Coleção pessoal de edsonricardopaiva

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Ontem eu escrevi alguma coisa
Não sei se você gostou
Espero que tenha gostado
Porém;
"ontem" é passado
Hoje eu preciso escrever de novo
E é escrevendo que me movo
O homem que vive e nada cria
Nem ter nascido devia
Há criações melhores
muito melhores que as minhas:
Um roçado de feijão
Laranjas, tangerinas, maçãs
Eu cultivo apenas poesia
Uma vez comido o feijão
Eu posso vir aqui todas manhãs
E, talvez, criar uma canção
E quem sabe, alegrar seu dia
Se você não gostar...
eu tentei
pretendo voltar amanhã
e escrever novamente
a vida é algo que não pára
Nuns dias não dá certo
em outros a gente erra
por querer
Nem todo mundo
gosta de tangerina
Um poema é só um poema
Mas, se procurar
talvez encontre uma mensagem
Mais linda que imagina
Nem tudo que os olhos te mostram
são do jeito que enxergou.

Você estará pra sempre vivo
enquanto alimentar seus sonhos
e enquanto sonhares
sua alma poderá seguir
pra conhecer, ser e estar
em todos os lugares
Se souber sonhar
Sonhar de verdade
Seu corpo poderá, então
estar junto
Sonhe grande
e deixe de pensar pequeno
o desânimo
é um veneno pra alma
pois mesmo quando
não se concretizam
foram eles que alimentaram
seus dias, seus passos, sua vida
foram os sonhos que sonhou
tua alma viva
A alma que se priva de sonhar
sufoca
esmaga, estraga
tanta coisa ali, contida
Continue, então...querendo
saber e conhecer e tocar
e provar e abraçar e ir
aonde teus pensamentos
ainda não sonharam
Corações, cujas almas
não sonham
Páram.

Quando chove a chuva traz
lembranças do bem
que você sempre me faz
pode parecer que não
mas se você olhar para trás
talvez veja uma luz
que se esconde
quando você olha
Sempre que a chuva me molha
Eu posso chorar sem medo
Não vão nunca descobrir
deste afeto, que guardo em segredo
Este amor, mesmo sendo tão grande
e mesmo sem ter aonde
esconder
eu escondo aqui no peito
e vou te amando do meu jeito
não é do jeito que eu
sempre quis
mesmo assim fico feliz
em poder te enviar
essa luz
Que se esconde
Quando você olha
Talvez seja a nossa sina
Pois sempre
que a chuva me molha
Meu amor em forma de luz
te procura e te ilumina

Em frente à minha janela
Tem um gavião voando
Faz um voo tão morno
e voa muito mais bonito
que o avião mais moderno
Sei que é rapinagem pura
mas tudo que Deus Criou
Tem se portado muito bem
eu acho que o gavião tem
é todo direito de estar
voando e rapinar e planar
e voar de novo se quiser
mais bonito que seu jeito
Só existe no Mundo alguém
Que quero ver e não vejo
Eu Só alimento nesta vida
Um desejo
Voar como um Gavião
E voando a procurar
Te encontrar andando
no chão desprotegida
te carregar pro ninho
depois vou te mastigar
Com todo amor e carinho

De quem será que foi a ideia
de inventar a morte
dividindo assim a vida em dois
Será que pensou antes no "antes"
Para que o suspense, chamado existência
lhe desse a grata satisfação
de fazer a gente aguardar tanto tempo
Pra saber o que existe depois
Será que vai causar decepção?
Então
Quem foi que inventou a vida
E jogou tanta gente no Mundo
Sem ao menos dar preparo
Quem criou o desamparo
o desespero
a espera
o inverno e a primavera
eu já sei
que quem inventou a distância
queria vender saudade
mas achei muita maldade
alguém ter criado a infância
e outro ter feito dela
uma coisa assim, tão curta
a criança inocente e absorta
não percebe que o tempo lhe foge
não vê que perde tanta coisa
enquanto brinca de querer crescer
sem saber que a discrepância
entre o ser e o querer
é uma linha muito tênue
e que ela a embaraça, ingênua
perdendo assim o lado bom
da parte que vale à pena
viver assim, sem perceber
é muita falta de sorte
Quem será que inventou a Morte?

Hoje eu acordei sem saber ao certo
Se eu pertenço mesmo a este mundo
Ou fazia parte de um sonho
do qual fugi, do qual eu desertei
Recordando a mim mesmo,
nos últimos anos
ficou ainda mais difícil saber
Se estava certo
se aquela sensação
era somente um triste engano
Abro a caixa do correio
Nenhuma mensagem
Saio à rua e me sinto
Como se eu fosse apenas
Um despercebido pedaço da paisagem
Em casa, há tempos sou um móvel
Um quadro na parede
Patética imagem imóvel
Minhas mensagens poéticas
Carecem de estética, de forma, justeza
Minha vida, há muito tempo
vou vivendo sem certeza
Mesmo os sonhos mais sem lógica
Como mágica me fazem sentir
Como se eu fizesse parte
daquele mundo distante aonde vou
sempre que a inconsciencia vem buscar
e parece me dizer
Não acorde, filho
fique aqui com a gente
pois aqui é teu lugar

Enquanto esperamos
a oportunidade de viver
vamos morrendo
No próximo ano
Haverei de me lembrar ainda
daquilo que ontem
eu estava lendo
E enquanto mergulhava
minha cara e meu tempo
Nos livros e em velhos arquivos
não percebia
Um pássaro preto me olhando
Sentado num galho
aqui perto
Enquanto eu enchia
Meus olhos de nuvens
Meu peito tornou-se um deserto
Enquanto eu coava uma mosca
Uma Cáfila passou blaterando
Erguia meus olhos,
de vez em quando
Mas não via, não sentia
Nada mais me comovia
A noite acabou
Enquanto eu aguardava o dia
E a Cotovia não cantou
Querendo apurar meu senso estético
tornei-me errático
pragmático e simplesmente
Estático
Procurei muito longe
Aquilo que estava perto
viver é viver
Algo simples e complicado
É mais que nascer e morrer
É saber corrigir no tempo certo
Reconhecer que está errado
E enquanto isso o tempo corre
E o que está escrito
Não se apaga
Feio ou bonito
indiferente ou sentida
cada palavra, cada gesto
e cada pensamento
gravados no livro da vida
Assim como todos
Os sonhos e esperanças
Intensamente vividas
Ou então
Na noite dos tempos perdidas

Aonde estiver seu coração
Ali estará o seu tesouro
A vida é curta, muito curta
Antes mesmo que esteja morta
E que sua alma siga fatalmente
Pra um lugar onde receba
Aquilo que mereces realmente
Perceba o que fez de sua vida
Ponha na balança o valor
de todo seu ouro
Responda se valeu
toda a dor causada
Todo dinheiro,
toda prata
todo ouro
Não chegam nem de perto
Ao valor do pó
que recobre o couro
Das sandália dos pescador
Aquilo que recebeste
Aqui não vale nada
Deste lado da vida
A tudo que pesaste
valerá como medida
pra fazer avaliação
e descobrir que nada
levou à nada
Teu sorriso falso
Não mais te servirá
de escudo
Aqui ninguém se vende
Aqui nada se oculta
Aqui será cobrado
Cada "N" e cada Jota
A cada ceitil
Que fizeste de valor
Ao vender tua alma
Torta
Fatalmente, finalmente
inexoravelmente morta
Não há outra oportunidade
Aqui impera a verdade
Conquistada por tua
Parca e porca vontade
Seja bem vindo ao inferno
Aonde há de permanecer
Em companhia de quem
te avalia
Por toda a Eternidade
e mais um dia.

É importante haver beleza
Quando beleza não há
É irrelevante a nobreza
Inútil a imponência
Desinteressante a riqueza
Mas, há também um porém
Existem
Vários tipos de beleza
Bonito é saber fazer sentir
Vontade de estar junto
Bonito é causar saudade
Portanto
Há belezas tão belas
Que o mais bonito nelas
É a tímida vaidade
Mágica propriedade
de parecer estar ausênte
Fazendo-se oculta
Tem a beleza que se sente
A beleza que se vê
E a beleza que se escuta
Uma espécie de beleza bruta
Beleza rara
Beleza escondida
Quando tudo mais se for
Há de estar ali
Independente do frescor
Presente para sempre
Até o resto da vida

Eu vi cair do Céu
Uma Estrela cadente
Eu tinha lido
Num pedaço de papel
Que algumas delas
Atendem pedidos
Mas que o pedido
Precisava ser sincero
Mais sinceridade
Que meu desejo exprimia
Não pode existir
Pedi que ela deixasse
Que o vento levasse
Um pensamento assim
antigo
distante
flutuante
e trouxesse na volta
Qualquer tipo
de resposta
Mas que ao menos
respondesse
Se nesta vida
eu ainda teria
A imensa alegria
de ver brilhar
na escuridão
da noite fria
A tocha do fogo
Que o fogo acendeu
A chama na noite
Que no tempo
se perdeu
E me deixou assim
Sem saber se eu
Sou mesmo Eu
Se meu próprio
coração
Jamais me pertenceu.

Minh'alma anda pesada
de tristeza
dentro de um tempo
e de um lugar
aonde se encontra
temporária, porém
irremediavelmente
presa
condenada a viver
e conviver
e envelhecer
entre os Homens
Até que isto pode
parecer
Não ser assim;
tão mal
pois vou aqui vivendo
entre risos
e sorrisos
risos são estimulados
risos ocorrem
quando ocorre
Algo que seja bom
mas o sorriso
exprime felicidade
da alma feliz
feliz de verdade
os risos viriam
ao meu rosto
se eu pudesse te vir
Sorrir
Teu sorriso
indeciso e impreciso
me parece tão somente
um riso
mesmo assim,
preciso vê-lo
preciso às vezes
acariciar
os seus cabelos
pra continuar
vivendo neste Mundo
e suportar
de forma decidida
a missão de viver
e fazer valer
a minha vida.

A gente se dá
todo nosso amor
depois se retribui
em companhia
me chame para ver
o pôr do Sol
qualquer dia
não é preciso
ter dinheiro
a gente se senta
aqui no quintal
e se lembra
do quanto pode ser bom
dividir um momento
assim tão normal
mas que parece
que o esquecimento
ou algo assim
transformou num
incontrolável vendaval
a distração pra completar
não deixa ver
que minha companhia
ainda pode ser sensacional
você faz o chá
e eu ligo o rádio
faz de conta
que hoje
é nosso primeiro dia
ainda me lembro
o quanto você ria
então
vamos olhar o Céu
e procurar vestígios
da passagem do rouxinol
então espero
me chamar
pra ver
o pôr do Sol

O trêm partiu
e mesmo sabendo
que o caminho
já esta traçado
você nunca esteve lá
Ele voltou vazio
Voce embarcou
e agora sente frio
o mesmo frio
do qual fugia
vai guardando a paisagem
na retina
Colinas, campos,
chuva fina
dias de Sol
e tempestades
Ontem era muito cedo
hoje é tarde
Se a viagem
apenas te sujasse
estaria tudo bem
Mas o tempo
a tudo encarde
Não há retina que guarde
tantas paragens
pode até parecer muito
mas é uma só viagem
é uma estrada só
onde você embarca,
viaja, deseja, teme, treme, geme,
espera, desespera, dança e se cansa
só.

Hoje o Sol não brilha
Agora o pensamento falha
e enquanto caem as folhas
o vento sopra
e não trás nada
além de lembranças
de tanta
alegria perdida
tento calcular
o desespero que eu sinto
mas, há coisas que
não se mensura
acima das nuvens
as estrelas não se movem
eu tento enxergá-las
mesmo assim
e a vida
vai passando em vão
assim como são vãs
as falsas alegrias
que passadas
não deixaram nada
lembranças sem garantia
já sepultadas
hoje em dia
Hoje o Sol não brilhou
hoje eu não olhei pro Céu
Há dias em que as coisas páram
Há tempos em que as coisas
mudam depressa
Não percebemos
Quando foi que amiudaram
As esperanças
vão sumindo
Conforme os dias correm
Fantasias coloridas
cores fantasiadas
Dourados raios de Sol
Que sempre me iluminaram
Há dias em que as coisas páram
tudo volta a ser semente.

Eu queria ter talento
pra escrever
Alma de artista
pra dizer
As coisas que eu gostaria
que soubesse
Te convencer
de algo difícil de crêr
Se nem sabias que coubesse
Tanto amor
Em um só coração
Se eu fosse um pintor talentoso
e tivesse traço preciso
Eu pintava teu retrato
e botava um sorriso
em teu rosto
Em tuas mãos desenharia
Um um lindo buquê de narcisos
para olhar-te
todo dia
Não há como desenhar-te
Reproduzir tão divina
Arte
Tua imagem é poesia
A mais bela poesia
Que Deus escreveu
Concretizou-se
No dia em que você
Nasceu
Impressionismo discreto
despertando
suspiros concretos
Quando observamos
Tal beleza decidida
por você
valeu-me ter vivido
minha vida.

Existe uma ilhazinha triste
perdida lá num canto do Pacífico
Sozinha, vai passando a existência
Às vezes vê passar
Um barquinho ou um aviãozinho
Porém, ela não consta do caminho
não existe necessidade
não há desejo específico
ou planos de que seja visitada
Perdida, lá bem longe
Esquecida no meio do nada
De vez em quando
Um passarinho pousa lá
Confuso e desorientado
fazendo caminho errático
perdeu a noção de orientar-se
pelo Campo Magnético
Não vê gente há muitos anos
Não dá nem pra contar
Paralelos, meridianos,
Eu acho que nem mesmo os Oceanos
já dão conta da existência
da ilhazinha que fixou residência
escondidinha,
longe de qualquer caminho
As estrelas lá vistas à noite
resumem a mais perfeita expressão
das imagens da saudade e solidão
Sozinha, perdida, esquecida
Parece até meu coração
Parece até minha vida

O que é mais importante
O que vimos
ou o que sentimos?
Existem
Mares, Quasares e Ístmos
Cadências sem harmonia
e rítmos
Flores e amores
dores
que vão além
do permitido
para os órgãos sensoriais
Existem segredos
Que guardamos
com tanto medo
Que quando revelados
dizem não passar
de simples projeções
Medo de ter
ou perder aquilo
que temos ou queríamos
ter
Ao nosso lado
O que é mais relevante
Saber viver
Sem o preponderante
Visível ou sensível
O medo de viver
ou a coragem de esconder
o que te faria
feliz de verdade?
Sacrificando
tantas alegrias
vivendo
num mundo de fantasia
tristeza
e o peso de não viver
Como pano de fundo
E atrás da cortina
Apagam-se as luzes
Para tantas alegrias
reservadas
para a única vida
Que queríamos
ter vivido
Neste Mundo.

Tenho um dos pés na Terra
O outro pisa a Lua
A cabeça não pensa
O coração sempre erra
A vida tem sido assim
de tanto pensar em mim
não quero esquecer você
tenho a alma no presente
e os olhos no infinito
esculpo palavras de amor
num monolito escondido no peito
preservo meu amor assim
quase perfeito
e a saudade se acentua
Ás vezes ela continua
mesmo quando
o coração pára
Tento pensar em algo bonito
e imagino a sua cara
Brilhando mais
que o Sol da tarde
se me permitir pedir-te algo
peço que guarde
nas asas de um vaga-lume
em forma de perfume violeta
esta lembrança
que voa como nave
e chega como um beijo
levado
por suave borboleta.

Há momentos em que a luz é lenta
tão morosa que inércia ela aparenta
especialmente quando comparada
à instantaneidade com que sua imagem
se apresenta em minha mente
sempre que o destino
impiedoso e insolente
faz lembrar a existência
da palavra saudade
palavra que ele traz só de maldade
e existem dias em que o vento
não tem força suficiente
se comparado àquela brisa
que soprou suavemente
levando embora
o meu amor da juventude
não vendo a bem valia
do amor que aqui dentro vivia
existem horas em que sou você
há dias que sou nós
há séculos eu sou um só
sozinho eu não sou eu
eu sou apenas alguém vivo
abrigando um coração
que já morreu

Existe um Oceano de Estrelas ao redor de nós, para nomeá-lo os Homens encontraram uma maneira muito sutil de homenagear as mães de todo o Universo. As mães que existiram e que haverão de existir: A minha, a sua e também aquela filha que ainda não nasceu. As mães deste e de todos os outros mundos habitados, físicos ou espirituais.
Esta homenagem foi tão bonita quanto à vida, que apesar de não ser da maneira que imaginamos, a é da maneira que sentimos e se extende às fêmeas de todos os Reinos, filos, classes ordens, famílias, gêneros e espécies:
Via Lactea.