Coleção pessoal de harlosdea
21 - 40 do total de 52 pensamentos na coleção de harlosdea
Tu pega um papel de bala e o teu peito desaba porque lembra do dia exato, do cheiro do perfume dela e da temperatura do vento naquela tarde.
Hoje a gente bebe por tudo aquilo que a gente guarda e que não serve para mais nada, a não ser para machucar.
Eu sou um especialista em sorrir enquanto sangro por dentro.
O pior não é sentir a dor. O pior é ter que fingir que ela não existe pra não incomodar ninguém.
Eu tô cansado de pagar o preço de manter essa farsa de ‘estou bem’.
Todo dia eu visto uma armadura que pesa mais que o meu próprio corpo.
Eu vivo o dia inteiro como um ator cansado que já decorou o texto, mas que não sente mais a peça.
Dá uma raiva danada perceber o quanto de energia eu gasto só pra parecer um vivente normal aos olhos dos outros.
Tu percebe que passou doze horas fingindo que tá tudo bem, mas a verdade é que tu só estava empurrando as horas com a barriga.
O problema de entrar no automático é quando o dia desacelera e o script acaba.
Tem dias que a ausência não é uma falta; é uma presença física dentro de casa.
Hoje a gente não comemora a alegria, a gente só respeita a caminhada.
Eu continuo aqui, firme no balcão, batendo o cartão na minha própria dor.
A gente tem uma capacidade meio assustadora de se acostumar com a falta de ar.
A dor mudou de formato, cara. Ela não é mais aquele soco na boca do estômago... Agora ela é uma presença silenciosa, tipo um vizinho barulhento que tu acabou se acostumando a ouvir através da parede.
Meio capangando, meio cinza, mas cheguei.
Os meus planos tinham o tamanho do sorriso dela.
Eu me sinto um passageiro clandestino no trem da maturidade.
Hoje eu preciso de uma bebida que não tenha história, que não tenha safra e que não me lembre de nenhum brinde que a gente deixou de fazer.
O problema é limpar o corpo. Como é que se deseduca uma rotina de anos?