Coleção pessoal de kikoarquer
O bobo corre atrás da bola,
a bola vende o bobo.
Os bobos chamam de jogo
o bola rica que sai na Globo.
"O filtro medroso de um ser é o que o limita e delimita seu constante".
Imagine que Maria é uma pessoa mal casada com um homem bem peludo.
Bem mal casada. Bem peludo.
Maria odiará pelos em todas as circunstâncias.
Ela tentará falar de pelos em todas as conversas.
É assim que ela cospe, diariamente, o que a incomoda. Ela tenta tirar isso de si mesma a todo instante.
Ela fala pra tirar de si, ela fala para entender, ela fala para se sentir menos sozinha.
Maria se abastece de ódio toda noite com o maridão peludo, e Maria se esvazia durante o dia.
E ainda mais, como odiadora de pelos, ela será reconhecida por todas as pessoas ao redor dela.
Suas amigas Lulu, Elisa e Mônica também tem seus nojinhos por pelos.
Maria é a líder do ódio. A identidade de Maria se constrói e se consolida nisso.
"Maria, a odiadora de pelos !!!"
O maridão peludo pode até morrer, mas Maria não, Maria não abrirá mão.
Enfim, até mesmo se enfiarmos a 9ª Sinfonia de Beethoven numa conversa, Maria irá se segurar em seu medo e gritará que os pelos do peito de Ludwig são asquerosos.
Ludwig, o asqueroso !!!
Pergunta o meu nome querendo dizer Pedro.
A data do meu aniversãrio pedindo presente.
Qual a minha opinião sobre patos, bigodes, bolsas e crentes?
A rachadura na parede ouve,
nitidamente, seu quack-quack, nãoseioquelá, deuses.
E Pedro pedreiro, muito penseiro
só matraqueando seu trem
que só vai
que só vai
que só vai
E eu aqui,
já desisti de me empolgar
esperando, esperando, esperando,
só vejo um bife desfocado a tagarelar
Haja
viagem
que
viaja
em si,
essas eu viví.
Vi a parede enredar a aranha
Tirei sarro da sanha
na meça tamanha
de um papo meu que foi até de manhã
Em todos os casamentos que fui,
vejo um fantasiado levantar os braços
e bobeirar que sabe o mundo.
De jeito nenhum,
nunca me caberia casar assim,
com um tolo me culpando pelos próprios fracassos.
Nem por decreto,
nem a pau me calaria diante de um mascarado imundo
falando que minha mulher é inferior a mim.
Cetemque é palavra de vocabulário degradativo.
Meio que um pronome-verbo-impositivo.
Quando usado, só tem a 1ª pessoa:
eu, eu, eu.
Mas é um EU diferente.
Um tipo de acusativo mal conjugado.
Eu cetemqueio não existe.
Nós cetemqueamos é um coach triste
Seu cetemqueado, dá até pra xingar.
O infinitivo, sem sentido, seria cetemquear...
mas não há.
Em 2ª pessoa fica redundante.
É obvio que o cetemque é só pra tu.
É obvio que o cetemque é só pra você!
E em 3ª pessoa? Ele, ela...?
Ah, nesse caso a mudança seria toda radical:
Eletemque toma forma fofocal
e hiperboliza o lexical.
Para acabar com o tráfico de drogas:
- Vá ao médico.
- Receba orientação e receita para uso recreativo.
- Vá na farmácia de drogas.
- Deixe a receita.
A guerra é sempre
do anti-herói,
o ruim contra o ruim.
Nunca se deslembre
que tanto dói,
e torça só pelo seu fim.
Uma das diferenças entre os humanos e a IA, é que a IA nunca conseguirá ser "marcada pelo esquecimento".
A IA sabe ou não sabe.
Os humanos não sabem ou sabem,
esquecem mas não esquecem.
Aliás, este pensamento nem é meu, é de um autor que nunca vi chamado Jean-Pierre Changeux... ou seria a Anny Cordié?
Enfim, o que ele escreveu, eu esqueci,
pois quando o li,
meu pensamento estava em outro lugar.
Se eu vir...?
"Se eu ver" não existe,
minha língua perde o afeto.
Não vou deixar minha palavra triste,
então assumo em me sumir por completo.
Se apito pro estúpido sua estupidez,
Ele finca firme no rito, me bica, me atrita
e desonra meu talvez.
Eu tive um tio
que não bebia água.
A meninada sempre falava:
- O tio Augusto não bebe água!
A molecada então pensava:
- O tio é especial!
- Wow!
- Como vive o tio se tudo tem água?!
O tio estufava o peito e se orgulhava:
- Não conto! sorria de canto, se gabava.
O titio Augusto não precisava de água.
Pra ele bastava o palco e o cenário.
Crianças aplaudindo alto
um coitado encharcando o ordinário.
Sou casado,
sem sim sim da igreja
nem eu deixo do estado.
Somos um casal em seus lares
compartilhando todos os ares
de serem eternos namorados.
O livro é onde a letra vem atrevida,
ela surge dançando de mãos dadas,
cria seu próprio sentido pra vida,
e se imagina em belas palavras.
Axé da Contabilidade
Se tivé saínu mais do que entrâno,
cê vai me pegá chorânu.
Se tivé entrâno mais do que saínu,
cê vai me pegá sorríno.
