Coleção pessoal de Kaliston_Samuel

Encontrados 18 pensamentos na coleção de Kaliston_Samuel

O alarme nuclear tocou,
Com isso ele acordou,
Olhou e não acreditou,
Ele era o último que restou.

O único homem vivo,
O novo nativo,
Pensando altivo,
A solidão o fez intuitivo.

Pensou e chegou a ideia,
De nada adianta ficar em apneia,
Mexeu-se e foi viver o seu eu,
Já que era a única coisa que a humanidade lhe deu.

O homem cruel sombrio,
Da sua alma via o brio,
Fugia da realidade todo dia,
Sua sombra interior ele ouvia.

Tal qual velhos amigos,
Eles conversavam ambíguos,
A prosa era esquisita,
Do seu íntimo era parasita.

Verme do gatilho mental,
Quisera ele ser só um cara mal,
A escuridão assumiu,
Sua consistência sumiu.

Eu não aguento mais,
Viver nesse mundo voraz,
Refém da falsa paz.

Terra de aparência,
Do mal e sua essência,
O funil da decadência.

Podre é a raça humana,
Seu coração muito se engana,
Sua mente é profana.

Preto sombrio,
Sombra de pavio,
Escuro labor.

Noite de breu,
O dia escureceu,
O olho esmaeceu.

Ausência de cor,
Tom de calor,
Sem seu furor.

Trêmulas mãos suadas,
Rápido! O fim breve vem,
Já vejo o túnel do além,
A morada das pessoas finadas.

O batimento caindo,
A morte sorrindo,
Ausente de medo,
Ciente do enredo.

Céu almejado,
Pós morte sonhado,
Eis o diário de um finado,
Aqui morre o citado!

O fim da melancolia?
Doce morte sombria,
Nevoeiro da primazia,
Suprassumo da apatia.

Ríspido rasgar psicossomático,
O mundo tem sido monocromático,
Amargo é o pensamento dramático,
O resplendor do ser errático.

O falso sorriso neurotraumático,
As sequelas do passado fático,
O algoz do presente lunático,
Sem um futuro fanático.

Aqui jaz o ser do meu eu,
Tal qual dizer o que doeu,
Aquele homem em mim morreu!
A silenciosa dor apareceu.

A estrondosa morte bateu,
O dia de fim aconteceu,
O eu lírico morreu,
Esvai-se o eu.

O amor

É doar-se em alma,
Manter-se a calma,
Conexão mortal,
Casamento final.

Matrimônio único,
Ato benéfico,
Compreender o nós,
Desatar o entre nós.

Vibração somática,
Por vezes errática,
Cultural é sua prática,
Monumental e metálica.

Viu-se o levantar,
Viu-se amar,
Viu-se arruinar,
Viu-se recomeçar.

Não foi bem,
Não foi mal,
Não se fez drama,
Não fugiu da lama.

Ouçam o vento,
Ouçam o agora,
Ouçam o viver,
Ouçam o morrer.

Picada no vespeiro momento,
Teorizam seu comportamento,
Faz-se um ensinamento,
Convém ter seu conhecimento.

Ela já se fez em relíquia sagrada,
É vista em um conto de fada,
Tem seu fim na espada,
Por vezes é ceifada.

Senhorita vida, tu é o início e partida!

Ele é o vazio almanaque,
O Mortuário de embarque,
A escuridão do charque,
A alma vazia de palanque.

Frívolo pilar longínquo,
Imutável e oblíquo,
Honorário pulsante,
Averso de semblante.

Oscilante atômico,
Crespo cômico,
Contradiz o advento imaginário,
Permeia e nada em um aquário.

Maresia da fertilidade,
Desbravam-no na futilidade.

Quem é este ser incompreendido?

Pressentimento ruim,
Breve virá o fim,
Dor de dilacerar um rim,
O mental é o estopim.

Nada mais resta fazer,
Dor e lágrima a cozer,
O caminho a escurecer,
Olhos a esmaecer.

Criminosa solidão,
Domina o coração,
Caiu o próprio sermão,
Veio o apagão!

Jesus a rocha da presença,
Nele é necessário nascença.
Luz do mundo e sal da Terra,
Só há esperança naquele que não erra.

Alfa e omega, princípio e fim.
Por nós jorrou seu sangue carmesim.
Seu sacrifício redentor do Éden.
O velho jaz e o novo vem.

Em três dias de volta aos vivos,
Da vida e morte ele tem os crivos.
Tríplice unicidade do ser,
Creia nele para eternamente viver!

Cumprimento da tábua mosaica,
Juíz polido dentro da arca.
Ele faz do céu cair fogos,
A razão do logos.

O trono da luz divina,
A presença trina.
A antítese do impossível,
O destruidor do abominável.

Deus, Jesus e Espírito Santo,
Toda o templo se enche do seu manto.
Adoração eterna no céu,
Na cruz, rasgou-se o véu!

O penhasco da máquina,
A humanidade que se exprima.
Tormenta física e mental,
Aproximando do momento final.

Mórbidos dias de agonia,
Aos poucos perdendo empatia.
Os pensamentos putrefeitos,
Neles, nada além de defeitos.

A alma perece na inquietude,
Se esvai a plenitude.
São mil lâminas com plutônio,
Semelhança ao rei Babilônio.

A caverna do juízo final,
O átrio da existência coronal.
Até o fim da oscilação de ruína,
Da morte vive a sua doutrina.

Dor dilacerante do existir,
Buraco ao qual não vai extinguir.
A lança do pensar,
A nota de pesar.

Tal qual um sonho,
Doeu, suponho.
Ali está o eu,
Muitos dizem que morreu.

A mitologia da felicidade,
Tudo se fez vaidade.
Aqui faz uma mente,
Já se foi aqui o presente.

O diário de de um homem fiel,
De suas ideias ele virou réu.
A condenação eterna do pensar,
O cérebro corroeu o bem-estar.

Bradou, bradou!
Da dor virou marca.
Este momento começou,
Grande é o canto em Harpa.

Não há mais o agora,
Fugiu a razão e foi embora.
Onde o encontrarão?
No mais inútil canto de um coração.

Beldade da existência,
Inquietante é a sua ciência.
Ser o elo entre a dor e o ser,
Na amarga rotina de viver.

Genial é um inseto.
Voa pelos ares incertos,
Não há preocupação,
Apenas resta a quietude de não saber o que sentir no coração.

Quão grande é o peso no meu coração,
Pesado é o fardo da aflição.
Flecha ardente de perdição,
Supra-sumo que caiu no chão.

Oh, tardio é o alegrar,
Longínqua é a dor a queimar.
A marca exposta nos versos de poesia,
O peito tendo arritmia.

O esplendor do vazio,
O rasgar da alma no frio.
Tal cena é horrenda,
Perfurante ao entrar na fenda,
Cavidade do eu, apelido momento,
No bravio mar de rosto,
Da felicidade é o oposto.

Desesperante flor da vida,
Ânsia que fora pela partida,
Prostrado diante das lamúrias,
Tal qual, é alto o rasgar de um trovão,
O estrondo da lágrima é ao tocar o chão.

O que é o vazio? Não é o nada, é a falta do sentido de ser ou existir. Já o nada é um lugar desocupado da razão sobre as ideias.

"A vida é vazia, vazia de ser, pois há uma necessidade de manter aparências. Viva a vida de forma que o 'eu' represente mais que o 'eles!.."