e enfurecidas
que vêm e vão...
Nesta turbulência em que me
fecho em ostra, esboçando
um sorriso esmaecido.
Açoita em minha alma essa
solidão...
Momento insone em que lágrimas
ardem em minhas retinas...
Gotículas que ferem, agulhas
no meu coração...
Num choro compulsivo desta
lembrança de dor que ainda sinto
daquela partida...
Desmoronando em cada arrebentação.

Lu Lena / 2026

MORADA TEMPORÁRIA
(A jornada da alma através do veículo físico)

O corpo é perecível e em breve se desfaz; a alma se perpetua na imortalidade. Mas devemos, sim, cuidar do corpo, pois ele é a base para nutrir a alma. Quando esta se desprender da matéria, sentirá a leveza de retornar à sua origem: o sopro da vida.

Lu Lena / 2026

FAXINA DA ALMA
(Onde o caos termina, a prece começa.)

Organize seus pensamentos mais aleatórios e intrusivos, tranque-os num baú fechado e coloque-o no porão do esquecimento. Sacuda as mãos e eleve, em prece, seu suspiro ao céu.

Lu Lena / 2026

O AVESSO DO RASCUNHO
(Entre marcas de expressão, a liberdade de ser essência lapidada)

Ontem, eu era um rascunho mal traçado. Hoje, quando olho no espelho, vejo marcas de expressão, rugas e fios brancos que sinalizam: sou uma sobrevivente de um passado que marcou e machucou, mas que também me fez feliz. Tive minha evolução!
Na tela do celular, distraio-me brincando com as letras até formar minha poesia e os escritos que quero deixar como legado — para que se lembrem de que minha essência, agora lapidada, permanece. Entre uma rolagem e outra, observo o sol que parece ser de plástico, enquanto rego, com lágrimas secas, o meu próprio caos.
Vivo num mundo caótico onde a esperança se renova a cada adormecer; pois é no sono que, desprendida da matéria, sou totalmente liberta.

Lu Lena / 2026

O LAGO DOS CISNES
(Fragmentos de um esquecimento lúgubre)

Vi uma casa no campo com flores silvestres e um lago de cisnes. Vi anjos de luz brincando em nuvens de algodão. Ouço vozes celestiais; elas me cobrem com um véu transparente que flutua do céu. Vejo nele respingos rubros. Olho meus dedos e vejo tinta, como gotículas de sangue que choram do meu coração. Sono. Pálpebras seladas por um esquecimento lúgubre.

Lu Lena / 2026

O POUSO RASANTE DO SER
(Diálogos entre o cosmos e o abismo de si)

O meu “eu” atrelou-se à Terra e minha forma etérea decolou em uma viagem astral. Vi-me em uma linda nave espacial. Avistei viajores do tempo e o incomensurável arco-íris no cosmos. Então, encontrei a Deusa Ísis, que me disse:
— Vieste buscar o tesouro? Não o encontrarás aqui, pois ele está incrustado nas encostas mais íngremes do teu subconsciente.
Atrelagem em pouso rasante. Um sonho que desperta!

Lu Lena / 2026