Coleção pessoal de joseni_caminha
A dor
Qual o tamanho da dor?
A dor é como um buraco,
não tem tamanho.
É sempre um buraco,
por mais que você queira
encontrar uma parte dele
não a encontrará, pois
será sempre um buraco.
A dor, igualmente, não tem
como mensurar.
Embora seja, aparentemente,
menor que outra,
não deixa de ser uma dor.
A dor deixa suas marcas,
a dor deixa a saudade,
por quem não veremos mais.
A dor deixa o arrepedimento,
por não termos feito um
pouquinho mais.
A dor deixa um enorme buraco.
Encontrar-se privado de sua liberdade de ir e vir,
é ter a sua vida reduzida à rotina do viver,
vivendo com o propósito de ter como mudança,
algo que não depende do seu querer.
A confiança é um tesouro
que se conquista aos poucos
e tem o tempo como parceiro,
mas a volatilidade como companheira.
Se queres "estar feliz"
desprenda-se dos teus desejos,
principalmente se eles não são comedidos,
pois diante da aplestia do querer,
não conseguimos conciliar: .
Desejar e Viver.
Querer entender o que nos dá sentido
é deixar de dá sentido ao que queremos,
pois viver não é usar o tempo que temos
apenas buscando, mas utilizando-o
efetivamente na realização do que desejamos.
Acredito que o sentido da vida
está em não querermos
buscar sentido para vida,
mas vivê-la simplesmente.
A nossa existência significativa
está no sentido que atribuímos
aos nossos atos, pois podemos
fantasiar uma imagem nossa
para quem nos olha,
mas não conseguimos
fazer como que essa mesma imagem,
nos faça acreditar nela.
A importância do seu ato
para mim, está na possibilidade
de que eu possa sofrer as consequências dele,
portanto, o que venhas fazer para
agradar-me,
que seja feito enquanto eu esteja por aqui.
Para que eu possa usufruir ou ignorar,
agradecer ou repudiar, pois
na minha ausência ele não tem sentido.
Na busca por respostas
a questionamentos acerca
do sentido da vida,
o homem chega a exaurir-se
na ansiedade oriunda
de sua incapacidade de obtê-las.
Enquanto nos precupamos
em criar uma imagem ideal
para ser apresenrada para os outros,
deixamos de viver o que somos
de verdade.
E nesse viver fantasioso de aparências,
não vivemos, apenas afundamos em
um mundo de frustaçoes em uma vida
não vivida, mas sofrida.
Vivemos uma fantasia
onde o futuro é o nosso
objeto de desejo.
Ao desejar esquecemos
que o mais importante
é o viver.
Viver a rotina do dia-a-dia
é confirmar a singularidade do ser,
o qual difere dos demais na natureza,
não pela sua racionalidade, mas pela
sua capacidade de criar as suas ilusões, as quais são responsáveis
pelas frustações que o conduz
a concepção de que a vida é apenas um ciclo do processo nascer e morrer.
Quando se leva uma vida
de postegação,
não se vive,
apenas passa pela vida.
Postegar é reduzir as oportunidades
de estar feliz, que já são efêmeras,
por natureza.
Na ingenuidade do cordeiro eleitor
a hiena postulante
monta seu discurso enganador.
Preparando o palanque
com um cenário de promessas,
garante sanar todos os problemas,
Inclusive a dor.
Daqueles que sofrem
com com o não cumprimento
dos direitos negados
por aqueles que não
têm pudor.
Corroborando com a ideia da importância de um processo,
o qual é apresentado como o caminho,
mas na verdade é uma quimera.
E numa contínua participação os cordeiros sempre estarão,
sendo alvos de novas e eternas hienas
com as repetidas promessas,
de mudar o que não se muda.
A dor que doi
é aquela que sentimos,
por isso falar em sofrimento
não é sofrer.
Dessa forma empatia
é um sentimento
que nos conduz a compreendê-la
e não senti-la.
Ter foco no que desejamos
é sabermos controlar
os desejos concomitantes
ao que nos motivou
a estarmos focado.
