Coleção pessoal de LEandRO_ALissON

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"É justamente para preservar o que é novo e revolucionário em cada criança que a educação deve ser conservadora. Ela deve proteger a novidade e introduzi-la como uma coisa nova num mundo velho, mundo que, por mais revolucionárias que sejam as suas ações, do ponto de vista da geração seguinte, é sempre demasiado velho e está sempre demasiado próximo da destruição."

Toda vez que você nega um debate, você perde. Toda vez que você sai gritando fascista pro primeiro cara que aparecer na sua frente não concordando as suas ideias, você perde. Toda vez que você age de forma truculenta em universidades que promovem encontros com pessoas que não fazem parte do seu espectro político, você perde. Toda vez que você se fecha numa bolha, você perde.

"Se futebol, carnaval e samba são as coisas mais tipicamente brasileiras, então o Duguin tem razão: ele é mais brasileiro do que eu. Mas não custa lembrar que quem fez dessas três porcarias os símbolos do Brasil não foi o povo: foi o Departamento de Imprensa e Propaganda da ditadura Vargas."

A menor minoria na Terra é o indivíduo. Aqueles que negam os direitos individuais não podem se dizer defensores das minorias.

O amor é um fenômeno tão primário como o sexo. Normalmente, sexo é uma modalidade de expressão do amor. O sexo se justifica, e é até santificado, no momento em que for veículo do amor, porém apenas enquanto o for. Desta forma, o amor não é entendido como mero efeito colateral do sexo, mas o sexo é um meio de expressar a experiência daquela união última chamada de amor.

De tudo que li e pensei, tenho apenas duas convicções:
1. Deus existe.
2. O socialismo é, disparado, a pior experiência de convivência e ordenamento social de toda a longa história humana, pois retira do indivíduo qualquer possibilidade de algum ato de valor.
Minhas eventuais opiniões outras decorrem dessas duas convicções.

Há ricos que se fizeram ricos pelo esforço e pelo investimento, expondo-se ao risco.
Há ricos que se fizeram ricos pela violência, pela monopolização da violência.
Há ricos que se fizeram ricos por escusas negociatas envolvendo o Estado.
Os segundos e os terceiros detestam os primeiros. Não admitem concorrência. Os Castro e seus capangas, de Cuba, e seus muitos seguidores mundo afora, estão aí para provar a tese.

Direita positivista - O Estado existe para manter a ordem, os empregos dos nacionais e um bocado de barreiras protecionistas para proteger nossos empresários patriotas.
Direita liberal-conservadora - O Estado existe para manter a ordem e garantir a sacralidade dos contratos em caso de estelionato.
Centro - O Estado existe para garantir a ordem (mas sem muita eficiência, senão também posso ser preso), empregos, moradia, bolsa isso e aquilo, educação, saúde, pensões, e o que mais pedirem, o importante é acharem que somos nós que estamos dando isso tudo.
Esquerda - O Estado existe como um fim em si mesmo, logo só o Estado deve existir.
Com qual posição você se identifica? Justifique.

- Olhe, há os ricos. E os ricos exploram os pobres. Então os pobres tem que se unir, tomar o Estado para si. E então não haverá mais miséria. Todos serão ricos, pois todos trabalharão para todos.
- Mas, professor. Em Cuba todos são pobres.
- Isso é mentira da mídia golpista, que é sustentada pelos ricos, que odeiam os pobres.
Uma aula trivial numa escola brasileira típica, com um professor típico, que decorou esse discurso numa universidade típica, com professores típicos.
Enquanto as mentalidades não forem expostas à pluralidade do conhecimento, nenhuma reforma conseguirá mudar nossas escolas, e poderemos seguir, na melhor das hipóteses, o caminho da Venezuela.

A Filosofia não é religião, nem uma prática iniciática de vida; ao invés, é o lugar crítico da razão, como por vezes se diz. A Filosofia não é um corpo de conhecimentos que nos baste assimilar acriticamente, mas antes a atividade crítica de estudar ideias e argumentos minuciosamente, para ver se serão plausíveis ou não. [...] Significa apenas que o trabalho filosófico é fundamentalmente a discussão minuciosa e paciente dessas conclusões e dos argumentos que as sustentam.

A coisa mais importante que entendi nesta vida: não existe unidade da espécie humana fora da Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

"O gênero só é 'superior' às suas espécies no sentido puramente lógico-formal, porque as abrange no seu conceito sem ser abrangido por nenhuma delas, mas, ontológica e substancialmente, não é ele próprio uma espécie que possa ser comparada às outras e julgada 'melhor' que esta ou aquela dentre elas ou -- muito menos -- a elas todas. Só as espécies entre si podem ser comparadas e hierarquizadas. Na escala dos seres vivos, o leão é superior à pulga, mas o gênero 'animal' não é ele próprio um animal, não sendo portanto zoologicamente superior a um nem à outra.
É numa grotesca falácia lógica que se baseia, portanto, TODA E QUALQUER idéia de uma 'religião universal' da qual as religiões específicas não seriam senão símbolos historicamente condicionados. Esse prestigioso mito, que hoje anda na boca de todo mundo, só prova, no seu porta-voz, uma INFERIORIDADE INTELECTUAL MONSTRUOSA, quase um retardo mental."

A luta de classes no Brasil não é entre os que possuem e os que não possuem os meios de produção: é entre os que possuem e os que não possuem os meios de autodefesa armada. E a fronteira que separa uns dos outros não é a estrutura da economia: é o governo, a burocracia.

"Os sentimentos pessoais estão proibidos. Você só pode sentir de acordo com o que o grupo de pressão manda. O caso da Claudia Jimenez é exemplar. Se ela sente que era lésbica só por timidez de arranjar homem, ela não pode dizer isso em público, pois será acusada de 'trair-se a si mesma', como se a autenticidade dos sentimentos dela não fosse matéria de foro íntimo, mas de decisão alheia."

"Entre o 'Jesus histórico' e o 'Jesus da fé' -- isto é, aquele que os documentos antigos atestam e aquele que aparece no imaginário das épocas posteriores --, há um elemento mediador, sem o qual a unidade dos dois se torna invisível: o Jesus operador de milagres, cuja presença e ação tem mais provas do que a existência de qualquer personagem histórico de qualquer época. Ignorando esse terceiro elemento, o pateta compara duas abstrações e acha que fez um grande trabalho histórico."

"Muito antes de juristas brasileiros virem em defesa do aborto de microcefálicos, Adolf Hitler já os tinha incluído em seus programas de extermínio."

Nosso tempo e energia gastos com argumentação devem ser dirigidos a somente dois tipos de pessoas: aqueles que sinceramente querem aprender e aqueles que nós queremos desmascarar. Qualquer outro tipo não vale o esforço.

Idéias soltas, desligadas de todo contexto cultural, histórico e estratégico, são preferências arbitrárias, subjetivas: não podem ser objetos de aprovação ou desaprovação. Só de análise psicológica, ou mesmo psicopatológica. O problema no Brasil é que praticamente todas as propostas políticas circulantes são assim -- e, quanto mais absurdas e inconexas elas são, mais os seus propugnadores cobram aprovação e entendem a simples recusa de aplauso instantâneo como adesão formal à idéia oposta. É mais ou menos assim: se você não é partidário das bananas anglófonas, é cúmplice dos abacaxis triangulares. E não ouse ficar em cima do muro!

Em nossas vidas bagunçadas, o mais próximo que podemos chegar à verdade é através da consistência. Consistência é a base do método científico. Cientistas se aproximam da verdade através da realização de experimentos controlados, tentando observar resultados consistentes. Em nossa vida não científica, fazemos a mesma coisa, mas não de maneira tão impressionante ou confiável.

[Até o século XIX,] o idiota era apenas o idiota e como tal se comportava. E o primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Não tinha ilusões. Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha, ou tirar uma cadeira do lugar. Em 50, 100 ou 200 mil anos, nunca um idiota ousou questionar os valores da vida. Simplesmente, não pensava. Os ‘melhores’ pensavam por ele, sentiam por ele, decidiam por ele. Deve-se a Marx o formidável despertar dos idiotas. Estes descobriram que são em maior número e sentiram a embriaguez da onipotência numérica. E, então, aquele sujeito que, há 500 mil anos, limitava-se a babar na gravata, passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente etc. Houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas.

(Nelson Rodrigeus, O reacionário [1], pág. 456)