Coleção pessoal de josebiermann

Encontrados 15 pensamentos na coleção de josebiermann

Ondas quebradas, formigas vem brincar, sem sol fico a fitar a imensidão do mar. Faltam as mãos os braços os cabelos, o_olhar... E mesmo sem você, sinto seu cheiro no ar...

José Biermann

longe dos pagos missioneiros me aconchego aos poucos. Sem muitos floreios vou mastigandos os dias como uma boa rapadura.

josé biermann

Admirável Mundo Novo

Desapego, deixa ir quando quiser

Respira, o simples encanta mais

A dor, que passa, ensina crescer

A Luz, volta bela, entre os vitrais


Segue o credo, viva o amanhecer

Sinta paz, em jardins de bonsais

Encontre, valores que valem mais

Perdidos no breu, na face do mal


Saberá o que diz a filosofia do ser

A sabedoria dos velhos, ancestrais.

Educação, salve o mundo animal


Caminha perdido, sem o rumo ver

Acumula ouro derruba os palmeirais,

Quiçá, tudo acaba em um dia igual.

José Biermann

Vazio

Numa tarde quente fiquei só

Pensei tudo, desfiz os nós.

Pulei no abismo

Chorei pó


Surge, num olhar vazio, você

Num pensar confuso, você

Tarde em chama

Chama você.

Quero daqui, para longe voar

No céu, quero me perder

cair em alto mar.

O barquinho, perdido, estará lá

Para sempre eu navegar.

No lado de cá.

José Biermann

(lalalala)…Oxalá

Ainda sei que sou feliz, hoje acordei sorrindo, abracei a vida e me perdi em seus braços, beijei-a com tanto amor e paixão que não senti outra coisa se não a paz que precisava… Tem sido assim, os dias nascem com outra cor, tudo está em paz e ao mesmo tempo um furacão de incertezas destorce o tempo, isso que se chama amor é um sofrimento do viver, uma anestesia que amortece minha razão me faz fraco, queimo vivo, viro alvo e me acerto com fogo. Mesmo assim, arrebento as amarras que me prendem e vou queimando, aos poucos até que não restará mais nada, nada que não seja cinzas e algumas faíscas… Muito na vida poderia ser assim, como uma paixão que muda tudo de lugar e deixar a razão de lado para seguir o coração, mas, como seria se muitos se apaixonassem? Ah seria um caos sem limite e o mundo queimaria inteiro mas, com certeza, o mundo seria de paz, pois muitos estariam perdidos em si mesmos.

José Biermann

Café

O filtro falho amargou o meu café.

De desgosto não senti mais gosto,

Logo fiquei amargo igual ao inverno

Que esfriou a minha boca, a borra

E ainda gelou o lado que descobria.

José Biermann

Soneto da Paixão

Aqui estou, angustiado, sinto tanto sem querer

Preso por vontade, arde o pensamento em você.

Pulso mudo, despedaço o sol num sonho verde

Espaço vago, arde em ferida e faz-se perder.


Roseiras esplêndidas afligem com espinhos o meu ser;

Cai o céu sobre o mar ascende a chama do prazer,

Estremecem as montanhas, cadentes anjos presente,

Em confusão de sentidos esperam aflito o amanhecer


Suplica paz que já não tem, em dias de albatroz.

Descontente segue adiante sem desmerecer

Resiste, sem hesitar, ao vendaval que vem veloz


Tudo passa vai para espaço sideral, em voz

Cântica, descobre o som do próprio amor

Paixão ardente, impossível mais veroz.

José Biermann

Feliz Fim

Naturalmente, em compasso vou para o além como gás, dissipado em moléculas e ao relento. Sem agrado, jogo fora as redundâncias e me apego fácil, eu ainda preciso aprender, mas a vida professora disse: procure dentro de ti, e eu só quis fugir de mim… Ir para longe onde tudo é fugaz, sem perguntas erradas vou ter de debochar da modesta sanidade, mesmo que para isso tenha que chorar ao reler cartas que, outrora, falavam de amor paz e compaixão. Acreditei na vida, maravilha doce, um mosaico de confetes e paixões desenfreadas, tempestades em campos de girassóis, ilusão, cheiro sublime que cerra os olhos, um suspiro de saudade e tudo mais que poderia ser e foi. Assim, começo a me perder aos poucos e conto os degraus, vou ao encontro da psicopatia que já está a minha espera. Lá eu terei um trono e uma companheira para delirar, rir sem causa e nunca chorar. Talvez, o sabor seja outro e o arco-íris enganará seus tons, a música será da alma… Cantaremos juntos versos insanos e dançaremos Pink Floyd… Beberemos vinho antes de contemplar noites de luar boiando em águas calmas. Lentamente descobrirei os segredos abissais da minha companheira.

José Biermann
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Alva Alma

Ainda que sejas tarde, fuja das ondas de satélites e

Parabólicas. Equacione o pouco que resta de compaixão

Viaje sem rumo, solte pipa, jogue pedrinhas na água

Ignore os ponteiros e tome banho de chuva…


No final, poucos irão chorar, só a lembrança resistirá

Mas, lembrarão do que foi bom e descansará em paz, numa

“floresta dos homens esquecida, à sombra de uma cruz,

E escrevam nela: foi poeta - sonhou - amou na vida”.

José Biermann

Sol

Dragão amarelo sorrindo de cara cheia.

Sem medo, sem olvidar arde em alegria

Pudico em seu fulgor, desveste o dia.

Em pranto sofre calado, ilusão dos ancestrais

Já foi Deus, matou, criou,se escondeu no final.

Dia de paz, dia de guerra segue olhando os mortais.

José Biermann

Viver

Certo dia, um dia cinzento...perdi-me dentro de mim.

Sem respostas ignorei a vida, mas inventei outra

Risquei cores, fiz um chão de papel e fiquei brincando

De ser poeta, quão de repente risquei faíscas,

Fiz uma chama, dobrei o chão, fiz um cata-vento

E fui correr com a vida.

José Biermann

Melancolia, disfarçada num lirismo bêbado

Perde-se em palavras, cai no delírio.

Fica à margem da tristeza foge à razão

Ignora o que é régio, encontra seu coração.

José Biermann

Quinta-floyd

Plenitude fugaz das horas.

Quero a paz do meu bonsai,

Quero mudar sem medo,

Plantar e cuidar.

Viver sem dicionário

Ler a vida devagar.

José Biermann

Tic Tac

O silêncio breu

Companheiro meu

Esvaiu-se, num pulsar

Quase enganou a vida.

José Biermann

Luz nos vitrais, melodia da garoa.

Chamam os anjos, ecoam os mitos

Entre silêncios e gritos

O mundo vai se calar.

Publicam coisas da alma, dos bueiros,

Das gavetas do pensar. Mas,

Não há céu que resista

Uma tristeza no olhar.

José Biermann