Coleção pessoal de lilanunes

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(Certa vez, perguntado qual a definição de luz)

A luz... é a sombra de Deus...

Quando se chega ao ponto de precisar dizer a um cara que ele é um idiota, é porque ele não via a hora que você se tocasse disso.

Existem manhãs em que abrimos a janela, e temos a impressão de que o dia está nos esperando.

O amor eterno é o amor impossível. Os amores possíveis começam a morrer no dia em que se concretizam.

Ela é assim! Pronto.
Mas assim como? Explica!
Ela é assim um mix de tudo que se possa imaginar dentro de uma grande capacidade de apenas não ser nada em definitivo. Ela é aquilo que não consegue se encaixar em moldes pré-existentes, parece que ninguém nunca foi antes dela. Ela se incomoda com isso, às vezes, muito.
Ela é cheia de sentimentos, parece que suas experiências se manifestam é no dorso do seu colo, e quase sempre, de vez em quando, tudo isso pesa. Mas não tem modo, não existe maneira que a faça ser diferente. E ainda, graças a Deus, ela é diferente. Algo que pesa e que tem o dom da leveza, algo que chora e que se manifesta em sorrisos, algo de forte, mas que se desmancha quando encontra a água.

Sobre as calçadas

As calçadas simbolizam, para mim, um lugar para o enconto. Um lugar para o que é mais leve. Minha memória guarda lembranças bonitas, do tipo: Na infância, era nas calçadas que brincava de amarelinha, que desenhava (com giz) o sol depois da chuva ir embora... Mais tarde, na adolescência, elas se tornaram o lugar de encontro com os amigos, o lugar das discussões sobre tantas coisas, o lugar onde cantávamos todas as músicas lindas que embalavam nossos sonhos de 'gente crescida', o lugar dos 'ficas' ingênuos e sem pretensões e, até mesmo dos amores que jurávamos serem eternos e, que se tornaram eternos pela beleza. Estão por lá ainda... acontecendo no passado, alimentando de sorrisos o rosto que se ilumina com as bonitas recordações.

"O caminho se faz ao andar"...

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovakloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: - Pai, me ensina a olhar!

Tenho uma espécie de dever de sonhar sempre, pois, não sendo mais, nem querendo ser mais, que um espectador de mim mesmo, tenho que ter o melhor espetáculo que posso. Assim me construo a ouro e sedas, em salas supostas, palco falso, cenário antigo, sonho criado entre jogos de luzes brandas e músicas invisíveis.

No azul profundo as estrelas eram cintilantemente esverdeadas, amarelas, brancas, cor-de-rosa, de um brilhante mais vítreo do que em casa – mesmo em Paris: chame-se-lhes opalas, esmeraldas, lapis lazuli, rubis, safiras. Certas estrelas são amarelo-limão, outras têm um rubor rosa, ou um verde ou azul ou um brilho que não se esquece. E sem querer alargar-me neste assunto torna-se suficientemente claro que colocar pequenos pontos brancos numa superfície azul-preta não basta.

Porque eu só preciso de pés livres, de mãos dadas, e de olhos bem abertos.

Refletindo sobre a importância do "caminho do meio". Nem muito para direita, nem tanto para a esquerda. Nem o excesso, nem a ausência. Guimarães Rosa diz "viver é muito perigoso", talvez seja um olhar sobre o "caminho do meio", os "dois pesos, duas medidas" e a dificuldade toda humana que carregamos em saber enxergar as coisas. A dificuldade de sabermos qual é a escolha correta. E, muito além disso, sabermos o que é correto ou não.
Viver é fatalmente apaixonante! Há muitas possibilidades e, definitivamente, busco por uma harmonia entre os extremos, entre mim e o outro. Quero encontrar. Desde que me entendo por gente ando inquieta, rss. E o caminho é muito longo... Mas é bonito também.

"Dia desses, na praia, barriga para o sol, olhos fechados, barulho do mar embalando os pensamentos, lembrei da frase sábia que diz "o fruto bom dá no tempo". Como acredito no invisível, achei que foi um sinal, uma resposta da Deusa do mar para as inquietações no meu coração. Achei bonito. É bonito não é?"

Às vezes tudo se ilumina de uma intensa irrealidade
E é como se agora este pobre, este único, este efêmero instante do mundo
Estivesse pintado numa tela,
Sempre...

Às vezes o melhor jeito de chamar a atenção de alguém é parar de dar atenção.

Você de repente não estranha de ser você?

Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta. Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar. Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz. Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essência é ambiguidade e mutação, este silencio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos.

Não há homem completo que não tenha viajado muito, que não tenha mudado vinte vezes de vida e de maneira de pensar.

Tudo o que acontece uma vez pode nunca mais acontecer, mas tudo o que acontece duas vezes, acontecerá certamente uma terceira.

Muitas vezes as coisas que me pareceram verdadeiras quando comecei a concebê-las tornaram-se falsas quando quis colocá-las sobre o papel.