Coleção pessoal de JonathanRodrigues90
AGITAÇÃO
Calmaria insana que me enche a mente
De coisas eloquentes que eu não quero pensar.
Agitação é o que eu desejo.
Se parado, fico preso
Com o tempo ocioso que não para de passar
E de nada me adianta ter tempo e não esperança,
Ser adulto e não ser criança,
Ter dinheiro e não brincar.
De nada me adianta ter sonhos e não vontade,
Trabalhar só por necessidade.
De qualquer jeito eu vou cansar.
Que eu me canse sendo eu;
Que eu leve a vida me arriscando;
Que mesmo perdendo e chorando
Eu consiga me recuperar.
Não largo a vida por promessas.
Quem vive de verdade tem pressa
E luta para ser feliz
Porque, no fundo, essa é a meta.
O resto a gente inventa;
Se der certo, se contenta
E se reinventa, caso errar.
Mas eu gosto mesmo é da agitação
Que completa meu coração
E me dá um sentido de existir.
Seguir, seguir e seguir
ADRENALINA
Eu necessito sentir o vento no rosto,
Enxergar nos lados o oposto,
Alterar o cotidiano.
Eu preciso olhar ângulos diferentes
Da mesma rotina da gente
Que a gente passa e não observa nada,
Só o caminho singelo e turvo.
Eu gosto de criar expectativas,
De fugir da monotonia.
De lidar com a correria
E esperar nada mais nada menos
Que qualquer imprevisto reacional.
Eu prefiro agir, mas reagir é bom também.
A mente se assusta,
O coração pulsa e acelera.
Até palpita, a pálpebra se agita,
Os pelos se arrepiam
E o corpo amolece. É fenomenal.
Eu gosto do risco
No papel e na vida;
Gosto das sensações repentinas
Que dão medo e não fazem mal.
Disseram-me uma vez:
Aquele que tudo sabe,
Na verdade, não sabe nada.
Deleito-me em sua fala
E o pouco que sei
Me encantam as coisas do mundo.
Não terei tempo para toda experimentação.
Tenho que ser ligeiro.
Eu gosto do incerto, de certo pensar
Em que não uso a razão.
Eu prefiro a emoção instável
Da minha mente inabalável
Que pode até sofrer,
Mas sabe que se segue de qualquer jeito,
Que não importa o efeito,
Tudo causa reação.
Eu gosto da adrenalina.
Talvez esteja na minha sina
Esse desejo louco de querer sentir
Sempre qualquer emoção.
À VISTA DO AMOR
Teu sorriso é como a luz que irradia;
Os teus olhos penetram no meu ser;
Tua voz doce e pele macia
Agraciam o meu viver.
Você é o sentido que me faltava.
Teu corpo me dá prazer.
Inteligência inigualável.
Um conjunto de puro poder.
Faço de você a inspiração
O meu sentido de existir
Mistérios sinto em suas mãos
Quando me toca e sorri.
Enigmático é o seu pensar.
Confundo-me no seu querer
O jeito estranho de me amar
Que não deixa transparecer.
Coração mole e de amor,
Esconde-se entre as muralhas.
Não mostra a sua dor,
Pois se preocupa com as falhas.
32
Desejo você com fervor,
Luto por nosso futuro,
E as dificuldades de hoje
Serão frutos de um amor seguro.
A FÉ
A fé que semeio em meu peito,
Mesmo que sem jeito,
Singela, incrédula, reluta.
A fé que por tanto tempo é absurda,
Que tento em contento
Sem dúvida, sobre acreditar
Naquilo que não se vê,
Se crê, cria expectativas,
Ora choradas, ora atendidas;
Ora passadas, horas perdidas,
Mas vivo a acreditar
Na luz que ilumina e no fim
Que não termina,
No sobe e desce da vida,
No aprendizado em sina,
Na escolha, na alma e na lida.
Quando eu perco, eu ganho,
Pois sem, aprendo a dar valor.
Quando sofro, evoluo
Pois repenso sobre o amor.
Quando tudo quero e nada posso,
Treino minha paciência
E, em consequência, anseio com pudor.
A culpa é da mente
Que mente e engana,
Confunde e afana o que é bom,
E, em tom de ironia,
Perturba com magia
A salvação religiosa prometida.
Como pode existir um Deus que é bom
E ao mesmo tempo castiga?
Fácil culpar alguém
Quando, na verdade, é a mente que está perdida.
Sem orientação não há caminho.
Sem caminho não há chegada.
Sem chegada não há propósitos.
E sem propósitos não há empenho.
Cego em não preocupar-se com a beleza
Contida na trajetória da vida,
Não admira, não anseia, não aspira,
Joga-se na imensidão do nada.
Sozinho morre e agoniza.
Erros e acertos são fases
De mentes sãs e ou sofridas.
Ter fé é acreditar em você,
Nas coisas boas da vida,
É enxergar a luz na escuridão,
É se encontrar mesmo em ruínas.
A DOR QUE EU CRIAVA
Por onde olho, vejo o mundo
No espelho refletindo minh’alma
E descrevo sem cortejos:
O que o íntimo do meu ser esbravejava
Era um buraco escuro.
Um palmo de distância separava
Meu corpo do paredão aceso
Que em fogo chamejava.
O que me deixava confuso
Era a incoerência de como ocorria,
Pois, se escuro estava,
Meus olhos não viam,
Mas meu corpo na dor sentia
E sofria a dor que era só minha,
A dor que eu mesmo criava.
Pena que a gente não escolhe
Com quem iremos conviver.
Ainda bem que o mundo é livre,
Junta pessoas para aprender
A dividir o tempo todo
E relacionar-se mesmo sem vontade
Pois, além da nossa compreensão,
Existe um ser divindade.
A CRIANÇA QUE HABITA EM NÓS - SENSAÇÕES
(Peça para alguém ler para você)
Hoje aqui eu convido você
A viajar comigo nesta história.
Esvazie a sua mente
Feche os olhos e apenas ouça
Minha voz suavemente.
Pronto, voltaste a ser criança.
Aproveite, não há mais ninguém em volta
Só você e sua velha infância
Ali no cantinho, veja!
Quanto brinquedo empilhado.
Há um que você gosta mais.
Dá pra ver.
Vá pegá-lo!
Uau! que bela recordação!
Há quanto tempo você não brincava?
Não recordavam-lhe as boas lembranças?
Sensações de criança
Que se foram e não voltam mais.
Aproveite, ainda estamos aqui.
Quanta inocência e rebeldia!
Você foi travesso um dia.
Quanta calmaria
E ansiedade para brincar
Como se o tempo fosse só seu
E o mundo girasse ao seu redor
Como se não houvesse problemas
E a dor fosse uma só,
A de ralar o joelho,
De arrancar o tampão do dedão,
De bater a cabeça ou levar um escorregão,
Mas não importa.
Tudo passava, você chorava,
Se encantava de novo e ia...
Quanta alegria!
Eu acho que toda infância nos remete a um pé de manga,
A um grupinho de amigos doidos,
A um clubinho, algumas construções vazias
Que serviam de labirinto para brincar de polícia e ladrão,
A uma cozinha pequena, porém limpinha,
A vó gritando e fazendo o almoço,
“Come tudo menino: - ‘tô’ de olho.”
O banho de chuva gelada, na lama ou na calçada,
As brigas com os irmãos,
A bola na casa da vizinha chata,
À noite, a mãe esperando você, com a varinha na mão...
Tudo era maravilhoso e tão simples.
Hoje como a gente aguenta?
Quantas virtudes eu tinha, quão sortudo era eu.
Desculpem-me quem não viveu assim,
Mas, pra mim, foi assim que se valeu.
Que saudade imensa de ver girassóis.
Hoje eu não vejo mais, é como se tivessem sumido,
É como se tivéssemos escondidos
Como a criança que habita em nós.
A CACHOEIRA
Oh corrente água guerreira!
Contorna e cria barreiras,
Inspira-me a destreza
De ser como tu, perfeita
Fonte de saudosa sabedoria,
Alivia-me no simples ato de te olhar,
Acalma-me este teu balançar.
Teu ruído às vezes, me assusta,
Mas adoro o teu cantar
Teus mistérios, nascentes, grutas
E lutas a alcançar,
Destino travado, incerto,
Condutas do homem a te cuidar.
Venero-te, és bela, tamanha astúcia
Que em meio a pedras duras
As ensinam a te respeitar.
Quem sabe eu sigo teus caminhos!
Gosto de te explorar.
Conhecendo-te um pouco
Tuas lições hei de guardar.
Ode à cachoeira
"Oh corrente água guerreira!
Contorna e cria barreiras,
Inspira-me a destreza
De ser como tu, perfeita"
Quem fica preso em vitimização, sem buscar transformação ou espalhando sofrimento aos outros, permanece prisioneiro de si mesmo. É mais fácil culpar o outro do que assumir nossas falhas
Perdoar não é a mesma coisa que voltar a conviver. É voltar a viver sem sentir-se amarrado ao passado e ao seu obsessor.
Hoje tenho a convicção que posso ter sido o bandido de alguém também. Cada um, enxerga aquilo que o seu mundo vê e no final sempre será você contra você, tentando culpar alguém pelas coisas de errado que te aconteceram.
Às vezes o amor é uma guerra
Tentando controlar as rédias
É um sentimento urgente
Desenfreado e eloquente
Amar realmente é uma tragédia
Loucura minha me sujeitar as tuas chatices
Será o amor capaz de tanta burrice?
Faço de tudo pra te agradar
E recebo tuas ofensas sem questionar
Eu quero fugir daqui, mas ficar perto de você
Tirar-te dos meus pensamentos, mas também te ter
Não quero tocar tua pele, me dá prazer
Quero te olhar nos olhos, mas não te ver
Afugenta teus medos menina
Que sina tristonha te envolve?
És linda e perante ao mundo
Tens uma luz enorme
Se crê, cria expectativas
ora choradas, ora atendidas
ora passadas, horas perdidas
Mas vivo a acreditar
na luz que ilumina e no fim,
que não termina
Talvez eu tente um pouco
Talvez eu não tente nada
Talvez eu seja louco
De “talvezes” é minha estrada
Apeguei-me ao mais fútil sentimento
o desejo incontrolável de ter
Hoje tenho tudo e estou só
O fato é que eu não soube escolher
Tudo é bem simplificado
Eu já amei e fui amado
Mas como pode o amor acabar?
Como em umas férias de verão
Você goza
E depois volta
À sua razão
