Coleção pessoal de JBGregorioJr

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Entre a vida e o além vida, temo apenas a dor e as sequelas enquanto vivo, nesse meio termo, todo o resto é só uma passagem.

Um dia fomos loucura
Diante de todos
No caminho da devoção
A sanidade era só um lampejo
Suficiente para desviar nossa vontade


​Um dia já fui desejo
Te ouriçava o corpo
Eriçava teus pelos
Borbulhava tuas fontes
Extraía teu perfume


​Hoje sou distância
A negação de um momento
O sonho esquecido
Uma página dobrada,
Que um dia não sabes se vais ler


​Hoje te vejo à distância
Ainda estou ao teu alcance?
Tu permaneces vontade
Eu permaneço desejo

Só se vive uma vez, entretanto caminhamos diariamente à morte.

Louco
Patético
Voluptuoso
Inefável
Não se sabe porque se sente
Não se sabe nem se se sente
Na verdade
Não sabe nem se existe!
Quem pode dizer que sim?
Quem o pode negar?
Dever ser por isso
que muitos afirmam sentir
Sem nem mesmo saber expressar
Mas com certeza, louco é aquele que diz
Que não sabe o que é amar

Amizade-Escudo
Te odeio por tua amizade,
Que despreza o meu desejo;
Ela serve como um escudo,
Que me barra o passo e o beijo.


Tenho raiva do silêncio,
Que me deixa sem resposta;
Ignorando os meus sinais,
Finges que de mim não gostas.


Odeio meu coração,
Por teimar no sem retorno;
Preferindo a rejeição,
Deste meu viver tão morno.


Como desprezo esse medo,
Do corte, do afastamento;
Da certeza que já tenho,
Deste meu cruel tormento.


Eu me sinto tão iludido,
Pelo teu modo de agir;
Pela tua dissimulação,
Que me impede de fugir.


A paz já não me pertence,
Longe de ti, a angústia;
Perto, resta a solidão,
Nessa entrega sem astúcia.

A morte é um instante, mas o luto e a despedida são extensos.

O Problema não é a Morte
O mal não é o fim da estrada,
O problema é a agonia;
A dor da alma apartada,
Que o corpo já não sustenta,
E a dúvida que nos guia,
Nesta dor que nos sedenta.
A dor de quem se despede,
A dor de quem viu partir;
A saudade que intercede,
No peito de quem ficou,
Na dúvida a nos consumir,
No rastro que se apagou.
Quem se foi, já não é mais,
Deste mundo se ausentou;
Colhe os frutos ancestrais,
No lugar onde habitar.
Mas o peso que restou,
Faz a falta machucar.
A saudade, enfim, espanca,
A negação nos maltrata;
Uma dor que não se estanca,
Pois o fim, enfim, chegou;
A morte, em sua mão exata,
Um personagem levou.
Deixou o quadro escrito a giz,
Que o tempo logo consome;
Desta história, o que se diz?
O que de fato ficou?
Resta apenas o sobrenome,
Ou o que o amor preservou?

O problema não é a morte, mas a dor
A dor de quem fica
A dor de quem vai
A dúvida que nos consome
A saudade que acompanha quem ficou.


Quem se foi, daqui não mais será
Donde está, colhe seus frutos
Mas quem ficou,
A falta machuca
A saudade espanca
A negação maltrata


Por fim, o fim chegou
Levando um personagem
Deixando um quadro escrito a giz
O tempo dá conta do resto
Mas o que de fato ficou?

Ideia Fixa
Você é minha ideia fixa,
Que eu não quero esquecer.
É vício que me domina,
Sede que me faz sofrer.


Preciso, no mesmo instante,
Te esquecer e te possuir.
Sumir de vez da tua vida,
Ou no teu peito existir.


Sei que não sou quem tu queres,
Mas sei que posso te amar.
Teu corpo seria o mapa
Que eu ia desbravar.


Sem freio e sem mais pausas,
Mergulho em todo o teu ser.
Nas páginas do teu livro,
Eu quero me escrever.


E quando estivermos juntos,
Preenchidos de nós dois,
Seremos um só destino:
O agora e o depois.

Desistir é uma ação.
Fracassar é uma consequência;
Conquistar, um verbo como os demais.
Porém, o Sonhar...
Quando concretizado é a conquista
Se nunca tentado, fracasso.

São as ideias que nos prendem
São os pensamentos que nos conduzem
São os sonhos que nos encantam.

Ninguém lhe diz que está apaixonado, mas você sabe.

Se esperam muito de você, não importa o quanto faças, será sempre pouco; porém, se és do tipo de quem nada se espera, tua mínima entrega será maravilhosa.

Esperar
E receber a falta de tempo
desejar
E não sentir a mesma intensidade
Cantar
um solo, quando deveria ser em dueto
Agir
E não ter em troca a reação


No fim,


O gozo
Se torna um despejo
A mão
É melhor que pernas e entremeios
A solidão
É melhor que a companhia.


Enquanto se luta com a realidade distante, perde-se os sonhos pelo medo do seu fim imediato.

⁠Das paixões que tive
daquelas que ousei confessar
não as vivi por medo,
e vivo aspirando o que não foi
pois, daquelas que se interessaram
fugi por meus compromissos
anulei a possibilidade
as fiz desistir
só não as tirei do peito
aqui de dentro de mim.

⁠Do nada me vens ao pensamento
E de lá insistem em não sair
Sonho com o dia
Que me convide ao teu leito
Ou quem sabe na relva poder te amar
Luto contra meus pensamentos
Bocado de ti que permanece comigo
Porém, sonhando ou acordado
Vivo a triste finalização
De ouvir dizer que não me amas
De saber nem no sonho tu me quer.

⁠Te vejo
Não posso ao menos te tocar
Ao meu lado
Apenas fico a olhar
Não posso falar meu desejo
Fico apenas a observar
Com outro, te completas
Comigo, só me deixas sonhar.

Numa taça cristalina, a amizade se desvela,
Amor que não floresce, um querer que a alma cela.
Os lábios buscam nela um vinho a saciar,
Mas o desprezo sutil, sem querer magoar,
Revela a conveniência de tê-la sempre a servir,
Sem a essência do desejo que jamais vai surgir.

Uma taça de cristal, delicada e frágil,
Reflete a amizade que se impõe sobre a intimidade,
Um amigo que queria ser mais, um amor não correspondido,
Sente-se útil, mas nunca desejado.

Os lábios tocam a taça, na intenção de sorver o vinho,
Percebe-se nesse toque o quanto ela favorece as necessidades,
Há um desprezo sutil, não pra ferir, mas pra manter o servir,

Pois é cômodo ter a taça, sem a essência do desejar.
A dor da rejeição, um silêncio que dói,
Um coração que bate com amor não correspondido.

A transparência da taça revela a verdade,
De uma amizade que não é suficiente,
O desejo de ser mais que um amigo,
Um amor que nunca é correspondido.

A taça pode se quebrar, se não for manuseada com cuidado,
Assim como o coração que se sente rejeitado,
A dor da amizade imposta sobre a intimidade,
Um sentimento que nunca é superado.

A primeira vez que te vi, fiz um pacto comigo mesmo: "Evitarei amar-te, até amar-te a ti mesmo⁠".