Coleção pessoal de LEandRO_ALissON
O socialismo não funciona pela simples razão de que nele o Estado é ao mesmo tempo o único produtor e o único consumidor.
O princípio fundamental do marxismo está certíssimo: todos os valores materiais do mundo são produzidos pelo trabalho humano. Só que ele soma a essa premissa uma segunda, de que é possível e obrigatório devolver a cada indivíduo o valor integral daquilo que produziu, e de que deixar de fazer isso é um crime. Ele só não reparou que o pagamento do trabalho não vem automaticamente, mas depende do fator mais ignorado em "Das Kapital": o consumidor. O consumidor só paga por aquilo que compra, não por tudo aquilo que o trabalhador poderia desejar que ele comprasse, e não vejo como poderia ser de outra maneira. A própria vida de Karl Marx comprova isso: ele nunca recebeu o equivalente do trabalho despendido para escrever os seus livros, pelo simples fato de que o autor morreu antes de que eles fizessem sucesso. Karl Marx, como muitos de nós, não foi prejudicado por nenhum capitalista, mas pelo tempo.
Ademais, como poderia o capitalista pagar o valor integral do trabalho, se além deste ele tem de pagar pela matéria-prima, pelas máquinas, pelo imóvel da fábrica, etc. etc. etc.? Ad impossibilia nemo tenetur.
Uma argumentação deve não apenas obedecer à lógica das provas, mas à honestidade da situação de discurso. Se um homem grande e musculoso agarra pela goela um pequenininho e frágil, aponta-lhe uma arma carregada e então lhe berra aos ouvidos os argumentos mais irrefutáveis do universo, é claro que esses argumentos estarão se impondo pela intimidação e não pela sua consistência lógica intrínseca
O que pretendo descrever com isso [da autotranscendência] é o fato de que o ser humano sempre aponta para algo além de si mesmo, para algo que não é ele mesmo - para algo ou para alguém: para um sentido que se deve cumprir, ou para um outro ser humano, a cujo encontro nos dirigimos com amor. Em serviço a uma causa ou no amor a uma pessoa, realiza-se o homem a si mesmo. Quanto mais se absorve em sua tarefa, quanto mais se entrega à pessoa que ama, tanto mais ele é homem e tanto mais é si mesmo. Por conseguinte, só pode realizar a si mesmo à medida que se esquece de si mesmo, que não repara em si mesmo.
José Ortega y Gasset dizia: latinos são pessoas que acreditam na existência do mundo exterior. Germânicos só acreditam no Eu.
O maior filósofo desde o Renascimento até hoje foi um português: João de S. Tomás, também conhecido como João Poinsot.
Quando é lícito atribuir uma ação a um povo, genericamente, sem distinguir nela os agentes individuais e concretos? Creio que só nas seguintes circunstâncias:
a) Uma crença geral subscrita por maioria significativa (por exemplo, "os poloneses são católicos").
b) Um costume generalizado ("os franceses consomem vinhos e queijos").
c) Uma eleição vencida por ampla margem por um dos partidos.
d) Um plebiscito, formal ou informal (por exemplo, "os brasileiros apoiaram o governo na Guerra do Paraguai").
Fora disso, toda generalização é pura metonímia e, se pretende ter valor de julgamento objetivo, é falsa.
Escarafunchar intenções malignas ou mesmo toda uma estratégia ideológica por trás de palavras ditas a esmo é a essência da polícia "politicamente correta" da linguagem. Não preciso dizer que essa coisa não tem base científica nenhuma e em noventa e nove por cento dos casos é puro chute. Essa atividade não se torna mais decente quando praticada em nome de valores "conservadores".
Mao Dzedong foi o maior genocida e torturador de todos os tempos, pondo no chinelo Stalin e Hitler. Só cretinos de marca podem imaginar que um movimento revolucionário inspirado nas idéias dele tivesse algo a ver com liberdade e direitos humanos.
Nenhum historiador profissional aceita hoje a idéia -- ainda um dogma, para os intelekituar brazuca -- de que o fascismo foi uma reação do grande capital ao avanço do proletariado. Nenhum ousa contrariar a conclusão unânime dos grandes -- François Furet, Ernest Nolte, Emilio Gentile, A. James Gregor -- de que o fascismo foi parte integrante do movimento revolucionário mundial.
O objetivo da Revolução Cultural Chinesa era o mesmo da sua equivalente ocidental, frankfurtiana e gramcista: extirpar da sociedade todos os resíduos de tradições milenares que pudessem obstaculizar a construção do 'novo homem'. A única diferença era que pretendia realizar isso por uma operação estatal rápida e fulminante, enquanto no Ocidente vigorava mais a idéia de uma influência cultural de longo prazo. O maio de 1968 foi uma tentativa frustrada de imprimir à revolução cultural do Ocidente um ritmo 'chinês'.
Forçado a chamar um homem de mulher, você sempre pode responder:
-- Mas eu também me sinto mulher e fico ofendida de que um macho usurpe o meu gênero.
Se alguém tem o direito de me impor o 'gênero' em que ele imagina estar, eu não tenho o direito de dizer o que vejo com os olhos da cara. Perante a lei e a opinião bem-pensante, a imaginação dele prevalece sobre as minhas percepções sensíveis.
O nível da educação brasileira é um troço tão absurdo que a pessoa tenta ofender te chamando de 'professor de cursinho'.
Todo aquele que usa os termos do debate político no sentido atual que têm na mídia, sem levar em conta a história da formação do seu significado, nem portanto as ambiguidades camufladas que ainda carregam, é um charlatão.
Alguém me ensinou isto ontem, e jamais o esquecerei: Quando você ganha mais dinheiro, seus problemas financeiros não acabam. Só mudam de escala.
