Coleção pessoal de Kaliston_Samuel
O silêncio é a melhor resposta para uma mente altiva que o confronta.
Não para debater, mas para denegrir e forçá-lo a abandonar a própria razão.
É equivalente a um predador em sua caça:
silencioso, porém forte e letal.
A inovação é vista como loucura ou errado aos olhos de mentes retrogradas, o novo parece loucura até que seja útil.
O sofrimento tem régua individual.
Nunca se compare a qualquer outro.
Cicatrizes de guerra podem ser sentidas como orgulho ou vergonha; depende da cosmovisão do ser.
Para alguém cujo cachorro é o seu mundo, perdê-lo pode ser a coisa mais dolorosa da existência.
Já outra pessoa, vivendo em um país em guerra, mas que nunca teve nada para chamar de “meu mundo”, talvez não sinta perder sua pátria com a mesma intensidade.
As dores são medidas pela proporção com que enxergamos e atribuímos valor ao mundo.
No mar do pensar,
Nesse instante a nadar,
As ondas escutar,
O vento a pairar.
O nevoeiro do bem estar,
No furacão do apagar,
Rumo ao tsunami do sonhar,
Ao Rio do bem falar.
A temperatura a alternar,
À deriva de um lar,
Em direção à praia do mofar,
Da ilha que veio a abandonar.
O horizonte quisera somar,
Dar um Norte insular,
Talvez um Sul de congelar,
Ou mesmo um frio sem par.
Na cachoeira do existencialismo,
Há ignorância no moralismo,
A humanidade se perde em abismo,
Inoperante é o egoísmo.
Na queda livre da busca do eu,
A mente dele se perdeu,
Dizem que ele enlouqueceu,
Essa é sua filosofia que morreu.
Caridade ou vaidade?
Falsidade ou insanidade?
Finitude da virtude!
Alforje da benignidade!
Lisura da última unidade,
Compartilham a imaturidade,
Piora muito com a idade,
É visto no cotidiano da cidade.
Listo a longevidade,
Quisto a saudade,
Mórbida necessidade,
Ignóbil é tal agressividade.
Com sete dias de morte,
Putrefez a carne,
Evadiu-se a alma,
Nada mais além da calma.
Rarefeito ar do cemitério,
Quente é o mistério,
Quem o matou?
Dizem que o esquartejou.
O caixão foi fechado,
O velório cancelado,
Fadado ao esquecimento,
Sua alma vive em lamento.
O autor da sua partida,
Disseram a ele na despedida:
“Quem pode te tocar e viver para contar?”
Homem influente e destemido.
Amigos dizem que foi o patrão,
Tudo por um comentário em reunião.
“Quem é esse que pode ser?”
Ele é o algo além do enlouquecer.
Mística é essa frase,
Todos ficaram em análise.
De fato, o patrão pirou,
Não suportou o peso e surtou!
Afrontosa frase intelectual,
Pelo visto, ele a entendeu mal,
O questionamento era sobre o eu do patrão:
Quem ele poderia ser se fosse tudo o que pode.
O alarme nuclear tocou,
Com isso ele acordou,
Olhou e não acreditou,
Ele era o último que restou.
O único homem vivo,
O novo nativo,
Pensando altivo,
A solidão o fez intuitivo.
Pensou e chegou a ideia,
De nada adianta ficar em apneia,
Mexeu-se e foi viver o seu eu,
Já que era a única coisa que a humanidade lhe deu.
O homem cruel sombrio,
Da sua alma via o brio,
Fugia da realidade todo dia,
Sua sombra interior ele ouvia.
Tal qual velhos amigos,
Eles conversavam ambíguos,
A prosa era esquisita,
Do seu íntimo era parasita.
Verme do gatilho mental,
Quisera ele ser só um cara mal,
A escuridão assumiu,
Sua consistência sumiu.
Eu não aguento mais,
Viver nesse mundo voraz,
Refém da falsa paz.
Terra de aparência,
Do mal e sua essência,
O funil da decadência.
Podre é a raça humana,
Seu coração muito se engana,
Sua mente é profana.
Preto sombrio,
Sombra de pavio,
Escuro labor.
Noite de breu,
O dia escureceu,
O olho esmaeceu.
Ausência de cor,
Tom de calor,
Sem seu furor.
Trêmulas mãos suadas,
Rápido! O fim breve vem,
Já vejo o túnel do além,
A morada das pessoas finadas.
O batimento caindo,
A morte sorrindo,
Ausente de medo,
Ciente do enredo.
Céu almejado,
Pós morte sonhado,
Eis o diário de um finado,
Aqui morre o citado!
O fim da melancolia?
Doce morte sombria,
Nevoeiro da primazia,
Suprassumo da apatia.
Ríspido rasgar psicossomático,
O mundo tem sido monocromático,
Amargo é o pensamento dramático,
O resplendor do ser errático.
O falso sorriso neurotraumático,
As sequelas do passado fático,
O algoz do presente lunático,
Sem um futuro fanático.
Aqui jaz o ser do meu eu,
Tal qual dizer o que doeu,
Aquele homem em mim morreu!
A silenciosa dor apareceu.
A estrondosa morte bateu,
O dia de fim aconteceu,
O eu lírico morreu,
Esvai-se o eu.
O amor
É doar-se em alma,
Manter-se a calma,
Conexão mortal,
Casamento final.
Matrimônio único,
Ato benéfico,
Compreender o nós,
Desatar o entre nós.
Vibração somática,
Por vezes errática,
Cultural é sua prática,
Monumental e metálica.
Viu-se o levantar,
Viu-se amar,
Viu-se arruinar,
Viu-se recomeçar.
Não foi bem,
Não foi mal,
Não se fez drama,
Não fugiu da lama.
Ouçam o vento,
Ouçam o agora,
Ouçam o viver,
Ouçam o morrer.
Picada no vespeiro momento,
Teorizam seu comportamento,
Faz-se um ensinamento,
Convém ter seu conhecimento.
Ela já se fez em relíquia sagrada,
É vista em um conto de fada,
Tem seu fim na espada,
Por vezes é ceifada.
Senhorita vida, tu é o início e partida!
Ele é o vazio almanaque,
O Mortuário de embarque,
A escuridão do charque,
A alma vazia de palanque.
Frívolo pilar longínquo,
Imutável e oblíquo,
Honorário pulsante,
Averso de semblante.
Oscilante atômico,
Crespo cômico,
Contradiz o advento imaginário,
Permeia e nada em um aquário.
Maresia da fertilidade,
Desbravam-no na futilidade.
Quem é este ser incompreendido?
Átono é o agora,
Nua a mente chora,
Aflita a alma ora,
Algoz é flora.
Natureza viciosa,
Hora pífia ou honrosa,
Imaculada e sebosa,
Verde como babosa.
Nutritivo eco da prosa,
A neurose se entrosa!
Pressentimento ruim,
Breve virá o fim,
Dor de dilacerar um rim,
O mental é o estopim.
Nada mais resta fazer,
Dor e lágrima a cozer,
O caminho a escurecer,
Olhos a esmaecer.
Criminosa solidão,
Domina o coração,
Caiu o próprio sermão,
Veio o apagão!
Jesus a rocha da presença,
Nele é necessário nascença.
Luz do mundo e sal da Terra,
Só há esperança naquele que não erra.
Alfa e omega, princípio e fim.
Por nós jorrou seu sangue carmesim.
Seu sacrifício redentor do Éden.
O velho jaz e o novo vem.
Em três dias de volta aos vivos,
Da vida e morte ele tem os crivos.
Tríplice unicidade do ser,
Creia nele para eternamente viver!
Cumprimento da tábua mosaica,
Juíz polido dentro da arca.
Ele faz do céu cair fogos,
A razão do logos.
O trono da luz divina,
A presença trina.
A antítese do impossível,
O destruidor do abominável.
Deus, Jesus e Espírito Santo,
Toda o templo se enche do seu manto.
Adoração eterna no céu,
Na cruz, rasgou-se o véu!
