Coleção pessoal de giuliocesare

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Saber que sentiu e fez sentir bater forte um coração por amor, amou e foi amado, no singular, uma única vez, valeu toda a existência; não foi em vão. Cumpriu a missão dada pelo Universo e a ele retornará habilitado, pelo êxito.

Para muitos veteranos, o que mais dói é sentir a distância se multiplicar dos amigos fraternos, com quem compartilharam momentos mágicos e inesquecíveis, tempos em que a felicidade, a cumplicidade, a lealdade e a parceria eram companheiras fiéis. Com o tempo e a fadiga natural da matéria, restam hoje a saudade e, depois, as lembranças, em qualquer dimensão.

É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou. Entregar todos os teus sonhos porque um deles não se realizou.

Quando o vazio toma conta, o melhor é o silêncio — na boca e na caneta —, ser apenas um mero observador de tudo e permanecer quieto no seu nada.

Bacana mesmo são aqueles que vivem sem horizonte, seguram a onda da solidão e procuram como missão, resgatar a resiliência, proatividade e esperança nos outros.

Quem muito amou e hoje, na solidão, se sustenta das boas lembranças do que viveu, deve ser testemunho não de desistência, mas de coragem — pois a felicidade sempre ronda nossa porta e espera por quem ainda acredita nela.

Mesmo quando tudo parece vazio por dentro, é nesse silêncio que a vida sussurra: ainda há força em você para recomeçar.

Olhando em volta, sem ver nada que possa interessar nem ouvir, exceto as cores das flores e a conversa dos pássaros, tá ótimo!

A verdade e a mentira andam juntas. Entram em cena alternadamente, dependendo dos objetivos, das circunstâncias e do público. Nesse contexto, as narrativas surgem como um meio-termo perigoso: são ferramentas indispensáveis, anestésicas e até hipnóticas, mas que representam a metástase da verdade.

Quando um veterano descobre que já tem mais passado do que futuro, deve sorrir: venceu o tempo e foi privilegiado pela vida. Agora, resta-lhe transformar cada novo dia em conquista, para que o futuro se converta em páginas dignas de enriquecer o seu passado.

Num mundo polarizado e banalizado, resta o saudosismo: tempos em que cantar e dançar 'Só Love', de Claudinho & Buchecha, fazia a vida parecer mais leve, lúdica e melhor.

Há pregadores da esperança que vivem órfãos dela — e, assim, encontram nobre sentido para suas vidas.

Não tema a desesperança: é nela que a esperança ensaia seus primeiros passos.

Um alienígena solitário, cuja meta de vida é acordar no dia seguinte e pagar seus boletos, tem apenas um sonho: ser abduzido por um disco voador vindo de um planeta azul.

Cuidado: a solidão perene vai calcificando coisas importantes dentro de nós e, quando efetivamente nos damos conta, virou pedra - sem volta, sem tratamento, apenas lembranças.

De repente escuta uma música que abre uma caixinha supostamente trancada: a da saudade. Advém uma dor no peito, de um sonho que partiu, virou passado, mas ficou. Dos olhos caem lágrimas — uma homenagem sincera, digna e silenciosa do coração.

Um dos piores momentos é quando alguém se perde de si mesmo. Bem-aventurados aqueles que promovem o reencontro.

A distância, aliada ao silêncio, jamais terá êxito no esquecimento, se a conexão for patrocinada pelo coração.

Um cara que tem de ser respeitado é o tal do Sentir. Sobre ele não temos controle: é atemporal, doido, desaforado e vive nos extremos — ou odiamos, ou amamos, sem meio-termo. Não se explica nem se entende. Agora, convenhamos: não dá pra viver sem ele.

Nos dias de hoje, ler boas notícias está se tornando uma verdadeira utopia; mais raro ainda é poder vê-las ou ouvi-las nos meios de comunicação. A narrativa predominante parece sempre alimentar o medo, o conflito e o desencanto, relegando ao silêncio as pequenas conquistas e os gestos que poderiam inspirar esperança. Nesse cenário, a ausência de boas notícias não significa que elas inexistam, mas sim que deixaram de ocupar o espaço que merecem na vida coletiva.