Coleção pessoal de LeoniaTeixeira
Porque os sonhos são reais quando se sente, porque mesmo em
silêncio se traduzem palavras. Porque o amor se toca mesmo a léguas de distância.
Porque me veio o sol, porque me veio a lua e o mar. Eram teus olhos refletidos nas ondas, nas estrelas e no luar.
Em meio a minha solidão te encontrei, em meus desejos te amei, só. Só na lua, só nas estrelas, só no mar !
E cabem em mim todas as coisas que vem de você: cabe teu riso, cabe teu rosto, cabem teus olhos...cabe tudo e mais um pouco. As tuas poucas palavras, teu silêncio. Cabem as músicas tocadas e também as que não tocou. Cabe teu universo, tuas escolhas. Cabe o que tentamos, onde paramos. Se não é o tempo, espero. Se não é a hora, aguardo.
Porque em mim cabe o que pensa, o que pode, o que quer.
Cabe um montão de pequenas coisas, de grandes momentos.
Cabe o que que quiser, quando quiser,onde quiser. Sou espera !
Não há o que me perdoar, não há. O amor não precisa de convites, não espera ser chamado. O amor adentra, invade...cabe em qualquer lugar.
Mil flores para essa tarde, mil rosas de cheiros. Minha felicidade se completa, se estampa ! Próxima vez vou colar nos teus olhos, sorri feito criança...
Um montão de coisas por um beijo, milhões por teu abraço.
Um dia juntos ao vento, correndo...mãos dadas, rolando no chão.
Um dia só nós, girando...em gargalhadas, água, sedução.
Um dia pra nós, beijando...se olhando, sorrindo, cantando.
Um dia feito adolescentes: trocando flores, se jogando...
Um dia eu e você debaixo do chuveiro, no mar, mergulhando.
Um dia pra nós, só nós. Amando !
Não sou delicada, não tenho leveza na língua. Sou palavras, grito. Nunca fui de calar olhares, sorrisos.Os raios que queimam meu corpo e minha alma distribuo em chamas, toques...aos sons de violinos e músicas.
Me calço de fantasias, me visto de flores...no meu caminho: versos, luzes, amores. Aos meus pés a beleza do tempo, a poesia dos ventos...rosas, cores.
Não me enquadro nos padrões de beleza: 1,65 e 88 kg.
Pois é, mas onde mesmo se encontra o perfeito? Como unificar os gostos? Como posso garantir que eu não seja a mulher perfeita, a mulher que agrada a gregos e troianos.
Entre rios e pássaros viajo mar adentro, sonho a fora. Deságuo em portos, versos...canto amores, dores...Me faço, refaço pedaços de mim. Em caminhos incompletos, me completo. Em amores proibidos me acho. Procuro o que não pode, preciso do que não dar. Silencio, calo...me escondo em verbos amar.
Deixastes minha alma em fragalhos, arrancastes sonhos...como flor despetalada ficaram meus olhos sem os olhos teus.
Quanto as feridas do abandono, do desprezo...hão de cicatrizar !
E nesse dia apagarei qualquer vestígio de tua presença, qualquer saudade de tua lembrança.
Tenho nos olhos o peso das rosas, a cor do sol, o cheiro do mar. Carrego entre linhas de mim o convite a vida, aos sonhos. Sou imensa, sou pequena...me crio, recrio...me dou, me faço o que preciso for pra não perder a beleza da lua, pra não esquecer de amar.
Não me soa bem essa frase: "bela, recatada e do lar". Prefiro ir a luta, as ruas... buscar o que se é de direito. Prefiro correr atrás de um lugar ao sol com sombras para o descanso, prefiro os sapatos sujos, as coisas fora do lugar. Não me vejo com rédeas. Preciso escandalizar meu riso, escancarar sentimentos, sonhar...que não me levem a mal: mas dondoca não é o meu nome.
Sigo: pés descalço, coração na chuva...nas mãos buquês de sonhos, flores no tempo. Vou levando, carregando saudades, distribuindo...em meio a tudo, teu retrato !
