Coleção pessoal de LEandRO_ALissON
“O medo da morte nos força a viver – a nos relacionarmos, a procriarmos, a criarmos, a construirmos coisas que nos transcendam.”
A morte, ninguém pode experimentá-la em si mesma (pois experimentar é da alçada da vida), só é possível percebê-la nos outros.
Nós nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos. Somente através do amor e das amizades é que podemos criar a ilusão, durante um momento, de que não estamos sozinhos.
A solidão, embora possa ser silenciosa, é, assim como a luz, um dos agentes mais poderosos, pois a solidão é essencial para o homem. Todos os homens vêm a este mundo sozinhos e deixam-no sozinhos.
É fácil viver no mundo conforme a opinião das pessoas. É fácil, na solidão, viver do jeito que se quer. Mas o grande homem é aquele que, no meio da multidão, mantém com perfeita doçura a independência da solidão.
"Existir não é um afastar-se de ser, é um modo de ser no pleno exercício de ser, é o ente fora de suas causas."
Fosse a física exatamente o que é, ou a astronomia, ou a matemática, mas sem aplicações práticas que dão dinheiro e conforto, e ninguém aceitaria a autoridade dos cientistas. É a autoridade dos cientistas que faz a generalidade das pessoas aceitar ideias quase ininteligíveis de tão complexas — sobre átomos, o Big Bang, a dinâmica de fluidos, números imaginários, etc. Mas a autoridade dos cientistas só foi conquistada por via do dinheiro e da aplicação prática, e não pela razoabilidade das teorias. [...]
As teorias filosóficas têm menor grau de aceitação popular do que as científicas não por qualquer defeito epistêmico que tenham, mas por falta de poder social. Mas em ambos os casos se começa com o banal e se acaba com o contra-intuitivo e o inverosímil e o difícil de compreender.
Se as pessoas não conseguem controlar suas próprias emoções, então, devem parar de tentar controlar o comportamento dos outros.
Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte dele até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e abrir espaço, fazê-lo durar.
"Eu acho que as celebridades [politicamente engajadas] devem basicamente calar suas 'matracas' e fazer o que sabem fazer melhor - atuar, cantar, dançar, fazer malabarismos e todo esse tipo de coisa".
Sob um governo que prende qualquer homem injustamente, o único lugar digno para um homem justo é também a prisão.
As pessoas inteligentes, entregues a si mesmas, acabarão por filosofar, mais tarde ou mais cedo, seja qual for o campo de trabalho intelectual a que se entreguem, ou mesmo que a nenhum se entreguem.
O impulso para a filosofia é de fato tão natural e tão forte que nada se conhece, exceto o terror totalitarista, que consiga reprimi-lo em absoluto. Numa sociedade não-totalitarista, pois, a filosofia será feita, e a única questão prática que resta é como haverá melhores hipóteses de ser bem feita, ou por quem.
Em qualquer tipo de argumentação os filósofos são homens tenazes (alguns dos quais são mulheres), e a maior parte das pessoas não querem atravessar-se no nosso caminho mais do que uma ou duas vezes.
Há filósofos que pensaram durante mais tempo e melhor sobre a ética da medicina do que o professor de medicina alguma vez teve tempo de fazer. Há filósofos que pensaram durante mais tempo e melhor sobre a experiência das duas fendas do que os físicos. Há filósofos que pensaram mais tempo e melhor sobre os fundamentos da matemática do que alguma vez será provável que um matemático o faça. E assim por diante. Tenho consciência de que um filósofo não pode dizer isto da sua profissão sem trair uma certa arrogância. Contudo, é a verdade literal. E é uma justificação suficiente para a existência de uma classe de pessoas especialmente formadas em filosofia.
A verdade alivia mais do que magoa. E estará sempre acima de qualquer falsidade como o óleo sobre a água.
As sociedades democráticas atuais estão dominadas pelos meios de comunicação de massas, eleições que fazem lembrar concursos televisivos, multinacionais mais poderosas do que Estados, e uma irracionalidade notória na gestão da riqueza e dos recursos naturais. [...] Este é um mundo regido pelo consumismo frívolo, pela mentira da publicidade e da política populista, pela destruição dos recursos naturais, pela comunicação desviante que faz uma multidão gritar num bar sem realmente conversar nem estabelecer relações sociais sólidas. [...] A ideia de que podemos continuar a viver indefinidamente tal como vivemos hoje é um puro disparate; se todas as pessoas do mundo consumissem a energia que as pessoas dos países desenvolvidos consomem, o planeta não resistiria durante muito tempo. Não se trata de saber se queremos ou não encontrar alternativas para o modelo de sociedade em que hoje vivemos; nós teremos de o fazer.
A teoria de Ptolomeu é logicamente coerente mas falsa; a coerência não é garantia da verdade. Mas é um fato que qualquer teoria verdadeira tem de ser coerente.
O sofrimento religioso é ao mesmo tempo a expressão do sofrimento real e um protesto contra o sofrimento real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração e a alma de condições desalmadas. É o ópio do povo.
