Coleção pessoal de goulart_esdras

61 - 80 do total de 111 pensamentos na coleção de goulart_esdras

⁠Transformação

Para que tanta guerra?
E tempestades de destruição,
Se os motivos, no final
São sempre em vão.

Para que tanto ódio?
Contra o próximo sentir,
Onde não há diálogo
Para um consenso surgir.

Para que tanto preconceito?
Respaldado em razão,
Razão esta, que não sustenta
A sua própria definição.

Para que tanta ganância?
Da sede insaciável pelo poder,
A ponto, de extinguir
O lado "humano" de ser.

Para que tanta inveja?
Rodeada de tanto rancor,
Que ignora as consequências,
Causadas por seu dissabor.

Para que tanta desunião?
E exaltação da individualidade,
Fazendo do egoísmo
A sua maior vaidade.

E todas estas indagações
Infelizmente é uma verdade,
Infiltrada nas ações
De toda a humanidade.

Afinal é muito cômodo
O erro do próximo apontar,
Difícil mesmo é o contrário
Os seus erros enxergar.

E começa neste acaso
Os conflitos e a intolerância,
Que sempre por trás carregam
A amarga ignorância.

Mas pense agora um instante
Há ainda uma solução,
Uma simples e poderosa palavra
A "transformação".

A transformação interior
Dos sentimentos e da razão,
Buscando o entendimento
E também a compreensão.

Não precisa de guerra
E as mãos de sangue, sujar
Às vezes uma simples conversa
Pode tudo acertar.

Que se cultive o amor ao próximo
E que cresça os laços de união,
Pois aos olhos de Deus
Somos todos irmãos.

E que pai que fica contente
Vendo seus filhos brigarem,
Quando na verdade deveriam
O amor e a paz compartilharem?

Que tenhamos mais caridade
De ao próximo ajudar,
Pois todo bem que fazemos
Um dia a nós irá voltar.

De que adianta guardar riquezas
E maravilhas materiais?
Um dia partiremos deste mundo,
E destas coisas levaremos, quais?

O que levamos desta vida
É a nossa experiência,
As lembranças, os sentimentos
A esculpida vivência.

E o que deixamos na vida
Além das pessoas que amamos,
É o resultado de nossas ações
Enquanto aqui moramos.

Assim, reflita um instante
Deixo aqui uma pergunta no ar,
Ao decolar do aeroporto da vida
O que pretende deixar?

⁠O menino que sonhava acordado

Eu conheci um menino,
Alegre e de bom coração
Que gostava de viver em um mundo,
Fruto da sua imaginação.

No seu mundo, ele moldava
Usando a sua percepção,
Fragmentos da realidade
Segundo a sua própria interpretação.

Poderia ficar dias,
Neste universo a admirar
Só bastava imergir,
E nas águas dos sonhos mergulhar.

Isto não lhe custava nada
Dinheiro não era o investimento,
O valor mesmo imposto
Era apenas o momento.

O momento que apesar de regido
E pelo tempo controlado,
Era para este menino
Como se tudo tivesse parado.

Tudo menos a sua mente,
Que trabalhava a todo o instante
Tingindo de infinitas dimensões,
A ilusão desta viagem alucinante!

Todavia, ele sabia
Sabiamente separar,
O seu mundo imaginário
Da sua vida que estava a trilhar.

E mesmo assim não se importava,
Que o que construiu não existia
Afinal era este detalhe,
Que tanto o alegrava e o envolvia.

Ah como era bom a liberdade
Com que o seu mundo criava,
Era como um talentoso pintor
Que sobre uma tela, a tinta deslizava.

E depois de pronto a pintura
Vale a pena olhar,
As minúcias desta tela
Que tantos detalhes tem, para contemplar.

Mas se tem um defeito,
Nesta tela pintada
O que poderá ser feito,
Para arrumar esta empreitada?

É daí que vem a magia
Deste menino a imaginar,
No mundo da imaginação
Tudo pode se alterar.

Não há limite, e nem obstáculos
Nos sonhos construídos,
Pois tudo que o compõe
Foi por ele definido.

E assim se passou muitos anos,
Com este tesouro escondido
Vivo na mente e no coração,
Deste garoto querido.

Mas com o avançar do tempo,
Chegou a maturidade,
Que descobriu o tesouro
E entendeu a sua finalidade.

E depois disso tratou
De acabar com a tal riqueza,
Escondendo o, em um vazio
Trazendo ao menino, a tristeza.

Desde então este pequeno,
Passou a se acostumar
Ser pobre de fantasia,
E não conseguir mais sonhar.

Porém, certo dia
Já estando adulto então,
Sentiu na alma algo diferente
Uma espécie de emoção.

Pois esteve a lembrar,
Dos bons tempos que passou
Ao lado do seu tesouro,
O mundo que quando criança sonhou.

Ele não tem um mapa,
Para esta riqueza reencontrar
Apenas guardou as recordações,
Dos momentos que esteve a viajar.

Assim conseguiu entender,
Que não importa o tempo que passar
O que é bom permanece guardado,
E em nós sempre vai estar.

E para que nunca se perca
Esta lembrança a embalar,
O menino teceu nestas entrelinhas
Esta essência a se eternizar.

⁠O ciclo do reforço

No mundo dos afetos
É preciso reforçar,
Com um gesto de carinho
Faça das palavras ditas
Um sentido a significar.

Pois balbuciar frases
Leva-o a monotonia acometer,
Assim logo em um espaço de tempo
Pode o coração a um fiel sentimento perder.

Do ciclo da vida fazemos parte
Necessitamos de ritmo em nossa pulsação,
Não precisa de muito...
Apenas um caloroso abraço
Que revigore as batidas
De nosso coração!

⁠Por que eu não falei das flores?

Por que eu não falei das flores?
Que na primavera desabrocharam
Com cores incríveis, e aroma doce
E muitas abelhas aproveitaram.

Por que eu não falei das flores?
Azul, lilás, amarela ...
Multicores que logo seduz
Aos olhos, um arsenal de aquarela.

Por que eu não falei das flores?
Verdadeira companhia da alma,
Que resgata a infância, numa nostalgia
Embalando a consciência, já calma.

Por que eu não falei das flores?
Já é findada a estação,
Primavera! O seu retorno aguardo
Fazendo do pesar, a minha canção!

⁠A resistência

Na terra da esperança
A fraqueza se evoluiu,
Buscou em seu cerne, a força
E então o medo se sucumbiu.

O passado é de experiência
Mesmo que trazendo a dor,
Tece as fibras da resistência
Que se emaranham no interior.

Passa os dias diante dos olhos
Começa então a se acostumar,
E a ferida que a muito tempo sangra
Seu escárnio já não parece mais impactar.

Uns dirão que é cicatriz
O ciclo da cura do ferimento,
Porém, fecha se este e outros abrem
Trazendo a dor em algum momento

E o vem e vai da recuperação
Permite então, respirar,
Juntando fragmentos de compreensão
Que um alívio passa a experimentar.

É que em uma convicção final
Na vida, estilhaços estão sempre a nos atacar,
Assim, talvez a maior defesa não seja a cicatrização
Mas a corajosa capacidade de suportar!

⁠A utopia de amar

Olhos nos olhos
Na busca por intimidar
Tentando descobrir os segredos
Guardados em seu olhar.

É como um jogo divertido
Onde a meta vem da expectativa
De ver no outro o impacto
Causado por sua ação viva.

Ação que induz a reação
Dos corpos ali envolvidos
Em cada gesto, suave ou intenso
Criando fragmentos de momentos
Jamais esquecidos.

E nesta jogada então
Vale este olhar penetrante
Tão vivo, e ameaçador
Fazendo da minha respiração mais ofegante.

Mas logo em seguida
Como um golpe certeiro e fatal
Contemplo a suas mãos doce e macias
Me acariciando de forma tal.

Tal que causa inquietação
Me subindo na alma o desejo
O corpo já é refém do seu toque
E minha boca em súplicas
Implora o seu beijo.

Parece mágica poderosa
O contato dos teus lábios quentes
E provocando meu juízo já atormentado
Com pensamentos ardentes.

Vejo e não acredito
Que você está comigo
Posso sentir o cheiro dos teus cabelos
Posso encontrar em ti o meu abrigo.

Peço meu amor que não tenha pena
Ama-me sem pudor
Faça com que a minha carência
Se desfaleça de tanta dor.

Mate-a com suas armas
Amarre-me em seu coração
E me leve nesta correnteza
Que é a sua sedução.

Ensine-me a dança do amor
Nas profundezas de sua intensidade
Despindo a tristeza da minha alma
E mostrando a esta a felicidade.

Aqueça-me em seu corpo
E que nos entreguemos ao amor
Onde as carícias, e a intimidade do toque
Possa uma canção compor.

Que vá além da conexão dos corpos
Mas que atinja também
O nosso interior
Fazendo a alma revigorar
E encontrar no afeto o calor.

Dona, eu ainda espero
Que um dia possa te encontrar
Até lá sigo guardando sempre comigo
Esta vontade que sinto de te amar.

⁠Além de nós

Falavam desde muito tempo
Que é complicado o coração
Às vezes forte!
Outra hora, fraco
Oscilando sempre a sua pulsação.

Pois na verdade a carne é fraca
Sempre correndo o risco de perecer
De fome, frio, e enfermidade
Até a vida, mais cor não ter.

E nem por isso é que então
Não vale o tempo aproveitar
Além da carne, somos alma
Dispostas ao amor compartilhar.

Imagino que esta seja
Um ser muito especial
Verdadeira criação de Deus
O nosso lado espiritual.

Porém, de alguma forma
Ao nosso corpo, conectada está
Recebendo assim tudo
O que por nós venha a passar.

Talvez seja então por isso
Que quando há um forte sentimento
É só apenas a alma
Tentando obter o seu alimento.

Alimento, que é a vivência
A forma de nós agirmos,
Então aí devemos ter cuidado.
Para a alma não afligirmos

O desafio fica então
De nosso corpo controlar,
Cultivando o bem
E o amor sempre plantar.

Pois no final o que resta
É apenas o escurecer
Assim, desprendendo-se da carne
Lá vai a alma eternamente viver!

⁠O abismo entre a sabedoria e a compreensão

Tentam entender muita coisa
E pela experimentação,
Ditam como verdade absoluta
E a esta não abrem mão.

Ora, quanta ironia
Tudo que então fora criado,
Surgiu do conceito filosófico
Que por alguém, pensativo,
Em sua mente encontrou
Um esboço de um significado.

É claro que existe o saber primitivo
Parte do instinto natural de um ser,
Que orienta este em sua sobrevivência
Fazendo-o de fato, viver.

Mas então, sendo o intelecto
Da raça humana, um diferencial
Causa nesta, uma inquietação
De perguntar para si mesma
Quem sou eu afinal?

E eis que nesta indagação
O ser humano evoluiu,
Conquistando o conhecimento
Onde por ele também
Muita coisa construiu.

Porém, antes, os homens
Buscavam o sábio saber
Mantendo sempre o limite
O necessário para sobreviver.

Agora tenho a impressão
Que a linha antes demarcada,
Foi pela humanidade astuta
Rapidamente ultrapassada.

E cada vez é possível
Sem muito esforço encontrar
Tentativas intensas de compreender
O que para além do limite humano
Este está a se questionar.

Torna-se então uma tormenta
Uma sede por respostas explicativas,
E surge a ciência, senhora da sabedoria
Para levar ao mundo, esperanças assertivas.

Logo, o conhecimento
Outrora, visto como uma necessidade,
Se torna também um capricho
Para o humano que busca
Entender sua identidade.

Assim, nesta ganância
De compreender e buscar,
Os rebeldes dos animais
Começam suas próprias opiniões formar.

De experimentos, a ferramentas
E aparatos de medições,
Tentam se, afirmar nestes
O resultado de suas indagações!

O interessante de tudo isso
São que as respostas encontradas,
Se tornam sedimentos
De montanhas de conhecimentos formadas.

A partir de então, o saber segue
Baseado nas percepções,
Dos últimos sábios crentes
Da certeza de suas conclusões.

Assim, sinto de nós pena
Nesta luta de se encontrar,
Onde acabamos cada vez mais
Em mar de dúvidas afogar.

Tranquilo, estão os outros animais
Quem passam a vida, tentando sobreviver,
O objetivo mais inteligente
Que mesmo sendo irracionais
Estes conseguem compreender.

Se há motivo para a exaltação
Por sermos os únicos animais pensantes,
Tal característica só reforça para nós
O quanto somos ignorantes!

Pois não importa quanto tempo
A raça humana irá durar,
Se esta não tiver humildade
Para um fato poder aceitar.

O conhecimento é apenas um alívio
Da ferida de dúvidas que nos cercam,
Sendo um bálsamo que tira a dor
Da incerteza infinita que nos afetam.

E quanto mais pensarmos
Que tudo já entendemos,
Mais estaremos longe
Do que realmente sabemos.

Assim, bom seria
Se todos pudessem enxergar,
Que o problema de nossa raça
Frente a todos os outros animais
É a capacidade de poder pensar.

⁠Um apelo ao despertar

Sabe, olhando ao meu redor
Com os olhos á observar,
Comecei desde então
A vida humana contemplar.

E na perspectiva
De um mero observador,
Tentei ao máximo entender
Por trás das pessoas, o seu valor.

Neste mundo tão moderno
Com um universo de invenções,
Eis que com ele foram se modernizando
Até mesmo os corações.

Estes, antes animado
Batia com todo o vigor,
Não bombeava só o sangue
Mas fazia pulsar o amor.

As mãos simples e serenas
Tinha uma grande importância,
Transmitir a força do afeto
Sem nenhuma relutância.

Bocas vivas e alegres
Sorrisos e risos, lançavam no ar,
Para exaltar a ironia?
Não, para os tristes olhos confortar.

E o corpo, independente
Orgânico e bem planejado,
Para ser máquina de extermínio?
Antes, para a "vida", este fora criado.

Vida bela, de inestimável valor
Conservada era por eles então,
Eis que trocada foi
Pela demência da perdição.

Perdição, que mata o íntimo
Do espírito e da razão,
Onde nestes faz germinar
Uma nefasta pretensão.

Corroer, surrupiar
A racional mente sã,
Encarcerando-a na tristeza
Que perdurar, irá pela manhã.

Como um vírus perigoso
Se aloja bem no ego,
E o indivíduo? É marionete!
Controlado, e espiritualmente cego.

O resto já sabemos
Infelizes exemplos estão a nos rodear,
Acontecimentos assombrosos
Fruto de uma alma que ao vírus, se deixou infectar.

Realmente o que desejo
Não é fácil conseguir,
Mas vou na utopia
De acreditar que o ser humano, está a se evoluir.

Porém, que DNA é esse
Desta curiosa evolução,
Apegada em vaidade
E inclinada à corrupção?

Triste sim, é ver
Almas nascer na inocência,
Mal sabem o que os espera
Deus proteja nestes, a consciência.

E em um ciclo vicioso
De muitos erros, e negligência,
Vemos a ascensão de uma geração
Já em sua decadência.

Decadência da moral
Do respeito, e do amor,
Onde se aos velhos, estes era doutrinado
Hoje não há mais tanto valor.

Valor mesmo é o "moderno"
O novo jeito de ser,
Vangloriar a aparência
Deixando a alma padecer.

Isolados em um casulo
Desses de borboletas, a originar?
Que pena, mas nesta metamorfose
Não há beleza a se contemplar!

Assim, que ainda dê tempo
Humanos! Busquem a se conhecer,
E resgate no seu espírito
O verdadeiro sentido de "viver"!

⁠A pista

E é assim,
Com a alma de equilibrista
Que driblamos os obstáculos,
Que querem nos tirar da pista.

Pista de valor muito alto
Que na sua construção,
Usou de matérias primas
Sonhos, luta e dedicação.

Pista onde se dança
Com a batida de momentos,
Onde o ritmo é criado
Com a essência do sentimento.

É certo que às vezes chove
E a pista fica danificada,
Coberta de fissuras
Provocando uma derrapada.

Derrapada que traz a dor
O desespero, a aflição,
Mas que também contribui
Para o surgimento da solução.

A solução é o cimento
O reparo da pista,
É o que mostra a nós
Que é possível a conquista.

E se não tem solução
Não há porque se abalar,
Afinal, a pista é movimentada
E sempre tem alguém para ajudar.

E quando a chuva passar
A esperança irá surgir,
Com fé continuamos a batalhar
E a nossa viagem seguir.

Aproveite bem a viagem
Use os olhos e o coração,
Pois a pista é só de ida,
Mas o regresso, é só na recordação.

O destino é um mero rascunho
De um roteiro, que insistimos alterar,
E com base nele nos reinventamos
Fazendo a viagem, interessante ficar.

A vida pode ter várias representações
A que citei, foi uma pista,
E sobre ela tomei como definição
Que viver é um ponto de vista.

⁠Uma espécie diferente

Pobre ser humano
Arrogante e prepotente,
Se auto nomeia
Uma espécie diferente.

Espécie esta, vista
Superior às demais,
Dotada de inteligência
Os tais seres "racionais".

Não há outro ser vivo
Á altura, suficiente,
Que seja evoluído
Mais que o bicho "gente".

Este último é mais esperto
E tem muitas habilidades,
Mudando o mundo
Com as suas criatividades.

Possuem um grande tesouro
O domínio do conhecimento,
E por meio deste desenvolvem
Os mais fascinantes inventos.

Mas eis que infelizmente
Por se acharem soberanos,
Distorceram o sentido natural
De serem "humanos".

E consequências surgiram
Em um rastro de destruição,
Levando este animal
A sua própria perdição.

Se antes havia sentimentos
Como a caridade e compaixão,
Agora só há um abismo
Em seu rígido coração.

O cultivo da paz já cessou
É de ignorância e ódio, a plantação,
Dane-­se o amor!
Dane­-se a emoção!

Mas tudo isso se deve
Ao sempre querer ter,
A sede insaciável
Pelo disputado poder.

E se entre o homem e o animal
Ser racional é o que compensa,
Diante das atitudes do tal
Qual é mesmo a diferença?

⁠Quando o coração declama

Quero cantar uma canção
Junto a você posso me inspirar,
Amor, esta melodia vem do coração
E nestas palavras estou a te confessar!

É que antes, eu um revoltado
Egoísta fui comigo então,
Jurei jamais deixar que alguém
Tirasse me dá solidão.

E veio você com este sorriso
Com um olhar terno, e intimidador
Que rompeu em mim, todos os escudos
Me mostrando o que é o Amor!

Eu te amo, noite e dia
Minha princesa linda
Do meu mundo encantado,
Com você, sinto me um príncipe
Que um dia fora um sapo enfeitiçado!

⁠O enigma de duas almas

Muitos dizem que é complexo
Estabelecer uma união
Esta que começa em um olhar
E desabrocha na flor da paixão

E amadurecendo com o tempo
Paixão transforma-se em amor
Uma ponte entre duas almas erguidas
Trafegando sentimentos de valor!

Talvez tenha sido desde o princípio
Por Deus então criado
O encantamento entre dois corações
Onde o que falta em um
No outro pode ser encontrado!

Não sabemos a razão
E acredito que não haja conhecimento
Amor não se explica
Este só mesmo sentindo, e cuidando
Para que não venha a faltar em nenhum momento!

⁠O combate interior

Luto todos os dias
Em uma batalha sem fim,
Combatendo contra ele:
O monstro que habita em mim!

Escuto o gritar sombrio
Por que do chão tremer assim?
Mas é só o caminhar dele:
O monstro que habita em mim!

Coração já disparou
A alma declarou falência,
Da mente está sendo sucumbido
O que um dia foi a consciência.

O céu se tornou negro
Sem estrelas pra brilhar,
Há um cheiro de morte
Que no ar está a planar.

O monstro de repente para!
Vem o silêncio atormentador,
O som era a única forma
De fugir deste opressor.

E como em um jogo de apostas
Decide-se onde pisar,
Com cuidado e com cautela
Para o monstro não escutar!

Por um tempo nada acontece
Parece tudo normal,
A fera então adormece
Cessando assim o mal.

Então tudo fica bem
Parecendo que vai terminar assim,
Mas tudo recomeça...
E ele acorda de novo:
O monstro que habita em mim!

⁠Gratidão a minha mãe

Em um lugar quentinho
Ouvia o seu falar
Desde palavras carinhosas
Até uma bela canção de ninar.

E mesmo não te vendo
O meu amor por você surgiu,
Lembra dos movimentos
Em sua barriga?
Pois é, foi eu respondendo
Ao que você me pediu!

Entendi que o pedido
Era uma forma de cuidado,
Assim, desde então fiz o possível
Para mostrar que estava sempre ao seu lado!

Aconteceu logo então
Um momento por mim tão esperado,
Pude sentir de perto o calor
Enquanto em teus braços
Eu era embalado!

Assim fui crescendo
Recebendo de você explicação,
Me ensinou sobre as coisas da vida
Fazendo me compreender a importância
Do respeito e da educação.

Te agradeço pela sabedoria
Para as minhas tristezas confortar,
E também pela repreensão
Nas atitudes erradas
Que eu estava a concretizar.

Hoje se estou aqui
Com este meu jeito de ser,
Tenho certeza que parte desta essência
Você me ajudou a obter.

Pois tu és o meu porto seguro
Que deu a mim um voto de confiança,
Me presenteou com a vida
Reacendendo a sua esperança.

Esperança talvez essa
De sentir o dever cumprido,
Esculpindo com amor a sua obra
E a entregando ao mundo
O resultado do árduo trabalho concluído.

Perdoe-me meus momentos
De raiva e ignorância,
Onde sempre você ensinou
Encontrar na paz a significância.

Peço a Deus que te dê forças
E que acrescente seu tempo de vida,
Para que eu possa retribuir ao menos um pouco
O que por mim passou, em muitas lidas.

E o resto se me permite
Tentarei pagar em amor,
Encontrando na alma a gratidão
Um sentimento de grande valor.

Obrigado!
Por estar sempre em minha vida,
E se existe anjos da guarda
Você é uma Mãe!
Que para mim, por Deus foi escolhida!

⁠Enxergando por outros olhos

Há quem diga que viver
Está no lema "aproveitar"
Mergulhando no oceano,
De infinitas possibilidades
Que o mundo pode lhe dar.

Uns escolhem o "carpe diem"
Mas com uma tamanha intensidade!
Onde se houver um amanhã,
Destes, o que sobraram de verdade?

E se antes era uns
De uns, se multiplicaram,
Parece que o amor a vida
Dentro de poucos, restaram!

Se já não tendo amor
Fazendo do coração um frio,
Nasceu aí o orgulho
Que se estendeu neste espaço vazio.

Ah! fraqueza tão relutada!
Em não, jamais! Aparecer!
Que força o homem a se apegar
No lado físico de ser.

Feito couraça de ferro
A carne é de fato torturada,
Servindo de amortecimento
Para o que a alma não está preparada!

Estado vegetativo
Torna-se o corpo então,
Dependente de olhares alheios
Que a ele provoca uma reação!

Talvez zumbis nos tornamos
Mas não pela a feição,
E sim pela frieza do espírito
Que parece vagar sem direção!

Razão é dita fundamental!
Nestes dias recentes,
Será ela o vírus perigoso
Que nos tornam cada vez mais dormentes?

Porém, um dia a coisa
Começará a se descontrolar,
O corpo recorrerá a razão
Que a este falhará em salvar!

É aí que vem o momento
De refletir e entender,
O nosso interior precisa estar "em forma"
Para não padecer!

Ainda assim terá aqueles
Que para um entendimento, falta paciência,
E talvez indagam uma angústia interior
Calma! É só a alma declarando sua falência!

⁠Dormência existencial

O corpo nega
E à alma sobrecarrega,
A indiferença da percepção:
realidade sombria e fria,
Que torna gelo o coração!

Mas é como em uma anestesia,
A carne sendo poupada da extrema dor.

Pena que para a alma não existe dormência!
E mais cedo ou mais tarde, o corpo acorda,
Assim esta trata de seu sofrimento, à ele então impor!

⁠Bandeira branca

E a bandeira da paz?
Não é branca?

Parecia...

Mas está tingida de vermelho
E de tempos em tempos,
Uma outra demão é espalhada.

Ouvi dizer dos ignorantes
Que a nova cor é revolucionária,
Forte e de opinião!

Mas ao vê-la sinto medo
E tenho a impressão de ouvir dela,
Vozes sofridas, já em rouquidão.

Talvez, quem sabe um dia
O vermelho entre no esquecimento?
Apostando assim no diálogo
Que há de devolver a bandeira
O branco da paz,
Símbolo do renascimento!

⁠Precioso tempo

Ao nascer o tempo dispara,
E desde então começa a contar
As minúcias, e cada detalhe
Da vida que começa a passar.

É silencioso, e sorrateiro
Invisível como o ar,
Não se sabe ao certo onde
Em que ele possa estar.

O que se sabe, realmente
É que ele existe, e é pulsante
Segue sempre para a frente,
Atrás não volta nem um instante.

Então, criamos uma forma
De o tempo controlar,
Nomeamos cada "fatia",
Que ele segue sempre a marcar.

Segundo, minuto, hora,
Década, ano, mês,
Grandezas que se comportam
De forma única, e por vez.

Com base nelas, então
Foi projetado um invento
O fabuloso relógio,
Que representa o tempo.

E desde então foi possível,
De a vida administrar
E a porção de momentos,
Ser possível fracionar.

E bem rápido descobriram,
Que com o tempo, podia se lucrar
E a frase "Tempo é dinheiro",
Veio bem a calhar.

E assim, é o hoje no mundo
Onde toda a civilização,
Emprega o precioso tempo
Em prol de sua ascensão.

Ascensão, da riqueza
Do prestígio, e do poder
Onde vale cada segundo
Para poder sempre crescer.

O caminho é muito distante,
E pode até demorar,
Com perseverança, e muito estudo
É possível á ele chegar.

Portanto, assim escolha
E com bastante atenção,
O tempo é uma riqueza incerta
Onde o lucro é a sua percepção.

⁠A combustão

É necessário ter fé
Para o caminho trilhar,
Porquê acreditar em algo
Só é apenas um sonho,
Se você inerte ficar.

Assim, faça do esboço de suas expectativas
Uma ação a executar,
Pois um dia irá colher
O que lá trás fez germinar.

Se vai levar tempo, eu não sei,
Para a um resultado chegar.

Mas se tiver motivação
Ainda terá combustão,
Para a sua fé sempre renovar.