Coleção pessoal de gilbertobegiato
Ao rasgar o véu do templo onde se dizia que habitava Deus no Santos dos Santos, Jesus quis deixar bem claro que o lugar mais santo é a pessoa humana, de forma preferencial pela urgência, os mais sofridos e pobres.
A luta nossa de cada dia só tem sentindo na promessa da Ressurreição que se renova no Tabor: na comunidade, na oração, na eucaristia, nos sacramentos, nos encontros e formações, na missão, no amor aos pobres, etc.
Não se encontra a verdadeira felicidade se não souber morrer e viver: morrer por uma causa que vale a pena e viver as pequenas alegrias.
Quanto mais resistimos a cruz mais pesada ela fica, quando aceitamos a cruz ela se torna leve e eu forte para enfrentar outras cruzes da vida.
A resignação diante da cruz é acima de tudo reagir com esperança na certeza de que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus.
Entender o outro não é uma questão de intelecto e sim de sentir, tocar e acolher com o coração. As pessoas precisam ser tocadas com a alma. Quando falta o amor, sobram técnicas.
O que se precisa fazer de verdade neste país são as reformas: trabalhista, tributária, política, a administrativa, a previdenciária, a do Judiciário, reforma educacional...
Até agora só maquiaram e/ou não fizeram.
Aconteceram até reformas religiosas e contra-reformas.
Reforma Pombalinas e tantas reformas.
Mas não adianta reformas se não houver a reforma de caráter das pessoas.
Se Jesus viesse hoje o discurso seria o mesmo: respeito e amor! O discurso central seria: proteção ao meio ambiente e justiça aos pobres!
Os filhos interesseiros de hoje serão os incrédulos de amanhã. O pior descrente é aquele que acredita que crê sem crer.
O verdadeiro fruto da graça recebida em nossas vidas é a retribuição. Não a retribuição escandalosa de quanto a pessoa pode pagar pela graça recebida e sim a retribuição de quem encontrou a graça e de graça quer oferecer a quem precisa.
O termo “casa” na bíblia significa família. Uma igreja familiar. Longe da “cultura do Templo”. O Templo deve abraçar urgentemente a “cultura da igreja família”. Também não adianta apenas “igreja familiar” se esta segue as mesmas práticas do templo onde as pessoas insistem em manter suas respectivas condições dando sobrevivência às mesmas tensões e comodismos.
Despedida
Sabe aquele momento da vida
em que chega a hora de despedir?
Pois é... como tenho dificuldade
para lidar com este momento.
Quando você é o aluno mais antigo
daquela perua ou daquela escola.
Quando você precisa cumprir
aquele último mês de aviso prévio.
Quando você sai toda vestida de branco
para formar outra família.
Quando você decide terminar
aquele relacionamento que não deu certo.
Quando se despede daquele encontro
que tudo foi uma graça.
Quando olha seu melhor amigo
partindo pra longe... por outros caminhos.
Quando quem você ama com tanto carinho
parte deixando você para sempre.
Está vendo? Meus olhos encheram de lágrimas.
E mesmo sabendo que despedir é libertar,
eu definitivamente não sei lidar com despedidas.
Por isso... por mais que doa uma despedida,
e aproveitando que você está presente:
que tal sorrir, abraçar, amar, perdoar,
confiar, festejar, chorar, viajar, rezar,
brincar, dançar, ler, comer, viver...
juntos... bem juntinhos... sem preconceitos...
sem medos... nem julgamentos... nem penalidades...
Porque um dia um de nós vai partir.
E para cada encontro existe uma despedida.
E se existe algo pior que a despedida,
é o remorso por não ter amado.
Eu já vi tanta gente partir da minha vida,
algumas partiram para sempre,
partindo meu coração:
mãe, pai, parentes, mestres, amigos...
Até pessoas com as quais eu não convivi,
partiram deixando saudades:
meus avós, meu irmão, meu filho, escritores, "ídolos"...
Meus olhos encheram de lágrimas novamente.
Como dói despedida.
Se após uma despedida ficaram saudades,
é porque valeu a pena o relacionamento.
A gente só sente saudades do que foi bom.
Quando se despede de quem se ama,
este alguém sempre leva um pedaço de você
e você sempre carrega um pedaço dele.
A verdade é que somos sempre parte de alguém.
Com o lenço na mão e os olhos lacrimejados,
eu lembro-me de todos com carinho.
Apesar de ser tão difícil dizer adeus,
me sinto muito bem dizer “A Deus”,
para quem partiu para sempre.
“A Deus vos recomendo.”
Faz-me muito bem acreditar no céu.
Uma vez que pra mim o céu se define em duas palavras:
Encontro e Festa.
Encontro com os que já partiram e os que vão chegar
e festa para comemorar a saudades que morreu.
No meu céu não haverá despedida.
Olha que coisa boa!
Por isso enquanto viver
não quero saber lidar com despedidas,
até porque por de trás de uma despedida
sempre há uma vida nova chegando
e sempre há uma vida pra ser vivida.
