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Coleção pessoal de EmOutrasPalavras

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A melhor herança familiar

Os pais gostam de deixar alguma herança para seus filhos. Geralmente a herança é financeira. Temos porém outras, muito preciosas que enriquecem as pessoas no seu humanismo, herança de valores. Vejamos algumas heranças humanitárias que enriquecem o ser:

1. O sentimento de amor pela vida dos seres humanos. Vivemos para ajudar outros a viver. O respeito pela vida e dignidade da pessoa humana é a melhor herança que podemos deixar. Sentir satisfação pelo bem dos outros é a suprema emoção. O propósito de não prejudicar e fazer aos outros o que queremos que nos façam, é amor pela vida do outro. Tais sentimentos nos enchem de simpatia e consideração pelo próximo e nos cumulam de paz interior. Atos de altruísmo, de voluntariado e de gratuidade são valores de alto quilate. Quem se preocupa menos consigo, sofre menos. É a herança do amor fraterno.

2. A consciência de viver o que foi ensinado. Praticar os mandamentos, interiorizar e viver os princípios éticos, dar testemunho de vida é uma herança inestimável. Que possam dizer de nós: era uma pessoa que fazia o que dizia, passou fazendo o bem. Uma vida pautada pela coerência e transparência é cativante e irradiante. O mundo aprecia mais as testemunhas que os mestres. Os gestos falam mais que palavras. Em nossos filhos fica marcado o jeito de viver de seus pais. Eis a herança do bom exemplo.

3. Não repetir os erros cometidos. Aprender com os erros, não repeti-los, não justificá-los, não mistificá-los, é uma sabedoria que nos faz amadurecer. Crer que podemos ser melhores e ir além de nossos limites, é manifestar a esperança que nos habita. Enfim isso tudo significa humildade. Nossos erros podem ser nossa escola, nosso pedagogo, nossa chance de melhorar e de mudar. A coragem de assumir os erros e corrigir-nos nos eleva e dignifica. É a herança da sabedoria.

4. A capacidade de escolher novos rumos. É belo saber recomeçar, não desistir, procurar soluções, corrigir rotas. Para quem não tem rumo todos os caminhos são errados. Ter ideais, metas e objetivos é ser pessoa motivada. Os motivados fazem mais que os inteligentes. Refazer e reorganizar a vida, os rumos, os horizontes é próprio de quem tem razões para viver, e sabe dar sentido e significado para a vida. Vencemos os sentimentos de inutilidade, de vazio existencial, de conformismo e nos equipamos com a “vontade de sentido”, transformando tragédias em triunfos, espadas em arados, lixo em luxo. É a herança da esperança e do otimismo.

5. Ter interioridade. Significa ter bondade de coração, retidão de consciência, escala de valores, capacidade de renuncia, apreciação pelo bem estar dos outros. Sucesso é passar de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo, isso também é interioridade. Silêncio, meditação, opção de vida, oração e ação, manifestam a interioridade das pessoas. São capazes de passar por injurias e humilhações sem perder a serenidade. Encontram sentido para o sofrimento. Quanto mais trituradas mais doçura emitem. É a herança dos valores.

6. O respeito pelo indispensável: pão, saúde, trabalho. Eis o zelo pela justiça, pelas condições básicas de vida, pela dignidade humana, são os pilares da paz. Lutar pelo bem comum, pela solidariedade onde justiça e liberdade, verdade e amor se abraçam, é crer na construção da sociedade justa e fraterna. Altruísmo, voluntariado e gratuidade são as melhores heranças que os pais deixam para seus filhos e para a nova sociedade.

Dom Orlando Brandes – Arcebispo de Londrina

Conheço pessoas cuja profissão resume-se a "concurseiro". Questionadas sobre o porquê de tamanha determinação, a resposta na maioria das vezes é "estabilidade". O que me intriga e ao mesmo tempo enternece é a concepção de estabilidade e a motivação que as levam a ingressar no serviço público; concepções e motivações essas que, via de regra, não incluem o cidadão que deveria se beneficiar de seu ofício - tampouco da qualidade deste serviço. Eis que nos deparamos constantemente com um sem-número de funcionários que não cumprem seus horários, tiram licenças abusivas, não cumprem metas - sequer as estabelecem -, agem com descaso, negligência e desrespeito frente a seus semelhantes (são cidadãos prestando serviços a cidadãos), realizam o trabalho de forma medíocre e, como é endêmico em nosso imaginário, distancializam todos os problemas que afligem a população, delimitando um círculo bem claro do qual todos eles estão excluídos. Não gosto de generalizar, e felizmente conheço pessoas que honram sua profissão, independentemente de qual seja o setor no qual atuem, mas, basicamente, o que sinto é vergonha, tristeza, sinto raiva e sobretudo impotência por saber que essa não é uma realidade que mudará com uma ou outra gestão partidária.

De manhã, quando chove, a presença da mulher que a gente ama torna o mundo mais fácil, não mais difícil. Quando é o caso de reclamar, ou exibir fraqueza e perplexidade diante do insolúvel, ela está lá. Assim como estamos para ela. Às vezes, a gente ri de tudo e a vida parece uma taça de champagne borbulhando. Leve, leve, leve. Em outras ocasiões, partilha-se o intolerável de mãos dadas. Assim vamos: ao som de uma melodia imperceptível, dançando juntos, cada um com a sua carga, como um par de caramujos obstinados e felizes.

Quem quer atenção em tempo integral não consegue perceber o outro. Nem gostar dele realmente. Amar, afinal, da forma como eu vejo, é apaixonar-se também pela dor alheia. Mas para isso é preciso olhar além de si.

Às vezes, me parece que a capacidade de conviver com a dor do outro é uma das medidas da nossa capacidade de amar. Gente muito voltada para si mesmo não consegue partilhar as dificuldades alheias. Tornam-se impacientes, se entediam e, ao final, refugiam-se na indiferença.
(...)
Afinal, por que não estamos aproveitando o tempo para nos divertir? Por que não estamos falando a meu respeito? Os sentimentos egoístas nem sempre são claros, mas explicam parte da dificuldade em conviver. Quem quer atenção em tempo integral não consegue perceber o outro. Nem gostar dele realmente. Amar, afinal, da forma como eu vejo, é apaixonar-se também pela dor alheia. Mas para isso é preciso olhar além de si.

Estar com alguém é partilhar a carga que ele ou ela traz consigo. São dores, traumas e decepções. São dificuldades íntimas ou conflitos de família. Não penso em problemas que se possa resolver assim, de forma prática. São coisas com as quais se vive, e por isso constituem uma carga. Não é possível livrar-se delas com um gesto ou uma solução. Elas fazem parte do outro que a gente ama.

Pouco conhecimento faz com que as pessoas se sintam orgulhosas. Muito conhecimento, que se sintam humildes. É assim que as espigas sem grãos erguem desdenhosamente a cabeça para o céu, enquanto que as cheias as baixam para a terra, sua mãe.

Tenho observado – e posso estar errado – que o amor é um sentimento claro e absoluto apenas para quem não desfruta dele. Nós amamos, desesperadamente, a pessoa que nos deixou. Nosso amor é óbvio, e inabalável, por aquela criatura que nos deixa em permanente incerteza. Amamos ferozmente, claro, quem nunca deu sinal de nos querer. Se isso tudo é verdade, a moral da história é muito clara: nós amamos, realmente, e de forma permanente, o nosso desejo. Quando ele está saciado – pela certeza do amor e da presença do outro – então já não temos tanta convicção. Faz parte da nossa natureza perversa, eu acho.

Mais comum do que a ausência de amor, mais comum do que a dúvida sobre o amor do outro por nós, é a dúvida que temos sobre os nossos próprios sentimentos em relação ao outro. Tente se lembrar: quantas vezes, diante dessa ou daquela sensação, deste ou daquele sentimento, você não se viu na mesma situação, perguntando a si mesmo, quase em voz alta: será que isso que eu estou sentindo é amor? Será que eu amo essa pessoa?

Uma vez que você tenha experimentado voar, você andará pela terra com seus olhos voltados para céu, pois lá você esteve e para lá você desejará voltar.

Há uma porta de saída para os corruptos, para os corruptos políticos, para os empresários corruptos e para os corruptos da Igreja: pedir perdão! Isso agrada ao Senhor. O Senhor perdoa, mas perdoa quando os corrompidos fazem o que fez Zaqueu: 'Eu roubei, Senhor! Darei quatro vezes aquilo que roubei.

Normalmente a pessoa de quem se anda à procura vive mesmo ao lado. Isto não é fácil de explicar, temos de simplesmente aceitá-lo como um fato. Tem raízes tão profundas que não se pode fazer nada, mesmo com esforço. A razão é que nós não sabemos nada deste vizinho de quem andamos à procura. Ou seja, não sabemos que andamos à procura dele nem que ele vive na casa ao lado, mas então ele vive mesmo na casa ao lado. É claro que podemos saber isto como um fato geral na nossa experiência; só que sabê-lo não tem qualquer importância, mesmo que guardemos isso em mente.

Ética e moral, pela própria etimologia, dizem respeito a uma realidade humana que é construída histórica e socialmente a partir das relações coletivas dos seres humanos nas sociedades onde nascem e vivem.

No nosso dia a dia não fazemos distinção entre ética e moral, usamos as duas palavras como se fossem sinônimos. Mas os estudiosos da questão fazem uma distinção entre as duas palavras. Assim, a moral é definida como o conjunto de normas, princípios, preceitos, costumes, valores que norteiam o comportamento do indivíduo no seu grupo social. A moral é normativa. Enquanto a ética é definida como a teoria, o conhecimento ou a ciência do comportamento moral, que busca explicar, compreender, justificar e criticar a moral ou as morais de uma sociedade. A ética é filosófica e científica.

“Nenhum homem é uma ilha”. Esta famosa frase do filósofo inglês Thomas Morus, ajuda-nos a compreender que a vida humana é convívio. Para o ser humano viver é conviver. É justamente na convivência, na vida social e comunitária, que o ser humano se descobre e se realiza enquanto um ser moral e ético. É na relação com o outro que surgem os problemas e as indagações morais: o que devo fazer? Como agir em determinada situação? Como comportar-me perante o outro? Diante da corrupção e das injustiças, o que fazer?

O problema é que não costumamos refletir e buscar os “porquês” de nossas escolhas, dos comportamentos, dos valores. Agimos por força do hábito, dos costumes e da tradição, tendendo à naturalizar a realidade social, política, econômica e cultural. Com isto, perdemos nossa capacidade critica diante da realidade. Em outras palavras, não costumamos fazer ética, pois não fazemos a crítica, nem buscamos compreender e explicitar a nossa realidade moral.

Naturalizamos a injustiça e consideramos normal conviver lado a lado as mansões e os barracos, as crianças e os mendigos nas ruas; achamos inteligente o esperto que leva vantagem em tudo e tendemos a considerar como sendo otário quem procura ser honesto.

Onde há vida humana em jogo, impõem-se necessariamente um problema ético

O homem, enquanto ser ético, enxerga o seu semelhante, não lhe é indiferente. O apelo que o outro me lança é de ser tratado como gente e não como coisa ou bicho. Neste sentido, a Ética vem denunciar toda realidade onde o ser humano é coisificado e animalizado, ou seja, onde o ser humano concreto é desrespeitado na sua condição humana.

Não possuir algumas das coisas que desejamos é parte indispensável da felicidade.